


Em dezembro passado, BiodieselBR.com noticiou em primeira-mão a existência de um projeto da equipe do Laboratório de Micro-ondas do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) que prometia tornar o processo de produção de biodiesel muito mais eficiente. Agora, essa iniciativa teve seus méritos reconhecidos pelo Prêmio CRQ-IV, do Conselho Regional de Química.
A cerimônia de premiação ocorrerá em setembro.
O aumento do rendimento e da velocidade nas reações químicas envolvidas no processo de transesterificação são as principais inovações trazidas pela iniciativa.
O coordenador do projeto, professor Luiz Alberto Jermolovicius, explicou à BiodieselBR.com que, ao usar as micro-ondas como fonte de aquecimento, é possível obter um tempo de reação 50% menor que o verificado no método convencional (que usa aquecimento elétrico). “No caso das micro-ondas, dois campos atuam no aquecimento: o campo elétrico e o magnético”, explica o professor. “O magnético, além de aquecer, incide sobre os átomos, promovendo o desemparelhamento das moléculas. Com isso, elas passam a se comportar de forma diferente, buscando outros caminhos, mais rápidos, para fazer a reação”, explica.
Jermolovicius observa ainda que as micro-ondas promovem um aquecimento mais homogêneo da massa. “As micro-ondas ficam circulando no ar. Ao encontrar a substância e penetrá-la, esquentam de forma a promover um aquecimento mais uniforme. Isso ajuda a melhorar os processos químicos e, consequentemente, a velocidade da reação.”
A aplicação de um catalisador ácido, invés de um de base alcalina como é comum na indústria de biodiesel, também foi decisiva para se acelerar o tempo das reações. Testes realizados pelo grupo da Mauá mostram que num processo em batelada de transesterificação ácida com o uso de micro-ondas o tempo de reação foi de 7,5 minutos, enquanto no mesmo processo, só que com transesterificação alcalina e uso de aquecimento elétrico, o tempo foi de 15 minutos – o dobro.
Rendimento
O uso das micro-ondas impacta também significativamente no rendimento do processo. Experimentos realizados pelo IMT revelam que, no processo tradicional, o rendimento fica entre 57, 3% e 61,4%. Já no aquecimento por micro-ondas, com catálise ácida, mostrou-se, na média, maior que 99%.
Para descartar a possibilidade de que o ácido estaria influindo no resultado, os pesquisadores fizeram testes pelo método convencional de aquecimento também aplicando um catalisador ácido. O rendimento máximo obtido foi de 63,6% – índice muito próximo ao obtido com a catálise alcalina.
Custo
No momento, os pesquisadores do IMT estão desenvolvendo o primeiro protótipo do reator químico – produto que será futuramente disponibilizado à comercialização. “Se houver alguém do setor de biodiesel interessado em patrocinar o protótipo, estamos abertos”, avisa Jermolovicius. O professor estima que, para uma planta piloto que consuma entre 18 e 24 Kilowatts, o custo para implementação dessa tecnologia deva girar em torno de R$ 300 mil a R$ 400 mil.
Questionado sobre a incidência do uso das micro-ondas no consumo de energia, Jermolovicius reconhece que é maior que no método convencional. “Mas como as reações ocorrem em menor tempo, na equação final acaba sendo mais vantajoso”, garante.
Cátia Franco – BiodieselBR.com