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Biodiesel

Investidor ganha prazo para desistir de Ecodiesel


Valor Online - 14 nov 2006 - 09:14 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Os investidores de varejo que fizeram reserva para adquirir ações da fabricante de biodiesel Brasil Ecodiesel têm até o dia 21 para cancelar a sua ordem de compra. O prazo de reserva dos papéis havia se encerrado no dia 7 e não havia mais possibilidade de desistência.

Mas, por determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia teve que incluir novas informações em seu prospecto da oferta na última sexta e, por consequência, foi aberta a possibilidade de cancelamento aos investidores que assim desejarem. A data de estréia da empresa na Bovespa, que estava marcada para hoje, foi adiada para 22.

A CVM solicitou mais informações à Brasil Ecodiesel depois que reportagem do Valor publicada no dia 8 indicou que um dos sócios controladores da companhia, detentor de 47,7% do seu capital por meio da empresa Eco Green Solutions, tem identidade desconhecida. Adicionalmente, a reportagem relatou a existência de rumores de que o sócio oculto poderia ser o empresário Daniel Birmann, fundador e ex-controlador da Ecodiesel. Ele foi inabilitado pela própria CVM para exercer cargos em companhias abertas depois de condenado por abuso de poder de controle e descumprimento de deveres de diligência e lealdade, entre outros. No total, são quatro processos administrativos, cujas decisões ainda estão sujeitas a recurso.

A companhia informou na sexta que vendeu suas ações na oferta pública pelo preço de R$ 12. A faixa indicativa sinalizada ao mercado, que demonstra a expectativa de preço da empresa e dos bancos envolvidos na operação, era de R$ 17 a R$ 22. O preço final ficou 30% abaixo do piso da faixa. Com isso, a empresa captou R$ 378,9 milhões, R$ 157 milhões a menos do que teria captado caso a ação tivesse saído a R$ 17.

No novo prospecto, liberado para os investidores na internet já na sexta, a Brasil Ecodiesel não descarta totalmente a possibilidade de que o empresário ainda seja seu sócio. O texto afirma que "pelo conhecimento da companhia", Daniel Birmann não é mais acionista.

O novo texto deixou ainda mais explícito que não é possível determinar a identidade do proprietário da Eco Green Solutions, que detém 47,7% da Ecodiesel. Isso porque a empresa é controlada por um trust com sede na Suíça que, por sua vez, pertence a um segundo trust com sede nas Ilhas Cayman. "De acordo com as leis que regem o domicílio e a administração do Cayman Trust, não é permitido divulgar quaisquer informações adicionais a respeito da propriedade das ações da Eco Green." A Deutsche Fiduciary Services, do Deutsche Bank, é o agente fiduciário do trust suíço e responsável pelas tomadas de decisão.

Ainda por determinação da CVM, a companhia detalhou a evolução de seu quadro de acionistas ao longo dos anos, inclusive com relatos sobre as operações de venda das ações detidas pelo empresário. Sua saída do quadro de acionistas se deu em duas etapas, segundo o prospecto.

Primeiramente, em 11 de julho de 2005 Birmann transferiu 406 mil quotas da empresa para oito outros acionistas, entre eles, o presidente Nelson da Silveira. Depois, em 23 de maio de 2006, o empresário gaúcho transferiu as restantes 1,363 milhão de ações a Silveira, que depois as repassou ao fundo Zartman. O ingresso da Eco Green no capital da Brasil Ecodiesel coincide com o início da saída de Birmann, em 11 de julho de 2005. Nesta data, de acordo com o prospecto, a Eco Green entrou na empresa mediante um aumento de capital que dobrou o capital total da fabricante de biodiesel.

Embora não figure mais como acionista da Brasil Ecodiesel, Daniel Birmann ganhou algumas páginas com informações a seu respeito no novo prospecto - muito mais do que qualquer dos outros acionistas controladores (o fundo Zartman e o presidente da empresa, Nelson Cortês da Silveira). Boa parte do espaço contém detalhes dos processos administrativos da CVM em que Birmann foi condenado.

O novo prospecto trouxe também amplo detalhamento dos contratos de opção de fornecimento obrigatório firmados entre a Ecodiesel e o grupo Enguia Power, do qual Birmann é acionista e administrador.

Por Vanessa Adachi