Com aumento nos volumes negociados faturamento da Petrobras volta a superar a merca dos R$ 20 milhões de certame em quase cinco anos
Não são só as usinas de biodiesel que estão se dando bem com a chegada do B10. A Petrobras também não tem do que reclamar. Graças ao aumento da mistura obrigatória, a renda da petroleira com a realização dos leilões de biodiesel disparou para cima da marca dos R$ 20 milhões por certame – os mais altos em praticamente cinco anos.
Não são só as usinas de biodiesel que estão se dando bem com a chegada do B10. A Petrobras também não tem do que reclamar. Graças ao aumento da mistura obrigatória, a renda da petroleira com a realização dos leilões de biodiesel disparou para cima da marca dos R$ 20 milhões por certame – os mais altos em praticamente cinco anos.
Pelo L60, por exemplo, a estatal embolsou cerca de R$ 23,2 milhões. Se fosse uma das participantes da disputa, ela teria superado o faturamento da Caramuru de Sorriso – que teve vendas R$ 22 milhões – e ficado com a 30ª colocação entre todas as usinas. Com a vantagem, nada desprezível, de que não enfrentar riscos relacionados a flutuações repentinas do mercado óleos vegetais ou de eventuais falhas nas retidas por parte das distribuidoras.
Embora os ganhos no L59 tenham sido um pouco mais modestos, com R$ 22,6 milhões em faturamento, uma olhada no histórico dos leilões bimestrais [gráfico] mostra que a renda da Petrobras com os leilões de biodiesel está se aproximando dos níveis em que estavam na época em que a petroleira precisava manter estoques físicos de biodiesel para garantir o abastecimento do mercado em caso de falhas nas entregas das usinas.
Abrir espaço para reduções significativas nesse custo foi o objetivo explícito dos estoques reguladores terem migrado da forma física para o atual sistema de contratos de opção de venda. Como, de fato, podemos observar a partir do L31.
Margem
O desenho do sistema de comercialização de biodiesel coloca a Petrobras numa posição central. A estatal é responsável não somente pela realização dos leilões – que acontecem dentro de sua plataforma de licitações –, mas, também, por intermediar as entregas e os pagamentos de todo o biodiesel adquirido.
Para remunerar esses serviços, ela recebeu o direito de cobrar a chamada margem do adquirente: um valor fixo para cada metro cúbico de biodiesel negociado nos leilões.
Inicialmente firmada em R$ 60 por m³, a margem sofreu diversos cortes até que, no L38, atingiu seu valor mínimo de R$ 20 por m³.
Foi graças a esse processo de redução nas margens que o mercado conseguiu atravessar o período da chegada do B6 e do B7 – ocorrido no segundo semestre de 2014 – sem que o ‘custo Petrobras’ aumentasse seu peso. Exceto por um pico no leilão de lançamento do B6, quando a estatal teve um pico de faturamento de R$ 19,1 milhões, os ganhos variaram numa faixa relativamente estreita.
Crescimento consistente
Foi só depois do que a margem foi elevada para seu patamar atual de R$ 25 no L46 que os ganhos da estatal começaram a avançar de forma mais ou menos consistente.
O valor da margem vem sendo mantido o mesmo apesar da chaga do B8 no L53 e, mais recentemente, do B10 no L59 ter impulsionado os níveis de faturamento.
A chegada do B8 no L53 deu mais um gás aos ganhos da Petrobras que atingiram seus níveis atuais no leilão do bimestre passado com a chegada do B10.
No ano passado, a Petrobras faturou perto de R$ 105,4 milhões com os leilões de biodiesel. Em 2018, os ganhos em apenas três bimestres já somam R$ 63,6 milhões. A previsão é que, se mantida essa margem, a Petrobras embolse mais de 130 milhões de reais só com o intermédio dos leilões.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com