AM: Biodiesel deve resolver falta de energia
O biocombustível pode representar a melhor alternativa à geração de energia para a inclusão social e beneficiar mais de 50 comunidades ribeirinhas isoladas geograficamente no interior do Estado. A análise do coordenador de energia renovável do IPA (Instituto de Permacultura da Amazônia), Jorge Paulo Nava, ilustra o atual panorama das vantagens econômicas que as oleaginosas nativas, como tucumã, urucuri, murumuru, dendê ou a própria reutilização do óleo comum de cozinha podem trazer para o Amazonas.
Jorge Nava afirmou que já se realizam estudos sobre a criação de comunidades auto-sustentáveis no Amazonas, cuja base seria a energia limpa renovável, embora considere que a auto-sustentabilidade energética nessas localidades estaria vinculada a fatores como a quantidade de matéria-prima e insumos disponíveis para serem utilizados na produção do biocombustível.
Reutilização do óleo de cozinha
Responsável pelo desenvolvimento de sistemas conversores de óleo para fritura em biocombustível, Jorge Nava explicou que o sucesso da reutilização do óleo de cozinha em máquinas industriais é questão de tempo entre os produtores agrícolas em Manaus. “Uma propriedade de um hectare com açude para criação de 20 mil peixes, por exemplo, precisaria de apenas 50 litros de óleo reciclado por semana para abastecer um conjunto de máquinas, como motor estacionário de 8hp com gerador de 5kva multiuso, um trator agrícola de pequeno a médio porte e uma picape”, exemplificou.
Nava afirmou que a produção e utilização de combustíveis ecologicamente corretos servem como mecanismo de inclusão social e desenvolvimento regional para qualquer comunidade, além de criar oportunidades únicas de negócios no mercado, mas devem ser vistas com ressalva. “O fortalecimento da cadeia produtiva dos biocombustíveis tem de respeitar os aspectos ambientais e considerar os atributos socioeconômicos da população ribeirinha”, ressaltou.
A opinião do técnico ajusta-se à do diretor-presidente do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas), Edson Barcelos, segundo o qual uma produção de óleo para ser usada como biocombustível só poderá atingir viabilidade econômica se for desenvolvida em áreas já degradadas.
A economia resultante dessa produção, nos cálculos de Barcelos, pode beneficiar mais de 50 comunidades, cujo solo já esteja degradado pela falta de manejo agrícola adequado. O dirigente citou a pesquisa de impacto econômico da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), segundo a qual o cultivo de cinco hectares de oleaginosas, como o dendê ou pinhão manso, por exemplo, pode proporcionar a uma família amazonense a renda mensal superior a R$1.000, um impacto de praticamente 47% no orçamento familiar da maioria das regiões em vista, cuja média mensal gira em torno de R$ 680. “Se levarmos em conta a quantidade de terras alteradas pelo manejo inadequado, temos um número expressivo de regiões já empobrecidas no Estado. Por isso, eu defendo a produção de biocombustíveis somente nessas áreas alteradas”, explicou Barcelos.
Programa de biocombustível
De olho nesse segmento, Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e Embrapa, em parceria com o Executivo estadual, ajudaram na elaboração recente do Programa Estadual do Biocombustível, que será discutido durante o 2º Seminário Estadual de Energias Renováveis, nos dias 16 e 17 deste mês, no Auditório do Sesi.
Na opinião do titular da Sect (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia), José Aldemir de Oliveira, é essencial o fomento da cadeia produtiva do biodiesel e a consolidação do Programa Estadual do Biodiesel em Manaus, sobre o qual –considerados os ganhos nos aspectos ambientais, sociais, tecnológicos, econômicos e qualidade de vida– o desenvolvimento de tecnologias alternativas, como o uso de oleaginosas nativas (tucumã, urucuri, murumuru, dendê e babaçu) para produção do biodiesel vai ser viabilizado. “Além disso, é uma oportunidade única de se criar novos negócios no mercado local de biocombustível com propostas alternativas para o abastecimento de energia, principalmente em comunidades isoladas do interior do Estado”, enfatizou.
Henrique Xavier


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