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PR: Biodiesel pode gerar novos investimentos na região

O desenvolvimento no ramo de oleaginosas é de suma importância para a produção do biodiesel, com a criação de novas indústrias não somente para a produção do produto, mas também para fazer sua distribuição.
Jornal de Beltrão 4 min de leitura
Governo quer cadastrar famílias de vários estados para a produção de oleaginosas.

Contando com a participação de agricultores e cooperativas da região Sudoeste do Paraná, foi realizado quinta-feira, 20, na Assesoar, em Francisco Beltrão, um seminário sobre biodiesel e a sustentabilidade ambiental e geração de renda. O evento contou com a participação do coordenador do programa nacional de biodiesel do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), Arnoldo de Campos, que explanou sobre o potencial de desenvolvimento e da produção do biodiesel no país e na região.

A partir de janeiro de 2008, a produção de óleo diesel no Brasil terá que contar obrigatoriamente com 2% de biodiesel na sua fórmula e em janeiro de 2013 o percentual de biodiesel aumentará para 5%. “Isso vai criar um mercado produtivo na faixa de 1 bilhão de litros de biodiesel por ano, exigindo do país uma grande produção de óleo”, coloca Arnoldo.

Maior produção de oleaginosas

Para tanto, o desenvolvimento no ramo de oleaginosas é de suma importância para a produção do biodiesel, com a criação de novas indústrias não somente para a produção do produto, mas também para fazer sua distribuição. A região Sudoeste tem grande potencial para a produção de oleaginosas. “É uma oportunidade para que a região entre nessa nova cadeia produtiva”, explica o coordenador do MDA.
Além da produção do biodiesel, há outra vantagem para o produtor de oleaginosas da região, que é o setor de ração, produto que sobra da extração do óleo das oleaginosas, podendo ser comercializado potencializando outras cadeias de produção. “A ligação do biodiesel com a produção de leite e de carnes é muito forte, porque a partir da extração do óleo, o que sobra vira farelo para ração”, diz.

Agricultura familiar

O governo federal estabeleceu uma política de inclusão social na cadeia de produção do biodiesel, tendo por objetivo principal, fazer com que o agricultor familiar participe dessa cadeia produtiva, seja como produtor de oleaginosas, seja como produtor de óleo ou até mesmo dentro das cooperativas como produtor de biodiesel.

Para isso, o governo estabeleceu uma política tributária em que acontecerá diminuição nos impostos quando a agricultura familiar participar dessa cadeia produtiva. “O produtor de biodiesel paga menos impostos se a agricultura familiar estiver na cadeia produtiva e esse é o mecanismo principal”, frisa.

Além disso, já foram lançadas linhas de financiamento agrícola como o Pronaf - biodiesel (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura familiar - especial para a produção de biodiesel), que permite que o agricultor familiar plante sua oleaginosa sem comprometer o financiamento da lavoura principal, tomando o crédito para sua cultura convencional, podendo pegar mais um especificamente para o biodiesel.

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também lançou uma série de linhas de financiamentos, tanto para unidades de esmagamento como para as produção de biodiesel, em condições mais favoráveis para quem tiver agricultura familiar participando da cadeia produtiva.

Investimentos

Somente para a instalação de indústrias necessárias o governo federal está fazendo investimentos no valor aproximado de R$ 400 milhões. Hoje, o país já tem dez plantas industriais em andamento e uma série de outros projetos sendo desenvolvidos que estão tomando financiamento nos bancos ou construindo com recursos próprios, de forma que há um grande número de recursos que será investido nas indústrias. No Estado de São Paulo já existem várias plantas industriais prontas para o funcionamento e participando dos leilões.

No Rio Grande do Sul também já existem vários projetos em implantação, de forma que o Paraná como grande produtor de oleaginosas, deve se organizar para poder ocupar seu espaço no mercado. E como esse mercado é delimitado, quem tomar a frente e se organizar primeiro, terá uma posição estratégica.

 “Estamos aqui no Paraná para que o Estado possa aproveitar seu potencial e essa nova oportunidade que está se abrindo em uma nova cadeia produtiva. Sem contar os investimentos que serão feitos na agricultura, o que é um montante bastante significativo”, complementa Arnoldo.
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