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Biodiesel avança no mercado agrícola

A New Holland, maior fabricante de colheitadeiras agrícolas do País, ainda não oferece produtos que possam utilizar qualquer percentual de biodiesel. Para os tratores e colheitadeiras da John Deere e Massey Fergusson, não há necessidade de modificação no motor para a mistura de até 5%.
DCI 4 min de leitura
A New Holland, maior fabricante de colheitadeiras agrícolas do País, ainda não oferece produtos que possam utilizar qualquer percentual de biodiesel. A empresa informa que está desenvolvendo uma pesquisa mundial em relação ao uso de biodiesel, porém não há previsão de desenvolvimento de produtos movidos a biocombustível, e no Brasil o assunto ainda não foi introduzido nas discussões sobre as estratégias da empresa.

Com uma política diferente, a concorrência se antecipa e atende a Lei Federal n° 1.097 , que prevê a obrigatoriedade do uso de 2% de biodiesel em veículos a partir de 2008. A Massey Ferguson, John Deere, Valtra e Agrale se já contam com tratores e colheitadeiras que permitem a utilização de até 5% de biodiesel.

A Massey Fergusson, líder no mercado brasileiro de tratores, com 33,2% de participação, afirma que os fabricantes de motores já garantem o uso de até 5% de biodiesel na mistura sem alteração de rendimento ou consumo. “Eles fizeram pequenos ajustes, como a troca de algumas borrachas e vedantes no motor, que não alteram o custo de fabricação dos tratores”, diz engenheiro da Massey, Paulo Verdi.

Para os tratores e colheitadeiras da John Deere, não há necessidade de modificação no motor para a mistura de até 5%. No entanto, o engenheiro de planejamento de produtos da empresa, Fábio Baio, afirma que é possível utilizar quantidades maiores de biodiesel com os mesmos motores, apenas com uma alteração na regulagem do sistema de injeção. “Estamos trabalhando em pesquisas para definir, até o ano que vem, os níveis de regulagem ideais para misturas com mais biocombustível”, revela Baio.
Possivelmente, a partir de 2007, os produtores que quiserem utilizar misturas maiores para reduzir os custos com combustíveis deverão procurar técnicos das concessionárias para realizar a alteração em seus equipamentos. “Embora não sejam danificados, os motores perdem rendimento se não houver a regulagem”, explica Baio.

Segundo o engenheiro da John Deere, os testes nesta área estão sendo realizados por todas as concorrentes. “Misturas com mais biodiesel são uma tendência, especialmente para produtores que conseguem obter o biocombustível a um baixo custo e que são grandes consumidores de diesel, como as usinas de açúcar e álcool”, conclui ele.

Projeto
É justamente em uma usina de cana que a Valtra do Brasil desenvolve desde fevereiro seu projeto de biodiesel, homologado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), para testar as máquinas para combustíveis com maior participação do combustível renovável. Durante 540 dias, tratores Valtra serão submetidos a uma maratona de testes na lavoura de cana-de-açúcar. O objetivo é avaliar o desempenho das máquinas com as misturas de 5% de biodiesel de mamona, 5% de soja e 20% de de soja ao diesel. “Vamos avaliar os desgastes dos componentes e a longevidade do motor com misturas acima de 5%. Nosso objetivo é dar segurança a nossos clientes e estender a garantia de fábrica para misturas de até 20% de biodiesel”, diz o coordenador de marketing de produto da Valtra, Rogério Zanotto.

O engenheiro da Massey Ferguson lembra ainda que diversas instituições estão realizando pesquisas com diferentes porcentagens de biodiesel na mistura. “Alguns testes já apontam o uso de até 50% de biodiesel na mistura, com alterações de apenas 5% no consumo. Só acima de 50% as alterações são consideráveis”.

A diretoria da New Holland está em um processo de avaliação do mercado, após as dificuldades observadas no setor agrícola brasileiro. No segmento de colheitadeiras, a New Holland participa com 43% do total vendido no Brasil; no setor de tratores, o market share é de 27%.
Segundo dados das montadoras, a venda de máquinas agrícolas caiu 4,3% em março, comparado ao mesmo mês de 2005.
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