Está tudo pronto para a chegada do B10. Essa parece ser a conclusão mais importante na reunião acontecida na tarde dessa segunda-feira (19) para nivelar as informações dentro do Grupo de Trabalho (GT) que está coordenando os ensaios de motores exigidos pelo governo para assegurar que os aumentos na mistura obrigatória de biodiesel não terão efeitos negativos inesperados. O encontro foi realizado na sede do Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília, com participantes colaborando – por videoconferência – a partir do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Está tudo pronto para a chegada do B10. Essa parece ser a conclusão mais importante na reunião acontecida na tarde dessa segunda-feira (19) para nivelar as informações dentro do Grupo de Trabalho (GT) que está coordenando os ensaios de motores exigidos pelo governo para assegurar que os aumentos na mistura obrigatória de biodiesel não terão efeitos negativos inesperados. O encontro foi realizado na sede do Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília, com participantes colaborando – por videoconferência – a partir do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Ontem, era o limite para que todas as partes responsáveis por cada um dos ensaios previstos nessa primeira rodada de testes – que tem como foco o B10 – apresentassem as fichas de acompanhamento descrevendo os resultados preliminares obtidos. Embora os relatórios finais de cada ensaio só precisem ser entregues ao MME em 15 de março, a sensação é que não há maiores empecilhos no caminho do aumento da mistura obrigatória que está marcado para os próximos dias – a partir de 01 de março.
Dos 51 ensaios que constavam da programação aprovada pelo GT em abril do ano passado, 28 tinham o B10 entre seus alvos. São esses que precisarão apresentar seus resultados agora. Os testes envolvendo B15 e B20 ainda têm mais um ano de prazo.
O MME espera apresentar um resumo preliminar dos resultados desta primeira rodada no evento que deverá acontecer em 27 de março. Já o relatório final com todos os dados devidamente consolidados só deve ficar pronto em abril.
Sinal verde
Mesmo sem os números definitivos em mãos, o clima é de confiança. “[As montadoras e fabricantes de autopeças] estão 100% confiantes”, informou à BiodieselBR.com uma fonte próxima ao assunto.
A impressão de que tudo está andando dentro dos conformes é corroborada pelo superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Julio Minelli. “Não teve nada de extraordinário em relação ao esperado”.
“Até o momento, os testes já concluídos não apresentaram problemas”, resume o gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Amaral, acrescentando que sua entidade está confiante no bom desempenho da mistura. “Até porque o B10 já é realidade em outros países”, prossegue.
“Os testes mostraram que a antecipação do B10 foi uma decisão acertada não só do ponto de vista da produção, já que reduziu a ociosidade da indústria, mas também na questão tecnológica, pois os motores estão preparados para esse percentual de biodiesel” explica Donizete Tokarski, diretor superintendente da Ubrabio
Estabilidade
A estabilidade oxidativa das misturas entre diesel e biodiesel foi outro tema que atraiu bastante atenção no encontro. Embora o tema não caiba sob o guarda-chuva dos ensaios de motores exigidos pela Lei 13.263/2016, os atores envolvidos em ambos os casos são praticamente os mesmos com o GT servindo como um fórum extraoficial também para essa questão.
Cerca de um mês atrás, a ANP abriu uma consulta pública para revisar a Resolução 30/2016. A principal mudança proposta é flexibilizar as exigências relacionadas à estabilidade oxidativa em misturas entre diesel e biodiesel maiores do que a obrigatória – o atual limite mínimo de 20h seria abolido e, no lugar, seria preciso só informar o resultado. Segundo a agência reguladora, tem se mostrado difícil atender à norma mesmo em casos onde o diesel e biodiesel puros usados cumprem os parâmetros de qualidade exigidos.
Distribuidores e montadoras até topam a mudança, desde que ela seja temporária.
Uma solução já começou a tomar forma. A ANP deve coordenar um grupo específico para que deverá mapear a estabilidade oxidativa do diesel puro, do biodiesel puro e das misturas em diversos pontos do país. “Temos que acabar com o ‘achismo’ nessa questão para determinar onde está o problema e encontrar o melhor ponto de equilíbrio para a cadeia”, diz uma fonte do MME.
Esses resultados serão, então, usados para subsidiar eventuais processos de revisão nas especificações relevantes. A ideia é chegar num limite mínimo que garanta a qualidade necessária ao mesmo tempo em que evita custos adicionais à cadeia.
“A ANP vai coordenar esse novo esforço”, explica Minelli acrescentando que a primeira reunião desse grupo – que vai acertar um cronograma de trabalhos – ainda está por ser marcada.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com