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Mudança do solo não elimina benefício ambiental do uso de biodiesel

Um novo estudo elaborado pela Universidade de Purdue descobriu que as emissões do biodiesel podem ser menor que o estimado.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Trocar o diesel fóssil por biodiesel é vantajoso para o meio ambiente, mesmo depois de devidamente computadas as emissões causadas por eventuais mudanças na ocupação do solo induzidas pela expansão no plantio de oleaginosas. Os resultados – ainda preliminares – desse novo estudo sobre o balanço de carbono na produção do biocombustível foram apresentados num workshop realizando este mês pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Trocar o diesel fóssil por biodiesel é vantajoso para o meio ambiente, mesmo depois de devidamente computadas as emissões causadas por eventuais mudanças na ocupação do solo induzidas pela expansão no plantio de oleaginosas. Os resultados – ainda preliminares – desse novo estudo sobre o balanço de carbono na produção do biocombustível foram apresentados num workshop realizando este mês pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Os novos números estão sendo calculados por cientistas da Universidade de Purdue liderados pelo professor de economia agrícola Wally Tyner. Segundo o pesquisador, o modelo utilizado para fazer as estimativas de emissões usa dados mais recentes sobre a produção agrícola global que tentativas anteriores, tanto em termos de produtividade quanto em informações sobre práticas agrícolas.

“Estamos muito melhor equipados para quantificar o potencial de mudança de solo [induzida pela produção de biodiesel] através da observação do que aconteceu em situações reais”, explicou o cientista. O impacto causado pela mudança de solo chega a ser 70% menor do que o valor assumido em outros modelos.

O grande receio era que a demanda por biocombustíveis estivesse aumentando a pressão para que agricultores ao redor do mundo desmatassem áreas nativas e, com isso, gerando quantidades muito maiores de gases de efeito estufa do que a própria queima de combustíveis fósseis. No entanto, os dados de Tyner indicam que a relação é mais complicada do que seria de se supor. “Em várias regiões do mundo, o aumento da produção veio de um uso mais intensivo da terra do que da abertura de novas áreas. Com isso, as mudanças no uso do solo e as emissões associadas foram menores”, explica.

Carb

No final do ano passado, o Conselho de Recursos Atmosféricos da Califórnia (Carb, na sigla em inglês) publicou o resultado de um estudo de sete anos comparando os níveis de emissões de diferentes tipos fontes de energia usados no setor de transportes. O estudo serviu de referência para o Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono, iniciativa implementada pelo governo do estado norte-americano.    

O biodiesel teve os melhores resultados entre os biocombustíveis analisados. Dependendo do tipo de óleo usado em sua produção ele reduz entre 50% e 81% as emissões na comparação com o diesel fóssil com uma média de 38,4 gramas de gás carbônico equivalente emitidos para cada megajoule de energia gerada.

Alguns tipos de biodiesel – como o feito com óleo de cozinha reciclado (19,9 gCO2e/MJ) e óleo residual de milho (29,7 gCO2e/MJ) – chegam a ter performance melhor do que a própria energia elétrica (30,9 gCO2e/MJ).

Os dados da equipe de Tyner sinalizam que os números reais podem ser ainda mais baixos que os obtidos pela Carb.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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