Colheita de soja do Brasil no ciclo 2023/24 não foi tão volumosa quanto as estimativas iniciais
O ímpeto dos exportadores brasileiros de soja parece estar perdendo força. Em maio, os embarques da commodity somaram um pouco mais que 13,4 milhões de toneladas. Esse volume representa um recuo substancial de 13,7% em relação ao que havia sido registrado no mesmo período de 2023. Um mês antes, as exportações apresentaram expansão de 2,8%.
O ímpeto dos exportadores brasileiros de soja parece estar perdendo força. Em maio, os embarques da commodity somaram um pouco mais que 13,4 milhões de toneladas. Esse volume representa um recuo substancial de 13,7% em relação ao que havia sido registrado no mesmo período de 2023. Um mês antes, as exportações apresentaram expansão de 2,8%.
Essa desaceleração já era esperada pelo mercado, uma vez que a colheita deste ano não foi tão volumosa quanto as primeiras projeções apontavam. Dados compilados por BiodieselBR.com a partir das estimativas divulgadas por 14 fontes que publicam periodicamente estimativas sobre a produção brasileira de soja indicam que o agro brasileiro deverá colocar 149,3 milhões de toneladas do grão no mercado este ano.
Embora esse não seja necessariamente um resultado ruim – ainda seria a segunda maior colheita da história, atrás só dos 154,6 milhões da safra 2022/23 –, ele está muito aquém dos 163,1 milhões de toneladas que o mercado esperava no auge do otimismo em setembro do ano passado.
Os números caíram à medida que se contabilizaram os impactos do clima desfavorável no começo do ano sobre a produção nacional. E, mais recentemente, as perdas geradas pelas violentas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, que – nas últimas cinco safras – foi o quarto principal produtor de soja do país.
Além da queda na produção, o aumento da mistura de biodiesel – com a adoção do B14 em março – contribui para que uma parcela maior da soja brasileira permaneça no mercado doméstico, reduzindo a disponibilidade do grão para exportação. Pelas contas da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), os embarques do grão devem encerrar o ano 4% abaixo do volume recorde registrado no ano passado.
Descendente Antecipada
A desaceleração de maio fez com que as exportações de soja desacelerassem com um mês de antecedência. Nos últimos 5 anos, a quantidade de soja embarcada ficou praticamente estável nos meses de abril e maio, entrando para a parte descendente da curva sazonal só a partir de junho.
Se repetir a média das últimas cinco temporadas – na qual as exportações de janeiro a maio representaram 51,9% do total anual –, as 50,2 milhões de toneladas que saíram do país desde o começo do ano permitem estimar o total em cerca de 96,8 milhões de toneladas – quase exatamente um milhão de toneladas a menos do que a projeção mais recente da Abiove.
Faturamento
Até este momento, as vendas de soja renderam cerca de US$ 21,8 bilhões à economia brasileira este ano. Desse total, US$ 5,77 bilhões entraram apenas nesse último mês, o que – convertido pela taxa de câmbio média – rendeu cerca de R$ 29,6 bilhões aos exportadores.
Depois de terem levado um tombo e tanto logo no começo do ano, as cotações da soja em dólares têm se sustentado nos últimos meses. De março até agora, os preços do grão se valorizaram um pouco mais de 0,8%.
A China foi o principal comprador de soja brasileira no período, sendo responsável por absorver perto de 75% do volume total. Isso custou aos compradores chineses US$ 4,31 bilhões.
O porto de Santos foi a maior porta de saída do grão. Em maio de 2024, mais de 36% do total exportado saiu do país pelo porto paulista.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com