Numa disputa que se prolongou por 25 horas antes se ser suspensa, as distribuidoras arremataram mais de 92,5% do biodiesel colocado a venda
Mesmo para quem acompanha o setor há anos, a Etapa 3 do 61º Leilão de Biodiesel está sendo uma experiência completamente nova. Para dizer o mínimo! Depois de inacreditáveis 25 horas de disputa ininterrupta, a rodada – que foi aberta ontem (14) às 11h00 e paralisada ao meio-dia de hoje – negociou 962,4 milhões de litros de biodiesel. Isso já faz deste o maior leilão de biodiesel da história superando em 3,7% os quase 927,7 milhões de litros que foram negociados durante todo o L60.
Mesmo para quem acompanha o setor há anos, a Etapa 3 do 61º Leilão de Biodiesel está sendo uma experiência completamente nova. Para dizer o mínimo! Depois de inacreditáveis 25 horas de disputa ininterrupta, a rodada – que foi aberta ontem (14) às 11h00 e paralisada ao meio-dia de hoje – negociou 962,4 milhões de litros de biodiesel. Isso já faz deste o maior leilão de biodiesel da história superando em 3,7% os quase 927,7 milhões de litros que foram negociados durante todo o L60.
E ainda teremos mais pela frente já que a Etapa 3 não acabou de verdade. As distribuidoras continuavam comprando biodiesel ativamente quando, por determinação da ANP, as negociações foram paralisadas até a próxima segunda-feira (18).
Não é apenas o volume que surpreende. A relação entre as aquisições das distribuidoras e as ofertas das usinas também está totalmente fora de esquadro. Desde que os leilões de biodiesel passaram a ser realizados de forma bimestral as compras representaram 84,1% das ofertas. No L61, já estamos em 92,5%.
Acima, portanto, dos 91,9% arrematados durante o processo regular do malfadado L39 que marcou a estreia do B7. A diferença é que, naquele certame, o problema foi resultado uma estava um volume de oferta relativamente fraco por parte das usinas. Tanto que o governo – temendo um desabastecimento – convocou um leilão complementar.
Demanda aquecida
Dessa vez, no entanto, o problema está do lado da demanda. A oferta das usinas foi a maior da história com pouco mais de 1,04 bilhão de litros colocados à venda nessa última terça-feira (12).
Sobraram pouco mais de 77,7 milhões de litros de biodiesel sem dono para atender a Etapa 5, o mercado autorizativo e o Leilão de Estoque. Isso cria a possiblidade de que, pela primeira vez na história tenhamos a demanda acima da oferta.
Caso as distribuidoras continuem demandantes e queiram arrematar todos os 240,6 milhões de que poderiam ser negociados na Etapa 5, o L61 movimentaria mais de 1,2 bilhão de litros. Ficariam faltando quase 162,9 milhões de litros para fechar a conta. Esta seria a primeira vez na história do setor em que a oferta das usinas não seria bastante para atender à demanda do mercado.
Esgotadas
Com as compras lá em cima, nada menos que 24 usinas venderam tudo o que queriam. Dessas 8 tiveram 100% de sua capacidade produtiva bimestral esgotada.
Apesar da euforia três unidades produtivas – Amazonbio, Camera e Cooperfeliz – ficara sem vender nada. Essas empresas terão que aproveitar a Etapa 4 para repensar suas estratégias de vendas.
Para a Camera o resultado é um tanto paradoxal. A empresa está voltando ao mercado depois de cinco anos parada e teve que entrar com um recurso para conseguir se habilitar. Ainda assim, ela não conseguiu vender nada dos 20 milhões de litros colocados à disposição das distribuidoras.
Sem fim
Não está claro porque o L61 está tendo números superlativos.
Até por volta das 19h30 tudo parecia estar correndo dentro da mais perfeita normalidade. As compras das distribuidoras vinham num ritmo forte desde a abertura do processo. A primeira hora fechou com 439,3 milhões de litros adquiridos, bem acima das 359,7 milhões de litros do leilão anterior. Tudo parecia indicar que as projeções de 850 milhões de litros no certame seriam plenamente atendidas – ou até ligeiramente superadas. Só que as distribuidoras continuavam comprando. E continuavam comprando. E continuavam comprando...
Os motivos desse movimento não estão claros. Entre as hipóteses ventiladas por quem acompanhava a cobertura ao vivo do L61 promovida por BiodieselBR.com há a chegada da safra de cana-de-açúcar e a ansiedade das distribuidoras e compensarem as perdas relacionadas à recente greve dos caminhoneiros que derrubaram as vendas no mês de maio.
Mecânica
A demora no L61 recoloca em questão da mecânica dos leilões de biodiesel. Embora, num primeiro momento, a ANP tenha obtido sucesso em reduzir a duração da disputa dobrando o patamar mínimo nas ofertas das distribuidoras para R$ 10, claramente essa estratégia não foi suficiente dessa vez.
O temor é que com os novos aumentos da mistura obrigatória esperados nos próximos anos, os pregões voltem a se tornar excessivamente longos.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com