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MWM testa compatibilidade entre motores e B20

MWMB20 250814Estudo da fabricante de motores MWM mostra pouca diferença no desempenho de motores abastecidos com B20 e com diesel puro.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
O uso do B20 (mistura de 20% biodiesel ao diesel) em veículos automotores produz resultados bastante similares aos do diesel fóssil puro, em termos de consumo de combustível e durabilidade. Com a vantagem de o biodiesel ser menos poluente. Essa é uma das conclusões preliminares de um estudo realizado ao longo de sete anos pela fabricante de motores a diesel MWM International, subsidiária na América do Sul do Grupo Navistar Engine.

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O uso do B20 (mistura de 20% biodiesel ao diesel) em veículos automotores produz resultados bastante similares aos do diesel fóssil puro, em termos de consumo de combustível e durabilidade. Com a vantagem de o biodiesel ser menos poluente. Essa é uma das conclusões preliminares de um estudo realizado ao longo de sete anos pela fabricante de motores a diesel MWM International, subsidiária na América do Sul do Grupo Navistar Engine. 

“O que temos apurado é que existe uma compatibilidade muito grande entre o B20 e o diesel fóssil puro”, afirma Cristian Malevic, gerente da Divisão de Engenharia da MWM. 

Os testes foram iniciados ainda em 2006 e conta com parceiros como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), sistemistas, montadoras, além de universidades e institutos de pesquisas como o Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas (Ladetel). O foco principal consistiu em mensurar qual era o percentual seguro de biodiesel para uso nos motores a diesel. 

“Queríamos entender quais seriam os limites dos produtos que estavam em campo a partir do momento que recebessem o biodiesel. Porque o maior limitante que nós, os fabricantes dos motores enfrentamos é que qualquer alteração no combustível comercial acaba afetando não só os novos produtos, mas os produtos que estão em campo e já foram produzidos até o momento”, explica Malevic. “O maior objetivo foi realmente entender até que nível de biodiesel nós poderíamos seguir, sem que houvesse nenhum prejuízo para as unidades que estão rodando em campo. A favor da sustentabilidade, mas sem onerar o cliente final.”

Metodologia
Para tanto, foram executados testes laboratoriais e de campo, com misturas de biodiesel que variavam em proporções de 5% a 20%, muito embora a maior parte dos testes tenha sido realizada com o B20. “Normalmente, quando se submete um produto ao teste, eleva-se o percentual ou a solicitação sobre o produto para que, quando ele venha ser lançado, se tenha margens de segurança”, esclarece Malevic.

O gerente da MWM diz ainda que, para se obter resultados ainda mais precisos, houve o cuidado por parte da equipe envolvida no projeto de se testar as misturas de biodiesel em veículos de diferentes segmentos: picapes, ônibus, caminhões tratores (os que carregam carretas nas estradas) e os tratores usados no campo.

“Os ônibus urbanos, que pelo nível de consumo, é o principal segmento para combustível alternativo. Nos caminhões tratores, o volume de combustível consumido também é bastante significativo porque rodam por muito tempo, em rotas bem longas”, diz Malevic ao explicar as razões que pautaram tais escolhas. 

O gerente conta que, além dos dois (veículos) com biodiesel, os pesquisadores usaram mais duas unidades abastecidas com combustível sem biodiesel. “Justamente para que [...] nós tivéssemos condições, ao final do teste, de fazer a desmontagem das peças e submetê-las a análise que tivessem a mesma base de comparação”, justifica. 

B100
Os testes também envolveram veículos da linha off road, como tratores. Dos dez veículos testados, um foi abastecido com a mistura pura do biodiesel (B100). “O trator tem uma facilidade para testes com biocombustível porque fica confinado. Fica mais fácil fazer o acompanhamento”, diz Malevic.  

O gerente da MWM destaca ainda que houve a preocupação de se renovar o biocombustível colocado no tanque das unidades testadas. “Mesmo os tratores, que é o veículo que tem uma aplicação mais severa para o biodiesel porque fica muito tempo parado, tivemos o cuidado de trocar, de não deixar o biocombustível no tanque por um período superior a dois meses.” 

Reserva
Apesar das sinalizações positivas para o uso da mistura de biodiesel ao diesel em proporções mais elevadas, Malevic é cauteloso ao recomendar a utilização do B20. “Qualquer iniciativa tenha o intuito de aumentar o percentual de biodiesel nas bombas tem que ser cuidadosa tratada, porque você tem uma frota circulante, com diferentes níveis tecnológicos”, pondera. 

Para o gerente da MWM, não se pode pegar os resultados obtidos em testes e, automaticamente, estendê-los para a bomba. “Se eu colocar um B20 na bomba e distribuir numa região que não seja metropolitana, provavelmente teríamos problemas em função do giro de diesel na bomba, do tempo que as unidades ficam paradas”, acredita Malevic. “A gente não pode concluir que 20% de biodiesel é OK. Precisamos entender, a partir desse teste, o que precisa ser alterado na distribuição, no armazenamento para se aumentar os níveis de biodiesel”, defende.

De acordo com o gerente, a fabricante continuará investindo em pesquisa com combustíveis alternativos, bem como dando um grande suporte em iniciativas de renovação de frota. “Acaba não sendo ligado diretamente ao biodiesel, mas vem ao encontro da sustentabilidade. Pouco importa você pôr 5% ou 7% de biodiesel quando o caminhão que tem 30 anos de vida, por exemplo”, argumenta. 

Cátia Franco – BiodieselBR.com 
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