Usinas da União Europeia veem capacidade produtiva encolher mesmo com a produção de biodiesel avançando.
“Foi o melhor dos tempos / Foi o pior dos tempos”. A indústria de biodiesel da União Europeia parece estar encarnando à perfeição a abertura de “Um conto de duas cidades” do romancista inglês Charles Dickens. É o que indicam dados sobre a produção e a capacidade instalada da indústria de biodiesel dos 28 países membros da União Europeia recém-divulgados pela Associação Europeia do Biodiesel (EBB, na sigla original).
“Foi o melhor dos tempos / Foi o pior dos tempos”. A indústria de biodiesel da União Europeia parece estar encarnando à perfeição a abertura de “Um conto de duas cidades” do romancista inglês Charles Dickens. É o que indicam dados sobre a produção e a capacidade instalada da indústria de biodiesel dos 28 países membros da União Europeia recém-divulgados pela Associação Europeia do Biodiesel (EBB, na sigla original).
A contradição vem do fato de que a indústria vem, simultaneamente, caminhando em duas direções diametralmente opostas. Por um lado, a produção continua crescente e batendo recordes um atrás do outro. Pelo outro, a capacidade instalada vem caminhando de marcha ré e atingiu seu menor patamar desde 2009.
Segundo as contas da EBB, a produção total dos países europeus se aproximou da marca dos 11,6 milhões de toneladas de biodiesel em 2016. Esse já é o quarto ano seguido em que as usinas europeias bateram seu próprio recorde de produção.
Esses ventos favoráveis começaram a soprar justamente em 2013 – mesmo ano em que a Comissão Europeia passou a impor barreiras tarifárias ao biodiesel da Argentina e da Indonésia. Isso parece sinalizar que a metida foi favorável aos fabricantes europeus.
Marola
A onda que os impulsionou, no entanto, parece estar perdendo força. Em 2013, o crescimento foi de vigorosos 16,8%. Já no ano passado, o avanço foi de mirrados 0,9%.
Essa desaceleração, no entanto, não está afetando todos os países produtores igualmente. Dos 24 países da UE que fabricaram biodiesel no ano passado – Chipre, Eslovênia, Estônia e Luxemburgo não reportaram produção – 8 apresentaram resultados negativos, 4 ficaram estáveis e 11 relataram crescimento.
Percentualmente, a Romênia foi quem se deu melhor com um avanço de 66,3% em apenas um ano. Mas como sua produção é relativamente modesta – foram apenas 163 mil toneladas de biodiesel em 2016 – esse crescimento não chega a representar uma mudança mais profunda no mercado continental.
A Espanha, por outro lado, ampliou sua produção em 251 mil toneladas de 2015 para 2016 – ampliação de 29,3% -- chegando à marca de 1,1 milhão de toneladas fabricadas. Esse foi o melhor resultado anual para as usinas espanholas desde 2010.
A Alemanha manteve seu tradicional posto como líder do bloco em termos de produção de biodiesel com pouco mais de 3 milhões de toneladas de biodiesel fabricados. O crescimento anual foi de 4% e representa um recorde para o país.
Por outro lado, a França – tradicional segundo colocado entre os fabricantes europeus – viu a produção de suas usinas minguar 182 mil toneladas no ano passado e fechar com 1,7 milhões de toneladas fabricadas. Esse é o pior resultado desde 2011.
Menos capacidade
Apesar da produção em crescimento, os países do bloco vêm enfrentando um processo de encolhimento da capacidade produtiva do setor que já está em seu terceiro ano consecutivo.
Em seu auge, no ano de 2013 a capacidade instalada total da UE era de 24,2 milhões de toneladas. No encerramento de 2016, a capacidade havia recuado para 21,2 milhões de toneladas. Uma contração de 12,4%.
O processo de enxugamento do setor se acentuou de 2015 para 2016 quando o bloco perdeu 7,6% ou 1,7 milhão de toneladas de sua capacidade instalada total. A Bulgária, por exemplo, perdeu praticamente um quarto de seu potencial produtivo – de 478 para 356 milhares de toneladas.
Alemanha e Espanha foram os países mais duramente atingidos pela onda de fechamento de usinas perdendo 622 e 868 milhares de toneladas em capacidade produtiva anual.
