Apesar dos sinais positivos nas negociações entre EUA e China, a sojicultura brasileira continua abastecendo boa parte da demandas chinesa
A despeito da aparente melhoria nas relações comerciais entre Estados Unidos e China, o Brasil seguiu exportando volumes extraordinários de soja em grão nos primeiros meses de 2019. De acordo com dados da balança comercial divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), entre janeiro e março cerca de 17,3 milhões de toneladas do grão saíram do país. Sendo que 13,3 milhões de toneladas – 77% do total – tiveram a China como destino.
A despeito da aparente melhoria nas relações comerciais entre Estados Unidos e China, o Brasil seguiu exportando volumes extraordinários de soja em grão nos primeiros meses de 2019. De acordo com dados da balança comercial divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), entre janeiro e março cerca de 17,3 milhões de toneladas do grão saíram do país. Sendo que 13,3 milhões de toneladas – 77% do total – tiveram a China como destino.
Esse é – de longe – o maior volume exportado durante um primeiro trimestre no histórico mantido pelo governo brasileiro. Em relação ao ano passado, os embarques cresceram mais de 30,5%.
A aceleração nas vendas externas coloca ainda mais pressão sobre a disponibilidade da soja no mercado interno. A guerra comercial travada entre Washington e Pequim que desviou boa parte da demanda chinesa para o Brasil no ano passado fazendo com que nossas vendas externas atingissem a impressionante marca de 83,6 milhões de toneladas – 22,7% acima de 2017 – acabou, como efeito colateral, ‘secando’ os estoques nacionais do grão.
Pelas contas da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) entramos em 2019 com menos de 2,8 milhões de toneladas de soja à disposição – o menor colchão desde o ano 2000
Quase quebra
Não bastasse tudo isso, graças ao clima pouco favorável na virada do ano que afetou principalmente as plantações no Paraná e Mato Grosso do Sul a safra 2018/19 não foi tão robusta quanto as primeiras projeções apontavam.
Embora, algumas consultorias privadas tenham divulgado projeções mais otimistas nas últimas semanas. Ainda assim, a expectativa é de que colheremos uma safra bem menor que a do ano passado; insuficiente para recompor os estoques.
Pelo menos por enquanto, tudo parece indicar que 2019 se encaminha para ser outro ano de oferta apertada. No ano passado, a disputa pela soja com os chineses obrigou os esmagadores brasileiros a amargar margens negativas.
Desaceleração
Mas pode ser que a situação não se torne tão aguda em 2019. Primeiro porque o volume exportado vem se aproximando das médias históricas mês a mês. Em janeiro as exportações superaram a média dos últimos cinco anos em quase 250%; a diferença caiu para cerca de 150% em fevereiro e, em março, para menos de 20%.
A expectativa do mercado é que essa desaceleração continue nos próximos meses. Nessa quarta-feira (03), a Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) atualizou suas projeções para as exportações brasileiras de soja. De 73 milhões de toneladas em janeiro, a previsão caiu para 67 milhões de toneladas.
Ganhos
A renda com as exportações de soja entre janeiro e março de 2019 foram de US$ 6,3 bilhões. O valor é 23,1% maior do que o apurado no mesmo período do ano passado que foi de US$ 5,1 bilhões. A China foi a responsável por US$ 4,8 bilhões desse montante.
Em média, a tonelada de soja exportada no trimestre foi remunerada com US$ 367,80 cerca de 5,7% abaixo dos US$ 386,80 registrados em 2018.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com