Lula diz que desafio agora é fabricar motores movidos a biodiesel
Ao inaugurar hoje em Barra do Bugres, no Mato Grosso, a usina de biodiesel Barralcool, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o desafio do Brasil agora é fabricar motores que possam utilizar 100% de biodiesel. Segundo ele, o país já teve ótimos resultados na evolução do combustível, que permitem prever essa possibilidade para os próximos anos.
De acordo com o presidente, o Brasil “sempre foi pensado no curto prazo, e uma Nação só se constrói se for pensada estrategicamente no longo prazo”. E atribuiu à ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ao ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, a idéia da criação de uma política em prol da independência energética do país. Lembrou que dessa idéia se decidiu a prioridade em torno da produção do biodiesel.
Biodiesel comparado ao nascimento de um filho
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a cada inauguração de uma fábrica de biodiesel é como se ele sentisse o nascimento de um novo filho. "Essa a sensação tão apaixonada que sinto porque uma Nação só se constrói estrategicamente a longo prazo e lamentavelmente o Brasil só foi pensado a curto prazo com projeto que começavam e terminavam no período eleitoral", afirmou no discurso de inauguração da unidade de biodiesel, Barralcool, em Barra dos Bugres, 163 km a noroeste de Cuiabá.
O presidente lembrou que o biodiesel foi descoberto em 1975 e o projeto ficou perambulando pelo Brasil, em muitas faculdades, e ninguém acredita. O biodiesel fazia parte dos planos de governo em 2002, no entanto o projeto era muito vago, segundo Lula.
Antecipação das metas
O presidente defendeu a ampliação do percentual de biodiesel renovável adicionado ao diesel comum durante a inauguração de uma unidade de produção desse combustível em Barra do Bugres (163 quilômetros a noroeste de Cuiabá).
A legislação aprovada em dezembro de 2003 pelo governo prevê a adição obrigatória de 2 por cento do biodiesel no diesel a partir de 2008. O presidente entende que a meta de utilizar a adição de 5 por cento do combustível a partir de 2013 pode ser antecipada.
"Não sou técnico e nem pesquisador, mas hoje o Brasil já está preparado para usar o B-5, o B-10", disse Lula sobre a proporção do biocombustível ao diesel tradicional.
Segundo o gerente da Barrálcool --proprietária da unidade recém-inaugurada--, Sílvio Rangel, a empresa recebeu consulta da Petrobras para antecipar 10 milhões de litros de janeiro de 2007 para dezembro.
No mesmo raciocínio de Rangel e Lula, o vice-presidente da Dedini Indústrias de Base, José Luiz Olivério, fala em um cenário de mistura de 20 por cento do biodiesel no diesel no futuro e de 5 por cento já a partir de 2009.
Se ocorrer esse movimento, acredita, o crescimento da empresa será de 15 a 20 por cento ao ano. A Dedini forneceu equipamentos para a planta.
Independência
Segundo Lula, o país está se preparando para “dar ao mundo a independência do petróleo”. O presidente lembrou que na década de 80, 75% dos automóveis fabricados no país eram movidos a álcool, e que nessa época o preço do petróleo baixou e os empresários resolveram parar de fabricar o álcool anidro. Disse que a retomada da produção de álcool foi decidida pelo atual governo no início do primeiro mandato. E que essa retomada permitiu que a indústria desenvolvesse e passasse a fabricar carros que consomem ao mesmo tempo os dois combustíveis (álcool e gasolina), permitindo ao consumidor optar de acordo com o preço no mercado.
O presidente destacou que o álcool anidro e o biodiesel fabricados no Brasil despertam o interesse de todos os grandes países do mundo. “Nenhuma outra nação pode produzi-los em larga escala como o Brasil, mesmo aqueles que têm grande extensão territorial. O Brasil está entrando na sua maturidade de nação soberana e o biodiesel é uma dessas revoluções”, afirmou.
O presidente disse que existem hoje no país 3.600 postos vendendo biodiesel e já estão marcados leilões para a compra de 840 milhões de litros do biodiesel. “Os agricultores familiares estavam por aí sobrevivendo à custa de milagres, e hoje graças ao biodiesel que produzem, 205 mil dessas famílias estão com sustentabilidade e emprego garantidos”.
Lula ressaltou que o país precisa agir com responsabilidade quando oferece um produto ao mercado internacional. “Se a gente tiver seriedade, o governo mantiver as políticas públicas corretas para incentivar a indústria, se a Petrobras agir corretamente como cúmplice na produção do biodiesel, vamos poder dizer em poucos anos que o mundo não será mais escravo do petróleo”.
Segundo o presidente, a produção de biodiesel isso será boa para a Petrobras, que “poderá então vender mais petróleo para fora, participar da Opep e ter prestígio internacional”. Ele afirmou que a estatal do petróleo “não vai interferir onde os empresários quiserem investir na produção de biodiesel”.
Lula reconheceu que não dar prioridade na produção de gás natural na matriz energética brasileira foi um erro, já que o país não tinha auto-suficiência do produto, daí a repercussão em torno do problema da Petrobrás com a Bolívia, que fornece atualmente grande parte do gás consumido pela indústria do país.


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