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EUA: América viciada em petróleo

O que a Opep faria se quisesse manter a América viciada em petróleo? Isso é fácil. A organização motivaria o Congresso Americano a negociar com a atual estacada nos preços da gasolina.
New York Times 5 min de leitura
O que a Opep faria se quisesse manter a América viciada em petróleo? Isso é fácil. A organização motivaria o Congresso Americano a negociar com a atual estacada nos preços da gasolina, tanto ao adotar a proposta republicana em dar a motoristas americanos U$100 dólares cada, para que pudessem continuar dirigindo carros beberrões e comprar gasolina nos atuais U$3.50 o galão (cerca de 3.7 litros), quanto ao adotar a proposta democrata para um aumento de 60 dias do imposto federal sobre a gasolina, de 18.4 centavos de dólar o galão. Qualquer uma das duas opções estaria de bom tamanho para a Opep.

Então, para resumir, nós agora temos um Congresso propondo fazer exatamente o que nossos piores inimigos querem que façamos – subsidiar nosso vício à gasolina ao arrombar os porquinhos de dinheiro de nossas crianças para tornar mais fácil para nós pagarmos os preços exigidos por nossos ‘empurradores’ de petróleo, para que nós continuemos viciados e eles permaneçam banhados em dólares.

Com um Congresso como este, quem precisa da al-Qaeda? 

Seriamente, há algo realmente perturbador sobre a absurdamente sem-vergonha, absurdamente exagerada intriga republicana e marcadora de ponto democrata, que tem se mascarado como governo em resposta à esta crise de energia. Os republicanos são piores, porque controlam todas as alavancas do poder e podem mover o país se propuserem uma séria política de energia – mas não vão.

“Costumávamos dizer que o sistema está partido porque não vai responder até que esteja em crise”, disse David Rothkopf, autor de “Running the Worl” (Administrando o Mundo), uma história da política externa dos EUA. Mas agora está realmente partido, “porque o sistema não pode nem responde a uma crise!”.

O que fazer? Tenho esperança por um terceiro partido. A situação está madura por uma coisa: a América está enfrentado um desafio tão grande quanto a Guerra Fria – como nós satisfazemos nossas necessidades de energia em longo-prazo, enquanto diminuímos nossa dependência sobre o petróleo e os maus governos que o exportam – e nem o principal partido oferecerá uma solução, porque requer sacrifício hoje para ganhar amanhã.

Combine um enorme vácuo de liderança sobre uma enorme questão, com uma internet que tem se provado como uma plataforma alternativa para organizar, financiar e energizar uma campanha política fora do estabelecimento de Washington, e você tem a composição de um crível terceiro partido.

Eu não o chamaria de “Partido Verde” – o nome já foi tomado, e isso conota uma agenda que é muito estreita e liberal. O terceiro partido de hoje tem que ser grande, estratégico, centrista e olhar para frente – e sim de algo como “Partido da Renovação Americana”, algo que enquadre a questão de energia como importante para restaurar a força e riqueza americana, não apenas conservação.

Energia é a chave para a renovação americana – desde estimular jovens a estudar matemática; a diminuir o déficit comercial ao decrescer nossa dependência do petróleo; a diminuir o déficit fiscal ao subir taxas de gasolina; a melhorar a competitividade dos EUA ao nos fazer líderes em tecnologias limpas; a restaurar respeito global ao liderar a luta contra a mudança climática; a avançar a democracia ao encontrar alternativas para o petróleo e, através disso, enfraquecer alguns dos piores regimes do mundo, que estão usando suas cataratas de petróleo para hesitar que a liberdade se espalhe.

“Há uma oportunidade aqui para alguém que agarre isso”, disse Micah Sifry, autor de “Spoiling for a Fight: Third-Party Politics in America” (algo como “Querendo uma Briga: Políticas do Terceiro Partido na América”). Esse alguém teria que ser mais emocionalmente estável e do tipo focado em energia, como Ross Perot (magnata milionário candidato à presidência em 1992). Porque, acrescentou Sifry, “se a questão do dia em 1991-1992 era a inflação o déficit orçamentário que nós não estávamos lidando, então a questão hoje que não estamos lidando é a energia e a catástrofe ambiental que a próxima geração espera. É tão oneroso ao futuro de nossos filhos quanto a questão do déficit. Precisa de um líder certo, contudo”.

Como alguém que contará a verdade: o único jeito que os americanos irão alguma vez aproveitar de gasolina relativamente barata novamente é se nós aumentarmos o preço agora com um imposto sobre a gasolina – e ajustá-lo ao maior nível possível por vários anos – para que investidores saibam que não está abaixando, e, portanto, fazer sentido econômico para fazerem investimentos de longo-prazo em fontes de energia renováveis e alternativas. Essa é a única maneira de romper nosso vício no petróleo e, no fim, abaixar o preço.

Sim, nosso sistema é rígido contra terceiros partidos. Mesmo assim, meu instinto diz que alguns políticos, em algum dia breve, apenas para serem diferentes, apenas pela graça, dirão a verdade aos americanos. O candidato certo com a mensagem certa sobre energia pode ser capaz de dirigir um ônibus para o centro da cena política atual dos EUA – afrouxar a esquerda e direita – e ainda talvez, apenas talvez, ganhar uma eleição de três caminhos.
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