Há pouco mais de uma semana, o setor de biodiesel ganhou um bem-vindo reforço para fazer avançar seus pleitos no tabuleiro do jogo político. No domingo (27), a presidente Dilma Roussef esteve em Nova York onde apresentou ao Plenário das Nações Unidas um resumo da Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC, na sigla em inglês) – o documento que servirá como ponto de partida para a posição Brasileira nas negociações de um novo acordo global sobre o clima durante a 21ª Conferência das Partes (COP 21) que acontecerá em Paris a partir do final de novembro. O documento inclui o biodiesel dentro da estratégia oficial do Brasil de enfrentamento das mudanças climáticas.
Há pouco mais de uma semana, o setor de biodiesel ganhou um bem-vindo reforço para fazer avançar seus pleitos no tabuleiro do jogo político. No domingo (27), a presidente Dilma Roussef esteve em Nova York onde apresentou ao Plenário das Nações Unidas um resumo da Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC, na sigla em inglês) – o documento que servirá como ponto de partida para a posição Brasileira nas negociações de um novo acordo global sobre o clima durante a 21ª Conferência das Partes (COP 21) que acontecerá em Paris a partir do final de novembro. O documento inclui o biodiesel dentro da estratégia oficial do Brasil de enfrentamento das mudanças climáticas.
De um modo mais geral, a anúncio agradou mais pelo compromisso do governo Brasileiro adotar uma meta absoluta em si mesmo do que pela ambição dos números.
Desde a consolidação do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas os países ricos ficaram obrigados a assumir a maior parte do esforço no combate às emissões de gases do efeito estufa (GEEs) enquanto os países em desenvolvimento poderiam assumir apenas metas voluntárias. Em seu iNDC, o Brasil foi a primeira das grandes economias emergentes a assumir metas absolutas – o país pretende chegar a 2030 emitindo 43% menos GEEs em relação aos níveis de 2005.
Os números da proposta, no entanto, não chegaram a impressionar tanto assim. Em matéria na Folha de S.Paulo, Marcelo Leite calcula que cumprir as metas estabelecidas pelo governo exigiriam pouquíssimo esforço adicional simplesmente porque o ano base escolhido pelo governo – 2005 – foi justamente um dos piores da história brasileira em termos de emissões.
Bioenergia
Ainda assim, a novidade movimentou a indústria de bioenergia pelo de haver metas para o segmento.
A bem da verdade, a menção só vem no anexo de “Informação Adicional da iNDC”. Nele, o país se compromete a aumentar a participação de “bioenergia sustentável” na matriz energética brasileira até 18% até 2030. O documento fala em aumentos tanto na oferta de etanol – convencional e de 2ª geração – quanto na “parcela de biodiesel na mistura do diesel”. Contudo, o texto não assume nenhuma meta mais clara. A única pista do que o governo poderia estar pensando a esse respeito foi dada no discurso da presidente Dilma que fala que o etanol e demais derivados da cana-de-açúcar teriam 16% da matriz energética brasileira.
Restariam 2% para o biodiesel e outras fontes de bioenergia. Mas, mesmo essa, é uma meta em aberto.
Segundo o diretor de combustíveis renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, o compromisso de redução das emissões contido no iNDC não está vinculado a soluções tecnológicas específicas “Você pode chegar [no compromisso] por diversas vias. Os meios para atingirmos essa meta [de 18% para bioenergia] serão manobrados em função das condições econômicas mais adequadas”, reconhece.
Observando a performance nos últimos anos, não será necessário manobrar muito as metas para fazer o plano funcionar. De acordo com a edição mais recente do Balanço Energético Nacional, nos últimos 10 anos etanol e da bioeletricidade da cana tiveram uma média de participação na matriz energética brasileira de 16%. Some a isso os 1,3% que o biodiesel deverá representar esse ano segundo as contas da Empresa de Pesquisa Energética e já temos confortáveis 17,3% da meta cumprida. E isso sem nem incluir outros energéticos como biometano, bioquerosene ou pellets. Estamos falando mais de uma manutenção do que de uma expansão propriamente dita.
Contudo se o governo for cumprir o que escreveu e aumentar o uso de biodiesel de B7 par B10, o percentual do biodiesel na matriz energética sobe de 1,3% para 1,9%. Se contados os valores decimais para o biodiesel e etanol, a meta seria cumprida só com esse aumento. Por outro lado, essa meta indica também que o governo ou está prevendo uma diminuição na participação do etanol, ou não quis se comprometer com o B20. Já que com esse percentual de mistura no diesel a participação do biodiesel na matriz seria de 3,8% aproximadamente.
Dornelles aponta que, em certa medida, ao sinalizar que os renováveis vão, no mínimo, manter sua participação de 45% na matriz energética do país já sinaliza para um crescimento importante nos renováveis. O fator que deverá puxar o avanço é a retomada do crescimento da economia brasileira depois de superada a atual turbulência. “Vamos ter que crescer para acompanhar o crescimento orgânico e também para suprir uma possível demanda maior”, diz.
Embora reconheça que a proposta para a COP 21 não tenha sido deliberada na Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel (Ceib), o coordenador do organismo, Rodrigo Rodrigues, lembra que na recente progressão da mistura obrigatória ocorrida no ano passado – do B5 para o B7 – as vantagens do biodiesel no que concerne às emissões de gás carbônico entraram na conta que deu viabilidade à medida. “Os benefícios ambientais do biodiesel constituíram um dos fatores a recomendar a medida, com respaldo do MMA”, finaliza.
