PUBLICIDADE
padrao padrao
Cidades

São Paulo acelera eletrificação e América Latina chega a 10 mil ônibus elétricos


Veja - 12 ago 2026 - 11:53

Cidades da América Latina atingiram a marca de 10 mil ônibus elétricos em operação, segundo dados consolidados pelo E-Bus Radar e divulgados pelo C40 Cities e pelo International Council on Clean Transportation (ICCT).

A frota está espalhada por mais de 80 cidades de 13 países e, em conjunto, evita a emissão estimada de 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano.

O levantamento mostra a expansão da eletrificação do transporte coletivo na região, em um movimento que substitui gradualmente ônibus movidos a diesel por veículos de emissão zero no local de operação. Santiago, São Paulo e Bogotá concentram mais de 7 mil dos ônibus elétricos em circulação.

São Paulo tem a segunda maior frota elétrica da América Latina, atrás de Santiago.

A capital paulista chegou a 1. 759 veículos em junho, quando incorporou 500 ônibus elétricos de uma só vez, segundo os dados apresentados pela prefeitura e divulgados pelo C40 e pelo ICCT.

São Paulo reduz consumo de diesel

Dos 1. 759 veículos elétricos da capital, 1. 570 são ônibus movidos exclusivamente a bateria e 189 são trólebus. De acordo com os dados divulgados pelo Com40 Cities, a frota evita aproximadamente 130 mil toneladas de CO₂ por ano e reduz o consumo anual de diesel em cerca de 57 milhões de litros.

A prefeitura também estabeleceu uma regra para acelerar a substituição dos veículos a combustão.

Ônibus que chegam ao fim da vida útil não podem ser substituídos por novos veículos a diesel, o que cria uma migração gradual para tecnologias de baixa ou zero emissão.

O sistema municipal de transporte coletivo de São Paulo atende mais de 7 milhões de passageiros por dia. A escala da operação torna a substituição dos ônibus a diesel uma das principais frentes de redução de emissões no transporte urbano da cidade.

Investimento chega a R$ 6,5 bilhões

A eletrificação, porém, exige investimentos que vão além da compra dos veículos. As cidades precisam instalar carregadores, adaptar garagens e ampliar ou adequar a infraestrutura elétrica.

Em São Paulo, o programa de eletrificação foi estruturado com investimentos estimados em R$ 6,5 bilhões, combinando recursos nacionais e internacionais. Segundo o Com40, participam da estruturação financeira instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O modelo paulista é apresentado pelo Com40 e pelo ICCT como uma alternativa para outras cidades, ao combinar regras para renovação da frota com mecanismos de financiamento.

Desde 2019, as duas organizações, por meio da parceria ZEBRA, trabalham com municípios latino-americanos para estruturar projetos e aproximar governos, instituições financeiras e fabricantes.

A lógica é reduzir o peso do investimento inicial para as administrações municipais e viabilizar compras em maior escala.

Eletrificação avança em outras capitais

A expansão da tecnologia também ocorre em outras cidades brasileiras. Salvador, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro têm projetos de eletrificação do transporte coletivo em diferentes estágios.

Em Recife, o governo federal destinou R$ 319 milhões para a compra de 100 ônibus elétricos e da infraestrutura de recarga para a Região Metropolitana.

Segundo o programa Brasil Mutirão, ligado ao C40 e ao Pacto Global de Prefeitos, o projeto contou com apoio técnico para a revisão dos termos de aquisição, a modelagem econômica e a definição das rotas que receberão os veículos.

Em Belo Horizonte, o foco está na infraestrutura necessária para a operação dos primeiros ônibus elétricos da cidade. O projeto prevê a instalação e o comissionamento de 27 carregadores nas garagens e permitirá a operação de aproximadamente 100 veículos. O investimento é financiado pelo Novo PAC.

No Rio de Janeiro, o trabalho está concentrado na preparação dos terminais do sistema municipal para receber futuros ônibus elétricos. Entre as medidas estão estudos sobre infraestrutura de recarga, modelagem econômica e financeira e estruturação dos projetos.

Em Salvador, o programa apoia um projeto para eletrificar pelo menos metade da frota do BRT.

Transporte público entra na transição energética

A marca de 10 mil ônibus mostra que a eletrificação do transporte coletivo deixou de ser restrita a projetos-piloto e passou a integrar políticas públicas de diferentes cidades latino-americanas.

O avanço, segundo C40 e ICCT, depende da combinação entre regras de renovação das frotas, financiamento e infraestrutura.

Como os ônibus urbanos percorrem trajetos definidos e normalmente retornam às garagens, a instalação de pontos de recarga pode ser concentrada em locais específicos, uma característica que favorece a eletrificação do segmento.

O desafio agora é ampliar essa infraestrutura e encontrar modelos de financiamento capazes de levar a tecnologia a um número maior de cidades.

Para além da redução das emissões de carbono, a substituição dos ônibus a diesel também pode reduzir a poluição do ar nas áreas urbanas, aproximando a eletrificação do transporte das políticas de saúde e qualidade ambiental

Ernesto Neves – Veja