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Tecpar também trabalha na produção de biodiesel

No Paraná, os agricultores familiares terão orientação para firmar contratos antecipados de compra de produção, inclusive na definição do preço que deve ser pago pelo mercado.
AE Notícias 4 min de leitura
As pesquisas com o biodiesel no Paraná foram iniciadas formalmente em 2003 com a criação do Programa Paranaense de Bioenergia - PR Bioenergia - pelo decreto lei nº 2101, de novembro de 2003, por determinação do governador Roberto Requião. As Secretarias da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Agricultura e do Abastecimento passaram a trabalhar juntas no desenvolvimento do biodiesel no Estado, com a finalidade de fomentar as ações de pesquisa, desenvolvimento, aplicações e uso no Estado.

A Secretaria da Agriculura ficou com a responsabilidade de estudar as melhores matérias-primas para as usinas e o Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná), por meio da sua Divisão de Biocombustíveis e do Centro de Brasileiro de Referência em Biocombustíveis (Cerbio), de desenvolver a tecnologia necessária para produzir o combustível.

Segundo o coordenador técnico do Cerbio, o engenheiro mecânico José Carlos Laurindo, até outubro deste ano deve estar funcionando no Tecpar uma usina, com capacidade semi-industrial, para a produção do biodiesel e para a pesquisa de matéria-prima. “O Tecpar irá repassar a tecnologia para os interessados”, disse Laurindo.

O Tecpar desenvolve paralelamente outras pesquisas voltadas ao uso do biodiesel, como é o caso das mini-usinas comunitárias de óleo vegetal, que atendem a agricultura familiar. A primeira delas foi instalada na Colônia de Witmarsum, em Castro, no final do ano passado. O instituto também está desenvolvendo tecnologia para o uso do biodiesel em motores, com resultados, até agora, promissores. “Detectamos somente pequenos problemas, de fácil solução”, esclareceu Laurindo. Ele informou ainda que está iniciando uma parceria com a Universidade Estadual de Maringá, para o uso do biodiesel nos tratores usados pela escola de agronomia.

Campo

O Programa Paranaense de Bionergia, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, está negociando investimentos no valor de R$ 2,5 milhões para serem aplicados até 2008, para permitir o acesso do agricultor familiar a essa modalidade de produção de energia.

O acesso ao programa é o diferencial do Estado do Paraná, uma vez que pesquisas e experimentos com biodiesel estão acontecendo em todos os Estados, tanto pela iniciativa privada como pelas empresas públicas, segundo o coordenador do programa, Richardson de Souza.

Souza explica que outra preocupação do Governo do Paraná é preparar os agricultores familiares para participarem desse mercado, bastante promissor. Para ter acesso aos benefícios fiscais oferecidos pelo Governo Federal, as usinas de biodiesel precisam ter o selo social, que será oferecido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Para isso, a usina terá que comprar 30% da matéria-prima do agricultor.

No Paraná, os agricultores familiares terão orientação para firmar contratos antecipados de compra de produção, inclusive na definição do preço que deve ser pago pelo mercado.

Até o final deste ano, a Secretaria da Agricultura quer oferecer resultados de pesquisa para orientar o produtor a desenvolver culturas com potencial de produção de óleo vegetal que pode ser utilizado nos motores a diesel. A intenção é que o agricultor familiar tenha acesso a mini-usinas de processamento para transformar a oleaginosa em óleo ou torta e farelo, produtos destinados à pecuária.

Essa pesquisa está sendo desenvolvida em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

O Iapar é o braço executor desse programa ao identificar quais as principais oleagionosas com potencial de produção de óleo. O órgão está pesquisando espécies mais adaptadas às condições de clima e solo do Paraná para depois promover um zoneamento agrícola.

Hoje, sabe-se que a soja e o algodão são culturas com tecnologia já definida para a produção do biodiesel. Mas existem outras culturas, como girassol, nabo-forrageiro, amendoim, canola, mamona, também com potencial de produção. A pesquisa está identificando as variedades que podem ser adaptadas às condições de clima e solo do Paraná.
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