A íntegra do texto apresentado pelo Itamaraty pode ser acessada clicando aqui.
Atualização 12h10 - Parte da fala de Ricardo Dornelles foi modificada para deixar seu sentido mais claro.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Há pouco mais de uma semana, o setor de biodiesel ganhou um bem-vindo reforço para fazer avançar seus pleitos no tabuleiro do jogo político. No domingo (27), a presidente Dilma Roussef esteve em Nova York onde apresentou ao Plenário das Nações Unidas um resumo da Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC, na sigla em inglês) – o documento que servirá como ponto de partida para a posição Brasileira nas negociações de um novo acordo global sobre o clima durante a 21ª Conferência das Partes (COP 21) que acontecerá em Paris a partir do final de novembro. O documento inclui o biodiesel dentro da estratégia oficial do Brasil de enfrentamento das mudanças climáticas.
De um modo mais geral, a anúncio agradou mais pelo compromisso do governo Brasileiro adotar uma meta absoluta em si mesmo do que pela ambição dos números.
Desde a consolidação do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas os países ricos ficaram obrigados a assumir a maior parte do esforço no combate às emissões de gases do efeito estufa (GEEs) enquanto os países em desenvolvimento poderiam assumir apenas metas voluntárias. Em seu iNDC, o Brasil foi a primeira das grandes economias emergentes a assumir metas absolutas – o país pretende chegar a 2030 emitindo 43% menos GEEs em relação aos níveis de 2005.
Os números da proposta, no entanto, não chegaram a impressionar tanto assim. Em matéria na Folha de S.Paulo, Marcelo Leite calcula que cumprir as metas estabelecidas pelo governo exigiriam pouquíssimo esforço adicional simplesmente porque o ano base escolhido pelo governo – 2005 – foi justamente um dos piores da história brasileira em termos de emissões.
Bioenergia
Ainda assim, a novidade movimentou a indústria de bioenergia pelo de haver metas para o segmento.
A bem da verdade, a menção só vem no anexo de “Informação Adicional da iNDC”. Nele, o país se compromete a aumentar a participação de “bioenergia sustentável” na matriz energética brasileira até 18% até 2030. O documento fala em aumentos tanto na oferta de etanol – convencional e de 2ª geração – quanto na “parcela de biodiesel na mistura do diesel”. Contudo, o texto não assume nenhuma meta mais clara. A única pista do que o governo poderia estar pensando a esse respeito foi dada no discurso da presidente Dilma que fala que o etanol e demais derivados da cana-de-açúcar teriam 16% da matriz energética brasileira.
Restariam 2% para o biodiesel e outras fontes de bioenergia. Mas, mesmo essa, é uma meta em aberto.
Segundo o diretor de combustíveis renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, o compromisso de redução das emissões contido no iNDC não está vinculado a soluções tecnológicas específicas “Você pode chegar [no compromisso] por diversas vias. Os meios para atingirmos essa meta [de 18% para bioenergia] serão manobrados em função das condições econômicas mais adequadas”, reconhece.
Observando a performance nos últimos anos, não será necessário manobrar muito as metas para fazer o plano funcionar. De acordo com a edição mais recente do Balanço Energético Nacional, nos últimos 10 anos etanol e da bioeletricidade da cana tiveram uma média de participação na matriz energética brasileira de 16%. Some a isso os 1,3% que o biodiesel deverá representar esse ano segundo as contas da Empresa de Pesquisa Energética e já temos confortáveis 17,3% da meta cumprida. E isso sem nem incluir outros energéticos como biometano, bioquerosene ou pellets. Estamos falando mais de uma manutenção do que de uma expansão propriamente dita.
Contudo se o governo for cumprir o que escreveu e aumentar o uso de biodiesel de B7 par B10, o percentual do biodiesel na matriz energética sobe de 1,3% para 1,9%. Se contados os valores decimais para o biodiesel e etanol, a meta seria cumprida só com esse aumento. Por outro lado, essa meta indica também que o governo ou está prevendo uma diminuição na participação do etanol, ou não quis se comprometer com o B20. Já que com esse percentual de mistura no diesel a participação do biodiesel na matriz seria de 3,8% aproximadamente.
Dornelles aponta que, em certa medida, ao sinalizar que os renováveis vão, no mínimo, manter sua participação de 45% na matriz energética do país já sinaliza para um crescimento importante nos renováveis. O fator que deverá puxar o avanço é a retomada do crescimento da economia brasileira depois de superada a atual turbulência. “Vamos ter que crescer para acompanhar o crescimento orgânico e também para suprir uma possível demanda maior”, diz.
Embora reconheça que a proposta para a COP 21 não tenha sido deliberada na Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel (Ceib), o coordenador do organismo, Rodrigo Rodrigues, lembra que na recente progressão da mistura obrigatória ocorrida no ano passado – do B5 para o B7 – as vantagens do biodiesel no que concerne às emissões de gás carbônico entraram na conta que deu viabilidade à medida. “Os benefícios ambientais do biodiesel constituíram um dos fatores a recomendar a medida, com respaldo do MMA”, finaliza.
A íntegra do texto apresentado pelo Itamaraty pode ser acessada clicando aqui.
Atualização 12h10 - Parte da fala de Ricardo Dornelles foi modificada para deixar seu sentido mais claro.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com