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Custo-benefício de uma planta de refino de glicerina

CBBR2014 OsvaldoBullara_191114O potencial do refino de glicerina para as usinas foi o tema do gerente da GEA Westfalia, Osvaldo Bullara, na Conferência BiodieselBR 2014.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Vem crescendo no Brasil o número de usinas de biodiesel interessadas em apostar no refino de glicerina como uma forma reforçar o faturamento de suas plantas. Tanto é que temos tido um aumento surpreendente – e consistente – das exportações de glicerina refinada. Para a GEA Westfalia Separator, o público de olho nesse mercado são seus clientes potenciais, foi sobre isso que o gerente de vendas da companhia, Osvaldo Bullara, falou em sua palestra na Conferência BiodieselBR 2014.

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Vem crescendo no Brasil o número de usinas de biodiesel interessadas em apostar no refino de glicerina como uma forma reforçar o faturamento de suas plantas. Tanto é que temos tido um aumento surpreendente – e consistente – das exportações de glicerina refinada. Para a GEA Westfalia Separator, o público de olho nesse mercado são seus clientes potenciais, foi sobre isso que o gerente de vendas da companhia, Osvaldo Bullara, falou em sua palestra na Conferência BiodieselBR 2014. 

Além de comercializar plantas de refino para a glicerina, a empresa alemã vende todo tipo de máquinas e soluções industriais para a produção de biodiesel. Ao todo, a GEA já construiu no mundo 33 plantas de biodiesel ao redor do mundo.

Bullara esclareceu aos presentes que existem diversos tipos de glicerina – ou glicerol, que é a denominação técnica do produto – comercializadas no mundo. 
Embora seja um produto extremamente versátil, com aplicações em diversos setores da economia, é no segmento de alimentos que está o maior consumo da glicerina refinada. O setor absorve 25% do total de glicerina produzida no país. “O maior consumo potencial, embora não seja uma realidade para nós, está em segmentos exigentes como alimentos, bebidas e o farmacêutico”, evidenciou.

Investir na qualidade da glicerina coproduto do biodiesel é, portanto, um passo fundamental para que o setor possa aproveitar as oportunidades que surgirão no futuro. De acordo com o gerente da GEA, as projeções apontam que os segmentos que consomem glicerina refinada de alta qualidade terão um crescimento maior que áreas menos exigentes. “A tendência é que, num futuro próximo, uma refinaria produza cada vez mais a glicerina pura com 99,5% de glicerol”, observou acrescentando que há clientes que impõem, por conta própria, demanda ainda mais elevadas. 

Bullara apontou ainda que há nichos de mercado que ainda se encontram em evolução mas que, num futuro próximo, deverão abrir ainda mais demanda para a glicerina. Entre esses novos usos estão a produção da epicloridrina – matéria-prima usada na fabricação das resinas epoxi, elastômeros, plásticos – e de ácido acrílico.

Purificação
Em sua palestra, o gerente da GEA explicou ao público como é feito o processo de remoção de impurezas da glicerina. De acordo com Bullara, o primeiro componente a ser removido é a água, algo que é feito por um processo bem simples de secagem por evaporação.

“A glicerina, já com um teor reduzido de água, passa, então, um processo de destilação na qual ela é aquecida até ser evaporada e, então, é condensada”, expôs informando que, nessa etapa, as impurezas retiradas são, em sua maioria, sais inorgânicos oriundos da produção de biodiesel.

No final do processo, é removida outra impureza que, no meio técnico, é conhecida como MONG – sigla para “matéria orgânica não graxa”. Por fim, é efetuada a remoção de odores e a clarificação do produto final. “A planta [da GEA], com a tecnologia de que dispõe, consegue atender clientes mais exigentes em termos de demanda de qualidade do produto”, afirmou.

Quanto vale
Segundo adiantou ao público uma unidade de refino com capacidade para processar 150 toneladas diárias de glicerina e alto nível de automação, custa na faixa dos US$ 12 milhões e teria um custo de produção na faixa dos US$ 50 por tonelada. Para operar uma refinaria dessas – incluindo mão-de-obra, energia elétrica, vapor e insumos – o custo anual seria US$ 1,98 milhão. 

Contudo, o palestrante garantiu que essa apenas uma estimativa e que é possível projetar as unidades de refino de acordo com as particularidades de capa unidade produtiva de biodiesel. Seria possível, por exemplo reduzir o valor caso o cliente já tenham uma tancagem que considere suficiente para armazenar a glicerina que produz. Segundo o gerente da GEA, nesse valor de investimento já estariam computados a montagem eletroeletrônica, base civil, estrutura metálica e o gerador – de pequena capacidade, pois o consumo de vapor é pequeno. 

O palestrante observou ainda que se o fabricante de biodiesel produzir glicerina refinada em vez de glicerina bruta, será capaz de agregar US$ 300 por tonelada de coproduto produzido. “Você precisará ter um rendimento bastante expressivo. E isso será fundamental para que você tenha uma redução no retorno do tempo de investimento”, salientou destacando que o investimento se paga num período entre 24 e 36 meses.

Bullara encerrou sua apresentação apresentando algumas projeções para o mercado de glicerina refinada. Segundo o gerente da GEA, a capacidade de refino que, em 2013, foi de 78,4 mil toneladas de glicerina, deve chegar este ano a 192 mil toneladas chegando ao final de 2015 com 225 mil toneladas com a entrada em operação de novas plantas.

Bullara também destacou o salto substancial nas exportações de glicerina refinada. Enquanto no ano passado foram exportadas 2,7 mil toneladas do coproduto, este ano a previsão é que os embarques cheguem a 29 mil toneladas – um volume quase 11 vezes maior. Para o próximo ano, as projeções são de exportações da ordem de 48 mil toneladas – 66% a mais.

Cátia Franco – BiodieselBR.com
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