Amanhã começa o leilão de biodiesel e ninguém sabe a demanda
Amanhã começa o 72º Leilão de Biodiesel. Esse será o leilão com maior dúvida sobre o volume a ser comprado de todos os tempos. O principal motivo é que as incertezas relacionadas ao surto do coronavírus torna impossível projetar – com qualquer nível de segurança aceitável – qual será a demanda nos meses de maio e junho.
Já teremos saído da quarentena em maio ou isso vai ficar para junho? O afrouxamento das restrições acontecerá ao mesmo tempo em todas as unidades da federação ou só em algumas? Em todos os setores ou de forma escalonada? E como a economia vai reagir? Corremos risco de ver novas ondas de contágio que nos obrigue a novas quarentenas?
Amanhã começa o 72º Leilão de Biodiesel. Esse será o leilão com maior dúvida sobre o volume a ser comprado de todos os tempos. O principal motivo é que as incertezas relacionadas ao surto do coronavírus torna impossível projetar – com qualquer nível de segurança aceitável – qual será a demanda nos meses de maio e junho.
Já teremos saído da quarentena em maio ou isso vai ficar para junho? O afrouxamento das restrições acontecerá ao mesmo tempo em todas as unidades da federação ou só em algumas? Em todos os setores ou de forma escalonada? E como a economia vai reagir? Corremos risco de ver novas ondas de contágio que nos obrigue a novas quarentenas? Como ninguém tem resposta para todas essas perguntas, muito menos as distribuidoras, para saber a demanda de diesel no 3º bimestre faz pouca diferença real consultar as planilhas ou telefonar para proverbial a mãe Dináh.
Sem ter como saber quanto de biodiesel as distribuidoras vão precisar faz sentido imaginar que elas tentarão minimizar seus riscos. Elas sabem que se comprarem mais biodiesel do que precisam terão que pagar multa. As incertezas são tantas que a margem de tolerância contratual que era de 5% passou para 20%.
Isso quer dizer que caso uma distribuidora comprar 100 milhões de litros no leilão e só aparecer para retirar 80 milhões de litros, ela está livre de multa.
Nivelado por baixo
O que deve acontecer na prática é que as distribuidoras vão tentar imaginar o pior cenário de consumo de diesel e estabelecer, com base nisso, o volume mínimo de biodiesel que precisarão comprar. É essa conta que vai balizar a compra de 80% do volume total comercializado no leilão.
Os outros 20% só serão comprados porque são isentos de multa. Eles formarão uma rede de segurança para o caso do bimestre acabar não sendo tão ruim.
E vale ressaltar que é sem multa para os dois lados. Tanto usinas quanto distribuidoras devem garantir apenas 80% do vendido no leilão.
Nesse sistema fica claro que as usinas erraram a estratégia de negociação do volume com retirada obrigatório. Se tivesse a margem sido de 70% como queriam as distribuidoras, a compra no leilão seria maior.
Partindo de um cenário onde as distribuidoras calculem que o volume mínimo a ser adquirido nesse leilão seja de 850 mil m³, a obrigação de retirada de 80% permitiria que fossem comprados 1.062 mil m³. Tende esse mesmo volume base, mas uma obrigação de retirada de 70%, as distribuidoras poderiam comprar até1.214 mil m³.
Mesmo que as entregas no final do bimestre não mudem nada, as condições do leilão em si seriam muito diferentes. Com as distribuidoras dispostas a comprar mais biodiesel em função da maior flexibilidade dos contratos, o ágio pago no biodiesel teria mais espaço para subir.
Agora, por consequência de suas ações, as usinas vão enfrentar um leilão com demanda mais curta do que as distribuidoras estariam dispostas a aceitas. E isso vai se refletir nos preços. Neste leilão, quem colocar preço muito baixo esperando que o ágio compense um valor inicial mais competitivo pode acabar frustrado e com uma conta grande para pagar.
As usinas terão que tomar muito cuidado para não errarem duas vezes em um só leilão.
Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com