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O que pensam as usinas sobre um mercado especial para os pequenos produtores

BiodieselBR.com levantou as opiniões dos fabricantes a respeito da ideia de criar uma reserva de 10% do volume dos leilões para usinas de pequeno porte.
BiodieselBR.com 5 min de leitura

Há pouco menos de um mês BiodieselBR.com revelou, com exclusividade, que o Ministério de Minas e Energia (MME) vem analisando a criação de uma reserva equivalente a 10% do volume negociado nos leilões de biodiesel exclusiva para usinas de pequeno porte. A proposta não é exatamente nova e sempre dividiu opiniões. Foi por isso que a reportagem decidiu sondar o setor para ter uma noção mais clara sobre quem está em cada lado nessa trincheira.

Há pouco menos de um mês BiodieselBR.com revelou, com exclusividade, que o Ministério de Minas e Energia (MME) vem analisando a criação de uma reserva equivalente a 10% do volume negociado nos leilões de biodiesel exclusiva para usinas de pequeno porte. A proposta não é exatamente nova e sempre dividiu opiniões. Foi por isso que a reportagem decidiu sondar o setor para ter uma noção mais clara sobre quem está em cada lado nessa trincheira.Ao longo da semana passada, foram encaminhados questionários para executivos representantes de usinas de biodiesel que participaram ativamente de leilões ao longo dos últimos dois anos. Esse recorte inclui 31 grupos econômicos que detêm o controle de 40 unidades produtivas um total de 7,05 bilhões de litros em capacidade instalada – aproximadamente 94,4% da capacidade produtiva Brasileira atual.

Todos os contatos foram realizados e as respostas concedidas sob a condição de que as informações coletadas seriam mantidas sob o mais estrito sigilo.

Dos grupos empresariais contatados por BiodieselBR.com, 22 deram retorno no prazo exigido. As respostas representam unidades produtivas que totalizam pouco mais de 4,61 bilhões de litros de biodiesel.

Divisão

EnqueteReserva TABELA 210317
Dos executivos que responderam à enquete, 12 trabalham para grupos empresarias que controlam usinas de porte menor enquanto os outros 10 atuam em grupos com usinas grandes que poderiam perder parte do mercado em função da medida.

Essa é, exatamente, a proporção entre as respostas positivas e negativas à pergunta sobre se a reservas deveria ser adotada ao não. Enquanto a maioria – 12 – se mostrou simpática à iniciativa, 10 repudiam a sugestões. Não quer dizer que a correlação entre porte e posicionamento seja absoluta. Temos pelo menos uma usina de grande porte que defende a reserva e uma das pequenas que se coloca contra a ideia.

Essa situação de relativa igualdade fica para trás quando as respostas são cruzadas com a capacidade de produção de biodiesel das usinas. Se somada a capacidade de todas as usinas que são contrárias à etapa para as pequenas usinas temos mais de 3,6 bilhões de litros. Enquanto as usinas favoráveis à nova etapa somam um pouco mais de 900 milhões de litros. Assim, em termos de capacidade produtiva, o ‘não’ tem um volume quase 4 vezes maior.

Linha

Para traçar a linha separando usinas grandes e pequenas, BiodieselBR.com adotou a mediana entre as capacidades de todas as plantas ativas. Isso dá aproximadamente 133 milhões de litros de biodiesel ao ano. É o mesmo critério adotada pela Associação das Pequenas Usinas de Biodiesel (Apub) – organização criada por usinas de pequeno porte que tem como uma de suas principais bandeiras a reserva de uma parcela do mercado.

Essa linha também foi alvo de um questionamento em nossa enquete. Nesse caso recebemos 12 respostas. Sete delas consideram a divisão adequada, ou como afirmou um dos executivos contatados “é razoável em se pensando o tamanho das [usinas] que existem no mercado”. Enquanto as outras cinco indicam que esse teto é bastante elevado. Em alguns casos, demonstrando até exasperação. “Considerar uma usina com quase 400 mil litros [de capacidade diária] ‘pequena’ só pode ser brincadeira”, ironizou um dos entrevistados.

Outros apontam para um limite bem mais baixo. “Acho que uma usina [pequena] teria, no máximo, 50 mil m³”, afirmou um dos executivos contatados.

Um deles apresentou o seguinte raciocínio para explicar porque essas usinas não são pequenas empresas: “Classifico como uma pequena usina, aquela que produz menos que 50.000 m³ anuais. Explicando: pelas diferentes densidades, 50.000 m³ de biodiesel implica em, aproximadamente, 44 mil toneladas de óleo de soja (ou mesmo sebo). No caso de uso de óleo de soja, o volume corresponde a uma moagem próxima a 240.000 toneladas. Convenhamos, mesmo num cenário produtivo de milhões de toneladas, 240.000 toneladas é um volume apreciável de grãos, que implica numa necessidade de geração de caixa anual de R$ 334 milhões sendo soja, ou R$ 100 milhões se optar por adquirir apenas o óleo. Pergunto: Pode ser considerado pequeno quem fatura acima de R$ 100 milhões anualmente? E o perfil proposto, de até 133.000 m³, que gerará, certamente, receitas superiores a R$ 200 milhões.”

Por outro lado, um dos entrevistados até lembrou que cerca de 40% dos participantes do L53 tinha capacidade abaixo dos 133 milhões de litros. “Gerar benefício para uma fatia considerável do mercado em detrimento de outros seria desleal”, considera acrescentando que traçar uma linha poderia criar uma barreira de mercado. “As usinas ficariam reticente em investir em suas usinas pois perderiam os benefícios. Seria um tiro no pé do programa do biodiesel num momento em que se busca capacidade para atender os aumentos de mistura”, completa.

“Todo o mercado vem operando com ociosidade [elevada], independente de sua capacidade, tamanho e origem”, finaliza um terceiro.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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