Ônibus já circulou com o combustível alternativo
A empresa Real Norte, empresa de ônibus circular, experimentou durante um tempo no ano de 2004 o combustível produzido no laboratório da Funtac. Por falta da produção em grande escala o ônibus deixou de circular. "Esperamos colocar o diesel em experiência nos próximos meses. As máquinas de produção estarão chegando e poderemos, então, produzir maiores quantidades do biocombustível", diz a gerente do Centro de Referência de Energia de Fontes de Renováveis, Nadma Kunrath.Para a produção em maior escala foi proposto o desenvolvimento experimental das tecnologias que apresentavam as técnicas do craqueamento termo-catalítico, gaseificação e da transesterificação.
O craqueamento termo-catalítico é a produção de combustíveis obtidos através de óleos vegetais. Ao final do processo pode-se obter gases, gasolina, diesel, querosene, etc. O diesel obtido pode ser usado diretamente e integralmente em motores movidos a com diesel comum, sem precisar de adaptações. A gaseificação é a produção de calor e energia que aproveita os resíduos (cascas, sementes, bagaços) de massas de oleaginosas após a extração de óleos para a produção de biocombustível.
A transesterificação compreende no esmagamento da biomassa e extração do óleo e o processamento direto tem resultado também surpreendente.Os meios utilizados no Estado serão o craqueamento e a transesterificação.
Biodiesel começa a ser desenvolvido no Acre
Uma parceria dos governos federal e estadual com empresas privadas tem a intenção de produzir, no Acre, combustível derivado de matérias-primas vegetais, o biocombustível. Os trabalhos iniciaram-se com o projeto Luz para Todos, que tem a finalidade de levar eletricidade à população do campo e famílias isoladas.A equipe do Centro de Referência de Energia de Fontes Renováveis, responsável pelo desenvolvimento do programa, pretendia abastecer as populações mais distantes oferecendo novas alternativas de assistência. A partir da idéia inicial, outras iniciativas foram englobadas. As propostas tornaram o projeto abrangente e prometem mudanças na economia e no modelo do desenvolvimento sustentável.
O cenário mundial aponta para uma nova crise do petróleo. O impasse entre os Estados Unidos, Inglaterra e Irã pode promover uma alta no preço do combustível mais consumido no mundo. A cada minuto são extraídas em torno de seis mil toneladas de petróleo cru do planeta. Ainda existem cerca de 136 bilhões de toneladas que, se o ritmo de extração continuar o mesmo, levarão um pouco mais de 40 anos para se esgotarem. Esta dependência energética não pode se prolongar por muitos anos. Por isso, projetos de produção de combustíveis alternativos despontam em todo mundo.
No Brasil, o Programa Luz para Todos buscou a produção de combustíveis derivados de óleos vegetais como fonte para geração de energia alternativa para fomentar a necessidade do Estado. Esse biocombustível seria destinado às comunidades isoladas da região Amazônica. A inserção da população ao Programa de Universalização do Uso e Acesso da Energia ganhou outra conotação depois que as tecnologias foram apresentadas e testadas em outros estados.
Mais tecnologia
As políticas para o desenvolvimento de novas tecnologias de energia estão ganhando maior atenção no quadro nacional, por isso já se desenvolveram modernas formas de aproveitamento de energia da biomassa. Esta nova postura é adotada em preocupações de ordem ambiental como o aproveitamento de resíduos agrícolas, criação de novos mercados para produtos agrícolas, poluição e qualidade ambiental.No Estado, novas idéias foram geradas a fim de atender a população em longo prazo. As experiências estão sendo realizadas por uma equipe técnica e tem a parceria de diversos órgãos como a Universidade Federal do Acre (Ufac), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrário (Incra), Ministério da Ciência e Tecnologia, Banco da Amazônia, Banco do Brasil, Real Norte, Eletroacre, Eletronorte e Governo do Estado.
Cada segmento está cooperando com uma parte do projeto desde o repasse de recursos de iniciativa privada, a fabricação com a Funtac, a pesquisa de materiais produtivos com a Ufac e a utilização experimental como a empresa Real Norte.
Estão sendo desenvolvidas no País iniciativas a partir de diversos tipos nativos de palmeiras, baga de mamona, polpa do dendê, amêndoa do coco de dendê, amêndoa do coco de babaçu, semente de girassol, amêndoa do coco da praia, caroço de algodão, grão de amendoim, semente de canola, semente de maracujá, polpa de abacate, caroço de oiticica, semente de linhaça, semente de tomate e de nabo ferrageiro. Nos demais estados se têm uma produção em maior escala devido à prática do cultivo de algumas espécies, mas no Acre não se tem esse costume, o que limita mais ainda as pesquisas.
Pontos negativos
As tecnologias de processamento da biomassa ainda têm impedimentos para sua comercialização como o potencial energético e a disponibilidade de grande quantidade de matéria-prima. O beneficiamento precisa de grande quantidade de vegetal para produzir o combustível e é consumido maior rapidamente para desempenhar o mesmo papel energético como a gasolina e o álcool, por exemplo.Mesmo com estes aspectos, países como os Estados Unidos já utilizam biocombustíveis, como etanol (álcool) e biodiesel em escala comercial. O investimento neste setor é garantia de autonomia energética.
O Brasil tem uma frota de carros que utiliza álcool para uma substituição parcial ou total da gasolina. A utilização de óleos de origem vegetal para a produção de eletricidade e para transporte são outras possibilidades que ainda não alcançaram escalas significativas, mas que já estão em experiências no Acre.
A iniciativa no Estado prevê a criação de fontes renováveis de biomassa para sustentar a criação de fontes energéticas. "Não podemos dizer ainda para os produtores o que plantar para produzir o biodiesel no Estado porque não sabemos qual vegetal iremos explorar e o Estado não tem uma cultura própria de cultivo, por isso as pesquisas são tão importantes", comenta a gerente do Centro de Referência de Energia de Fontes Renováveis.
Pontos positivos
Além de diminuir a poluição atmosférica o biocombustível possui impactos positivos na balança comercial evitando a importação de petróleo. Possibilita a geração de emprego e renda em toda sua cadeia produtiva e de transformação, criando também novos mercados para as oleaginosas, um ponto importante para o desenvolvimento estadual.A utilização de biodiesel como combustível para geração de eletricidade em comunidades isoladas foi o pontapé inicial do projeto, mas também pode contribuir na a geração de renda e inclusão social de comunidades remotas.
"Podemos esperar em pouco tempo uma campanha para massificar o uso de extratos naturais na geração de energia e abastecimento comburente, e neste quesito estamos bastante avançados", diz Nadma Kunrath.