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Queda do petróleo aumenta preocupações no setor de biocombustíveis

PrecoPetroleoBiocombustivel 090115A queda nas cotações internacionais do petroleo está carcomendo a viabilidade da indústria de biocombustíveis ao redor do mundo.
Financial Times 4 min de leitura
Embora não falte gente celebrando o atual ciclo de queda nas cotações do petróleo aos níveis mais baixos em muitos anos, essa é a pior notícia possível para o setor de biocombustíveis. Não era para ser assim. Ne época em que os governos mundo afora começaram a implantar misturas mínimas de combustíveis renováveis, o pico do petróleo era consenso geral e havia o medo que o barril estivesse no caminho de custar US$ 200.

PrecoPetroleoBiocombustivel 090115
Embora não falte gente celebrando o atual ciclo de queda nas cotações do petróleo aos níveis mais baixos em muitos anos, essa é a pior notícia possível para o setor de biocombustíveis. Não era para ser assim. Ne época em que os governos mundo afora começaram a implantar misturas mínimas de combustíveis renováveis, o pico do petróleo era consenso geral e havia o medo que o barril estivesse no caminho de custar US$ 200. 

Com o barril custando módicos US$ 50 está cada vez mais difícil para os governos justificarem a manutenção das misturas.

No caso da indústria de biodiesel dos Estados Unidos – principal país produtor no mundo – o dilema está resumido numa sigla: POGO. Significando “Palm oil discount to gasoil” (algo como “desconto do óleo de palma sobre o diesel”) ela expressa a relação entre os preços do óleo de palma e o diesel e é considerado um indicador da lucratividade potencial da indústria.

Em setembro passado, a tonelada do óleo de palma estava US$ 252 mais barata do que o diesel. Essa diferença se inverteu. A palma custa US$ 121 mais do que o diesel tornando a produção de biodiesel inviável de um ponto de vista estritamente financeiro.

Apoio
Isso está carcomendo ainda mais a base de apoio político ao biodiesel nos EUA. Quando o biocombustível começou a ser usado, ambientalistas, agricultores e defensores de uma maior segurança energética apoiavam a produção do biocombustível.

Mas, nos últimos anos, a apoio dos ambientalistas esfriou a medida em que o plantio ao aumento na demanda por cultivos energéticos passou a ser visto como um vetor de desmatamento. Por outro lado, ao aumento na exploração do chamado gás de xisto e outras fontes fósseis não convencionais melhorou a segurança energética dos Estados Unidos.

Da trinca inicial, apenas os agricultores continuam sendo defensores dos biocombustíveis, uma vez que sua produção aumenta a demanda para seus produtos. 

Mas a queda nos preços do petróleo tem levado muitos os governos a questionarem suas políticas de apoio. Nos Estados Unidos essa falta de suporte se traduziu numa renovação pouco efetiva do incentivo de US$ 1 por galão de biodiesel aprovada quase no final do ano. Isso sem contar o adiamento da definição das metas de mistura obrigatória que já se arrasta por mais de um ano.

No Brasil, a principal vítima tem sido o setor de etanol. Duramente atingido pela estratégia anti-inflacionária do governo que tem segurado os preços dos combustíveis fósseis abaixo das cotações internacionais. Embora no momento os preços domésticos estejam acima dos valores internacionais, o governo já está sendo pressionado para reduzi-los rapidamente, o que pode ser mais um golpe para as usinas.

Na Ásia, o problema é o mercado chinês. No ano passado, a China importou 875 mil toneladas de biodiesel – principalmente da Indonésia –, mas com os preços mais baixos do petróleo essa demanda provavelmente deve secar. 

A mesma coisa com a demanda na África, que vinha mantendo os níveis de exportação do biodiesel da Argentina.

Para que o setor sobreviva e essa turbulência ele precisará de apoio político para manter os mandatos de mistura mínima inalterados. 

Jonathan Kingsman – Financial Times 
Tradução e adaptação BiodieselBR.com
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