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Pesquisa brasileira quer tornar óleo de soja melhor para biodiesel

Estudo financiado pela Fapesp quer modificar composição química do óleo de soja para aumentar a quantidade de cetanos no biodiesel.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
“O ácido oleico produz um biodiesel com uma ‘cetanagem’ melhor o que é bom para os motores”, explica à BiodieselBR.com a professora da Universidade Santa Cecília e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas em Alimentos da Unicamp Regina Helena Geribello Priolli que, nos últimos oito anos, vem liderando um projeto de pesquisa que tem como meta principal aumentar a concentração desse composto no óleo de soja. O esforço é financiado com recursos do Programa de Pesquisa em Bioenergia (Bioen) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“O ácido oleico produz um biodiesel com uma ‘cetanagem’ melhor o que é bom para os motores”, explica à BiodieselBR.com a professora da Universidade Santa Cecília e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas em Alimentos da Unicamp Regina Helena Geribello Priolli que, nos últimos oito anos, vem liderando um projeto de pesquisa que tem como meta principal aumentar a concentração desse composto no óleo de soja. O esforço é financiado com recursos do Programa de Pesquisa em Bioenergia (Bioen) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O número de cetano é um dos principais indicadores de qualidade do óleo diesel. Quanto maior o seu valor, mais rápida e completa tende a ser a queima do combustível injetado dentro dos cilindros o que melhora a performance do motor. Um biodiesel de alta cetanagem, portanto, pode representar um salto importante.

Em média, o ácido oleico representa 23% do volume de ácidos graxos encontrados no óleo de soja. Os demais são: ácido palmítico (11%), ácido esteárico (4%), ácido linoleico (54%) e o ácido linolênico (8%). “Por meio de melhoramento genético poderíamos, por exemplo, diminuir o teor de ácido palmítico e aumentar o de ácido oleico”, garante a agrônoma.

O esforço da pesquisadora é criar um mapa mais preciso dos genes que são responsáveis pelo perfil químico do óleo de soja. “Dessa forma podemos promover um melhoramento das cultivares de soja mais rápido e eficiente ao selecionando variedades que tenham um potencial genético para acumulares mais ácido oleico”, diz Regina Helena.

Nova metodologia

Inicialmente, o grupo liderado pela professora trabalhou identificando esses marcadores genéticos por uma metodologia chamada de ‘microssatelites’ e, mais recentemente, vem migrando para um método chamada genome-wide association studies (GWAS) que trabalha com o genoma inteiro.

“Estamos usando esse sistema mais moderno para identificar nossos marcadores desde o ano passado. Como teremos um mapa mais preciso que o anterior nosso trabalho [no melhoramento da soja] será mais consistente e potente”, entusiasma-se. Com esse mapa em mãos será possível realizar esforços de melhoramento da soja – seja pela rota convencional seja usando engenharia genética – por uma fração do custo e do tempo que demoraria.

Proteína

Além de mapear os genes relacionados ao perfil do óleo de soja. A equipe de Regina Helena também vem dedicando também sua atenção às proteínas da soja com o objetivo encontrar uma rota para superar um impasse: a relação negativa entre o teor de óleo e de proteínas no grão.

Embora aumentar o teor de óleo da soja seja possível, isso só poderia ser feito reduzindo a quantidade de proteína algo impensável pelo paradigma atual do mercado. Hoje, a soja possui um teor de óleo que gira em torno dos 18% – uma tonelada de grão rende por volta de 180 kg de óleo e 820 kg de farelo. Isso faz com que todo a cadeia de soja responda muito mais às necessidades do mercado de farelo do que ao de óleo.

“Nossa intenção é ver quais são os marcadores genéticos associados entre a produção de proteína e de óleo para mapear essas características”, completa.

Bom para a saúde

Não bastasse ser melhor para os motores, o ácido oleico também é bom para a saúde humana. É justo pela alta concentração da substância – onde chega a representar 84% do total de ácidos graxos – que o azeite de oliva tem fama de ser o melhor óleo para consumo humano.

Também chamado de ômega 9, esse ácido graxo é conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e capacidade de reduzir o colesterol ruim (LDL).

Foi um benefício adicional muito bem-vindo. “De fato, o projeto foi desenvolvimento pensando no biodiesel, mas como, coincidentemente, aumentar o ácido oleoico também torna o óleo de soja melhor para o consumo humano que é o destino de uma parte realmente significativa desse produto”, completa.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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