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Teores maiores de biodiesel estão valendo na Indonésia e Tailândia

Indonésia e Tailândia estão ampliando seus mercados internos de biodiesel para conseguir dar vazão aos estoques de óleo de palma.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
A elevação do consumo de biodiesel tem sido a solução mais comum nos países asiáticos para dar cabo de seus estoques de óleo de palma. Neste mês, nada menos que dois países asiáticos anunciaram avanços na mistura: a Indonésia que seguiu com os planos aumetar ainda mais os teores de biodiesel no diesel mineral e a Tailândia dobrou a mistura vigente.


A elevação do consumo de biodiesel tem sido a solução mais comum nos países asiáticos para dar cabo de seus estoques de óleo de palma. Neste mês, nada menos que dois países asiáticos anunciaram avanços na mistura: a Indonésia que seguiu com os planos de chegar a 15% de biodiesel ao diesel mineral e a Tailândia dobrou a mistura de 3,5% para 7%.

No caso da Indonésia, a expectativa é reduzir as importações de petróleo em 40% com a medida. "Nós esperamos economizar cerca de US$ 2,5 bilhões em divisas este ano devido ao mandato de mistura de biodiesel superior", disse Ryda Mulyana, diretor-geral de Energia Renovável no Ministério de Energia da Indonésia.

O novo mercado mandatório estabelece ainda que as concessionárias de energia adicionem 25% de biodiesel ao óleo diesel que consomem a partir deste mês. O teto sobe para 30% em janeiro próximo.

De acordo com Mulyana, esses aumentos de mistura elevarão para 5,3 bilhões de litros por ano a produção de biodiesel no país – aumento de 1,9 bilhões de litros sobre os níveis atuais.

A Indonésia tem uma capacidade instalada para a produção de 5,8 bilhões de litros de biodiesel. Segundo Mulyana, há pelo menos quatro novas empresas interessadas em construir usinas de biodiesel, que, juntas, adicionariam capacidade de 2,7 bilhões de litros.

O aumento da mistura é uma forma de criar demanda para um dos produtos mais importantes do país – a Indonésia é a maior produtora global de palma. Em março, a indústria da palma na Indonésia registrou seu maior processamento de óleo em um semestre. O crescimento contabilizado pela Reuters junto às principais autoridades do setor foi de 17% – o maior índice desde setembro passado – fechando o mês com 2,4 milhões de toneladas de óleo fabricados.

O aumento na produção tem turbinado a formação de estoques. Um levantamento realizado pela agência de notícias Reuters junto às principais associações do setor da palma na Indonésia revelou que os estoques de palma no país elevaram-se 10% no intervalo de um mês. Foram contabilizadas 2,7 milhões de toneladas em março, contra 2,4 milhões em fevereiro.

Reticente

Já a indústria automotiva indonésia não está tão feliz com a saída. "O uso do biodiesel é bom. No entanto, ainda estamos preocupados com os impactos. Há motores que podem aceitar um teor de 15%, ou mesmo 20%. Contudo, outros motores podem não aceitar,", pondera o vice-presidente da Associação de Fabricantes de Automóveis da Indonésia (Gaikindo), Jongkie Sugiarto.

A estatal petrolífera Pertamina admite estar recebendo objeções de fabricantes alegando que seus motores não seriam capazes de se adaptarem a um maior teor de biodiesel. "Os motores de um deles só podem receber 12,5% no máximo. A PLN [empresa estatal de eletricidade] também está preocupada com a obrigação de ter que misturar até 25% de biocombustível", disse o diretor de marketing da Pertamina, Ahmad Bambang.

Incentivo

O governo indonésio parece não estar muito preocupado com essa insatisfação e estuda aumentar os incentivos à produção de biodiesel no país. Segundo o ministro da Coordenação Econômica da Indonésia, Sofyan Djalil, já está em fase final de aprovação um programa para taxar as exportações de óleo de palma em US$ 50 por tonelada.

Os recursos arrecadados com os impostos seriam usados para subsidiar o biodiesel.

O governo acredita que, com essa medida, também seja possível impulsionar os preços da commodity no mercado internacional, que caíram quase 15% no ano passado.

Dobro

Outro país que está lançando mão do aumento de mistura para aliviar seus estoques de óleo de palma e, ao mesmo tempo, sustentar os preços da commodity no mercado interno é a Tailândia.

Terceiro maior produtor mundial de óleo de palma, o país dobrou em meados deste mês sua mistura obrigatória – de 3,5% para 7%.

A decisão reverte o corte feito em janeiro do ano passado, quando o governo reduziu a proporção de biodiesel adicionado ao diesel por conta da baixa nos estoques de óleo, que, à época, deslizaram para 110 mil toneladas.

Em contrapartida, no mês passado, os estoques tailandeses contabilizaram cerca de 170 mil toneladas de óleo de palma, bem acima da meta do governo.

Cátia Franco – BiodieselBR.com
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