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Empresa lusa investe R$ 200 mi em refinaria de biodiesel


Agência Lusa - 20 jun 2007 - 17:42 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:23

A refinaria portuguesa de biodiesel GreenCyber vai investir 80 milhões de euros (R$ 206 milhões) na construção de uma refinaria de biocombustível em Sines (distrito de Setúbal, sudoeste de Portugal). A criação da refinaria envolve um projeto complementar para produção de oleaginosas no Brasil, Angola e Moçambique.

Chamado de FirstForce, o projeto complementar prevê investimentos de 300 milhões de euros (R$ 771,8 milhões) na produção e esmagamento de sementes oleaginosas nos três países, que serão os principais fornecedores de matéria-prima para a GreenCyber.

A refinaria terá capacidade para produzir 250 mil toneladas de biocombustível por ano a partir de oleaginosas, a maior parte importada do Brasil, Angola e Moçambique. Apenas uma pequena parte será produzida em Portugal. Dos 80 milhões de euros previstos, 60 milhões (R$ 154,4 milhões) destinam-se à construção da refinaria e 20 milhões (R$ 51,5 milhões) à compra do primeiro volume de produção de oleaginosas dos três países.

O responsável pela refinaria, Pedro Sampaio Nunes, afirmou à Agência Lusa que a FirstForce está negociando nestes três países cerca de 400 mil hectares para plantação direta e 1 milhão de hectares de concessão para agricultura familiar, cujas sementes serão depois vendidas à empresa. "São projetos que estão devidamente estruturados, estamos agora na fase de negociação com os vários governos para os podermos estabilizar."

Investimentos

A refinaria de biodiesel, que já foi considerada Projeto de Interesse Nacional, deverá começar a produção em 2009, negocia com a Agência Portuguesa para o Investimento (API) e a API Parques, disse Nunes.

O empresário espera obter para o projeto os incentivos previstos na legislação nacional portuguesa e comunitária para investimentos em áreas subdesenvolvidas, com o objetivo de conseguir fundos estruturais ou isenções fiscais comuns nesse tipo de negócio.

O projeto está atualmente em fase de road show para investidores nacionais e internacionais. Nunes espera atrair os mesmos investidores interessados na refinaria para o projeto da FirstForce.

A produção da refinaria será escoada para o mercado interno, que necessitará de 800 mil toneladas de biocombustível por ano para cumprir a nova meta de uma incorporação de 10% nos combustíveis rodoviários, em 2010, decorrente da isenção de Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) que receber do governo, afirmou o responsável. O restante da produção será destinado à exportação.

Produção de micro-algas

Devido à necessidade de grandes volumes de oleaginosas para a produção de biocombustíveis, já que das sementes se extrai em média 80% de farinha e apenas 20% de óleo, a GreenCyber associou-se a um projeto pioneiro de pesquisa que passa pelo cultivo de micro-algas para a produção de biocombustíveis.

O projeto, que envolve um investimento de 2,5 milhões de euros (R$ 6,4 milhões) nesta primeira fase, será desenvolvido pela empresa lusa de tecnologia marinha Necton, por meio da sua subsidiária Alga Fuel. Há participação também da Espírito Santo Ventures, empresa do Grupo Espírito Santo, um dos maiores grupos financeiros de Portugal, com participação no banco brasileiro Bradesco.

O objetivo é produzir micro-algas a uma escala industrial, para que possam substituir matérias-primas como a soja na produção de biocombustíveis. As vantagens são grandes: as micro-algas se reproduzem rapidamente, tendo uma produtividade 200 a 300 vezes superior às restantes oleaginosas; a área ocupada na sua produção é 100 vezes inferior à das culturas tradicionais, sendo preciso apenas 2.500 hectares para abastecer uma refinaria de 250 mil toneladas, contra 500 mil hectares de soja e de 250 mil hectares de girassol.

As micro-algas têm ainda a vantagem de "seqüestrar" dióxido de carbono (CO2) no seu processo de desenvolvimento, contribuído assim para a redução das emissões de gases de efeito-estufa para a atmosfera. Para cada tonelada produzida de micro-algas são consumidas duas toneladas de CO2, ou seja, dez a vinte vezes mais do que as restantes oleaginosas como a soja, girassol e palma.

Nunes disse que o projeto da Alga Fuel se concretizar, será "uma revolução total que põe em causa o negócio tradicional das petrolíferas". "Daí que tenhamos apresentado este projeto à [energética] Galp, que está também a estudar um projeto semelhante em parceria com a Eni", afirmou.

O empresário afirma ainda que o sucesso do projeto permitirá produzir biodiesel a 20 cm por litro, contra os aos atuais 40 cm das refinarias de petróleo.

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