
A Comissão de Energia do Parlamento Europeu rejeitou uma proposta que pretendia endurecer as exigências ambientais sobre os biocombustíveis.
A Comissão de Energia do Parlamento Europeu rejeitou no final da última semana uma proposta que pretendia endurecer as exigências ambientais que pesam sobre o segmento de biocombustíveis. Há alguns meses, a União Europeia vem debatendo a possibilidade de implementar limites ao consumo de biocombustíveis de primeira geração fabricados a partir de commodities agrícolas.
Contrariando uma tese que vem ganhando força nos últimos meses, o documento votado pelos membros da comissão não impõem limites ao consumo de biocombustíveis de primeira geração e nem obriga à inclusão do fator Iluc (sigla em inglês para “mudanças indiretas no uso do solo”) no balanço de emissões da indústria.
A tese por trás do Iluc é que a demanda por matérias-primas para a produção de biocombustíveis aumenta a pressão sobre lavouras menos rentáveis. Isso as empurraria para áreas de floresta aumentando indiretamente o ritmo do desmatamento.
Ambientalistas querem que as emissões de carbono causadas dessa forma sejam levadas em consideração na hora de calcular o impacto ambiental dos biocombustíveis. Dependendo de como as contas são feitas, alguns passam a ser mais poluentes do que suas contrapartes fósseis o que tem levado a uma pressão para que o consumo destes seja limitado.
Contudo, uma declaração publicada pela comissão diz que a legislação não deveria levar em conta o Iluc em virtude de “consideráveis limitações e incertezas” na forma de calcular as emissões geradas dessa forma. Esse argumento repete uma das principais críticas dos defensores dos biocombustíveis que afirmam que a ciência por trás do Iluc ainda não está madura o bastante ser convertida em política pública.
A European Biodiesel Board, principal órgão representativo da indústria europeia de biodiesel, diz que a adoção de restrições poderia colocar em risco a viabilidade de uma indústria que já fatura € 10 bilhões por ano.
Votações
Já na terça-feira, a Comissão de Transporte e Comércio Internacional votou para que o limite nos biocombustíveis de primeira geração dentro da matriz de energia do setor de transportes fosse de 6,5% – a proposta original era de 5%.
No começo do mês que vem, será a vez da Comissão de Meio Ambiente se manifestar sobre o assunto.
Embora tenham peso no processo de decisão, as votações nas comissões ainda precisarão ser referendadas pela plenária do Parlamento Europeu que deverá votar sobre a questão apenas em setembro.
Contexto
Em 2009, a União Europeia determinou que todos os países-membros teriam até 2020 para que, no mínimo, 10% de toda a energia consumida no setor de transportes viessem de fontes renováveis. Os biocombustíveis se tornaram a pedra fundamental nesse esforço. Contudo, os ventos acabaram mudando e os biocombustíveis passaram a receber críticas pesadas das organizações ambientalistas. A tese é que eles desviam recursos agrícolas que seriam melhor aproveitados na produção de gêneros de primeira necessidade.
Por isso, um projeto da UE recente quer que os biocombustíveis de 1ª geração tenham seu uso limitado a 5% da meta de 10%. Em tese, essa limitação serviria para estimular a indústria a investir mais nos produtos da chamada 2ª geração – fabricados a partir de resíduos vegetais e de culturas não alimentares.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações: The Guardian, Businessgreen
A Comissão de Energia do Parlamento Europeu rejeitou no final da última semana uma proposta que pretendia endurecer as exigências ambientais que pesam sobre o segmento de biocombustíveis. Há alguns meses, a União Europeia vem debatendo a possibilidade de implementar limites ao consumo de biocombustíveis de primeira geração fabricados a partir de commodities agrícolas.
Contrariando uma tese que vem ganhando força nos últimos meses, o documento votado pelos membros da comissão não impõem limites ao consumo de biocombustíveis de primeira geração e nem obriga à inclusão do fator Iluc (sigla em inglês para “mudanças indiretas no uso do solo”) no balanço de emissões da indústria.
A tese por trás do Iluc é que a demanda por matérias-primas para a produção de biocombustíveis aumenta a pressão sobre lavouras menos rentáveis. Isso as empurraria para áreas de floresta aumentando indiretamente o ritmo do desmatamento.
Ambientalistas querem que as emissões de carbono causadas dessa forma sejam levadas em consideração na hora de calcular o impacto ambiental dos biocombustíveis. Dependendo de como as contas são feitas, alguns passam a ser mais poluentes do que suas contrapartes fósseis o que tem levado a uma pressão para que o consumo destes seja limitado.
Contudo, uma declaração publicada pela comissão diz que a legislação não deveria levar em conta o Iluc em virtude de “consideráveis limitações e incertezas” na forma de calcular as emissões geradas dessa forma. Esse argumento repete uma das principais críticas dos defensores dos biocombustíveis que afirmam que a ciência por trás do Iluc ainda não está madura o bastante ser convertida em política pública.
A European Biodiesel Board, principal órgão representativo da indústria europeia de biodiesel, diz que a adoção de restrições poderia colocar em risco a viabilidade de uma indústria que já fatura € 10 bilhões por ano.
Votações
Já na terça-feira, a Comissão de Transporte e Comércio Internacional votou para que o limite nos biocombustíveis de primeira geração dentro da matriz de energia do setor de transportes fosse de 6,5% – a proposta original era de 5%.
No começo do mês que vem, será a vez da Comissão de Meio Ambiente se manifestar sobre o assunto.
Embora tenham peso no processo de decisão, as votações nas comissões ainda precisarão ser referendadas pela plenária do Parlamento Europeu que deverá votar sobre a questão apenas em setembro.
Contexto
Em 2009, a União Europeia determinou que todos os países-membros teriam até 2020 para que, no mínimo, 10% de toda a energia consumida no setor de transportes viessem de fontes renováveis. Os biocombustíveis se tornaram a pedra fundamental nesse esforço. Contudo, os ventos acabaram mudando e os biocombustíveis passaram a receber críticas pesadas das organizações ambientalistas. A tese é que eles desviam recursos agrícolas que seriam melhor aproveitados na produção de gêneros de primeira necessidade.
Por isso, um projeto da UE recente quer que os biocombustíveis de 1ª geração tenham seu uso limitado a 5% da meta de 10%. Em tese, essa limitação serviria para estimular a indústria a investir mais nos produtos da chamada 2ª geração – fabricados a partir de resíduos vegetais e de culturas não alimentares.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações: The Guardian, Businessgreen