O lado positivo dessa contração é que a taxa de ocupação da indústria ficou em 54,5% no ano passado. Esse é o melhor resultado para as usinas europeias desde 2007 quando o índice foi de 65,4%.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
“Foi o melhor dos tempos / Foi o pior dos tempos”. A indústria de biodiesel da União Europeia parece estar encarnando à perfeição a abertura de “Um conto de duas cidades” do romancista inglês Charles Dickens. É o que indicam dados sobre a produção e a capacidade instalada da indústria de biodiesel dos 28 países membros da União Europeia recém-divulgados pela Associação Europeia do Biodiesel (EBB, na sigla original).
A contradição vem do fato de que a indústria vem, simultaneamente, caminhando em duas direções diametralmente opostas. Por um lado, a produção continua crescente e batendo recordes um atrás do outro. Pelo outro, a capacidade instalada vem caminhando de marcha ré e atingiu seu menor patamar desde 2009.
Segundo as contas da EBB, a produção total dos países europeus se aproximou da marca dos 11,6 milhões de toneladas de biodiesel em 2016. Esse já é o quarto ano seguido em que as usinas europeias bateram seu próprio recorde de produção.
Esses ventos favoráveis começaram a soprar justamente em 2013 – mesmo ano em que a Comissão Europeia passou a impor barreiras tarifárias ao biodiesel da Argentina e da Indonésia. Isso parece sinalizar que a metida foi favorável aos fabricantes europeus.
Marola
A onda que os impulsionou, no entanto, parece estar perdendo força. Em 2013, o crescimento foi de vigorosos 16,8%. Já no ano passado, o avanço foi de mirrados 0,9%.
Essa desaceleração, no entanto, não está afetando todos os países produtores igualmente. Dos 24 países da UE que fabricaram biodiesel no ano passado – Chipre, Eslovênia, Estônia e Luxemburgo não reportaram produção – 8 apresentaram resultados negativos, 4 ficaram estáveis e 11 relataram crescimento.
Percentualmente, a Romênia foi quem se deu melhor com um avanço de 66,3% em apenas um ano. Mas como sua produção é relativamente modesta – foram apenas 163 mil toneladas de biodiesel em 2016 – esse crescimento não chega a representar uma mudança mais profunda no mercado continental.
A Espanha, por outro lado, ampliou sua produção em 251 mil toneladas de 2015 para 2016 – ampliação de 29,3% -- chegando à marca de 1,1 milhão de toneladas fabricadas. Esse foi o melhor resultado anual para as usinas espanholas desde 2010.
A Alemanha manteve seu tradicional posto como líder do bloco em termos de produção de biodiesel com pouco mais de 3 milhões de toneladas de biodiesel fabricados. O crescimento anual foi de 4% e representa um recorde para o país.
Por outro lado, a França – tradicional segundo colocado entre os fabricantes europeus – viu a produção de suas usinas minguar 182 mil toneladas no ano passado e fechar com 1,7 milhões de toneladas fabricadas. Esse é o pior resultado desde 2011.
Menos capacidade
Apesar da produção em crescimento, os países do bloco vêm enfrentando um processo de encolhimento da capacidade produtiva do setor que já está em seu terceiro ano consecutivo.
Em seu auge, no ano de 2013 a capacidade instalada total da UE era de 24,2 milhões de toneladas. No encerramento de 2016, a capacidade havia recuado para 21,2 milhões de toneladas. Uma contração de 12,4%.
O processo de enxugamento do setor se acentuou de 2015 para 2016 quando o bloco perdeu 7,6% ou 1,7 milhão de toneladas de sua capacidade instalada total. A Bulgária, por exemplo, perdeu praticamente um quarto de seu potencial produtivo – de 478 para 356 milhares de toneladas.
Alemanha e Espanha foram os países mais duramente atingidos pela onda de fechamento de usinas perdendo 622 e 868 milhares de toneladas em capacidade produtiva anual.
O lado positivo dessa contração é que a taxa de ocupação da indústria ficou em 54,5% no ano passado. Esse é o melhor resultado para as usinas europeias desde 2007 quando o índice foi de 65,4%.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com