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O futuro da energia no Brasil

O País busca também outras fontes renováveis como a energia solar, eólica e até mesmo na eletricidade gerada a partir das ondas do mar.
O Estado de S. Paulo 3 min de leitura
A data é mais que oportuna. Na mesma semana em que a cotação do barril do petróleo no mercado internacional encostou nos US$ 73, a Petrobrás põe em funcionamento hoje - dia em que se comemora a luta dos inconfidentes contra a dependência externa - a P-50, plataforma de exploração de petróleo de US$ 1,5 bilhão que permitirá ao País produzir mais que o sufuciente para atender ao consumo interno. Significa que, agora, a economia brasileira deixa de ficar exposta diretamente aos efeitos de crises externas provocadas por conflitos bélicos ou intempéries, causas de periódicas instabilidades na cotação do combustível que move a economia mundial.

Não é pouca coisa. Mas há outras conquistas dignas de comemoração. A P-50, além de apresentar inovações tecnológicas em suas 77 mil toneladas, empregou em sua construção, direta ou indiretamente 16 mil brasileiros.

Erguida sobre o navio petroleiro Felipe Camarão, aposentado da Frota Nacional da Petrobrás, o equipamento vai garantir uma mudança significativa nos resultados das contas do País. Em 2004, o Brasil teve um déficit comercial em petróleo e derivados de US$ 3 bilhões. No ano passado, o déficit já caiu para US$ 132 milhões. Este ano, haverá superávit de mais de US$ 2 bilhões, o primeiro da história.

Traumatizados pelo apagão de 2001, os brasileiros ainda enfrentam o risco de falta de energia para garantir o crescimento nos próximos anos.

Há investimentos em projetos de geração que dependem da superação de empecilhos ambientais e burocráticos.

No setor nuclear, o futuro também é incerto. Aguarda-se uma definição quanto à retomada da Usina de Angra 3, investimento que já consumiu US$ 750 milhões e precisa de mais US$ 1,8 bilhão para ser concluído. No mercado de álcool, melhor alternativa renovável ao petróleo, o Brasil ainda está sujeito há problemas de abastecimento, como o que ocorreu nos últimos meses, no período da entressafra. A disparada do preço do combustível nos postos obrigou o governo a intervir no mercado e alterar a mistura de álcool à gasolina, por falta de estoques reguladores.

Mas o álcool brasileiro, apesar da recente crise, é cobiçado por países como Estados Unidos e Japão e atrai hoje investimentos de mais de R$ 10 bilhões em 50 novas usinas.

O País busca também outras fontes renováveis como a energia solar, eólica e até mesmo na eletricidade gerada a partir das ondas do mar. Em uma outra frente, o programa de produção de biodiesel mobiliza agricultores em um projeto que prevê a produção de mais de um bilhão de litros por ano a partir de 2008.

Por lei, o governo criou um novo mercado de combustível ecológico obrigando a mistura gradativa de biodiesel ao diesel comum. Iniciativas como essas, com planejamento e investimento adequados, podem garantir a longevidade da auto-suficiência do Brasil em petróleo.
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