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Entrevista com Felipe Alvisi Galastro Perez

O desenvolvimento do projeto Estudo da obtenção de biodiesel a partir de óleo de fritura residual rendeu a um grupo de estudantes de engenharia química da UFMG o primeiro lugar no Prêmio SME de Ciência e Tecnologia.
O Estado de Minas 3 min de leitura
O desenvolvimento do projeto Estudo da obtenção de biodiesel a partir de óleo de fritura residual rendeu a um grupo de estudantes de engenharia química da UFMG o primeiro lugar no Prêmio SME de Ciência e Tecnologia, promovido pela Sociedade Mineira de Engenharia. Felipe Alvisi Galastro Perez, de 23 anos; Bernardo de Carvalho, de 23; Cleiston Padilha, de 24; Daniel Moraes Silva, de 24; e Pedro Pimentel Collier, de 22, realizaram pesquisa sobre uma perspectiva viável e estratégica para a produção de biodiesel à base de etanol. Em entrevista ao D+, Felipe fala sobre o projeto e a importância do prêmio.

Em que consiste o estudo realizado por vocês?


Partimos de estudos já existentes sobre a obtenção de biodiesel, resultado da reação de um álcool com óleo vegetal ou gordura animal. Os alcoóis mais usados para esse fim são o metanol e o etanol. A obtenção do biodiesel já é aplicada industrialmente na Europa. No caso específico do óleo de fritura residual, já existe um projeto implementado na Espanha, que permite que uma frota de ônibus seja abastecida com biodiesel produzido com óleo recolhido em restaurantes. O objetivo do nosso trabalho é transportar os estudos de otimização com metanol para a obtenção de biodiesel com etanol, que é um insumo renovável e bem mais barato no Brasil, produzido em larga escala no país.

Como foi o processo de pesquisa?

Na primeira etapa, estabelecemos a caracterização da reação com metanol. Depois, tentamos obter o biodiesel a partir da reação do óleo de fritura residual com etanol. Depois de uma série de tentativas, chegamos a determinadas condições de trabalho que propiciaram o sucesso da reação. Finalmente, obtivemos a separação das fases após a reação, o que caracteriza seu sucesso: a fase biodiesel e a fase glicerol, um subproduto dessa reação, que é a glicerina em estado mais bruto.

Que implicações têm os resultados obtidos?


Reforçamos que é possível obter biodiesel a partir de um resíduo ecologicamente favorável. Os resultados podem ser aplicados na otimização do trabalho em escala industrial, representando um processo viável para a realidade brasileira e também um procedimento estratégico, já que o país tende a uma forte atuação no mercado de biocombustíveis. Outro ponto relevante é a possibilidade de implementação de um trabalho social, a partir do recolhimento do óleo de fritura em restaurantes e residências.

Quais são as perspectivas abertas pela premiação?


O resultado deu uma visibilidade legal para o nosso trabalho e também para o campo de estudos dos biocombustíveis. É importante mostrar para os investidores que é possível e estratégico desenvolver e aplicar esses estudos. As barreiras vão se quebrando, já que o assunto ainda é incipiente. Algumas instituições e pessoas interessadas em desenvolver e apoiar o projeto já entraram em contato com a gente.

Qual é a importância da iniciativa da SME para os estudantes e a sociedade em geral?

O prêmio incentiva a prática de pesquisa, produção de trabalhos científicos e aplicação de novas tecnologias. No entanto, não se trata apenas de um incentivo para quem está na universidade, pois é uma forma de viabilizar a interface entre o meio acadêmico e a área industrial, permitindo que empresas interessadas conheçam o trabalho de jovens empreendedores.
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