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Usinas avaliam resultado do 18º leilão

Unidades produtivas falam sobre a negociação e o resultado dos 3 dias do 18º Leilão de Biodiesel
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Unidades produtivas falam sobre a negociação e o resultado dos 3 dias do 18º Leilão de Biodiesel

Mateus Henrique Andrich – gerente industrial da Olfar, de Erechim (RS)
“Acho que o leilão foi tranqüilo até, apesar de ter tido um deságio um pouco maior em conseqüência da entrada de mais empresas na disputa. O preço ficou um pouco abaixo da média, mas tudo dentro da normalidade.

Nós estávamos esperando um deságio na faixa do que foi o leilão passado, em torno de 3%. Mas acredito que o preço médio negociado (R$ 2,10) garante uma rentabilidade para as usinas.

Nossa expectativa para essa primeira participação era vender um pouco mais, mas a negociação foi satisfatória. Boa parte da matéria-prima é própria, uma parte já compramos e outra ainda vamos entrar no mercado para conseguir. Nossa expectativa é que o preço da matéria-prima se mantenha no atual patamar.”

Resumo da Olfar no leilão:
Volume vendido: 24,5 milhões de litros
Preço médio: R$ 2,1689
Poderia ter vendido: 43,2 milhões de litros


João Luiz Ribas Pessa – diretor da Cooperbio, de Cuiabá (MT):
“Para nós foi um desastre, principalmente para nós que estamos com o processo de obtenção do selo em andamento, acabamos ficando para o segundo lote. Com o aumento de autorizações da ANP, um volume muito maior de empresas, com mais de 130 milhões de litros, entraram nesse leilão. Então as empresas que tinham selo entraram no primeiro lote com preços que garantiram certa remuneração. Mas depois elas foram para o segundo lote com preços mais baixos, obrigando-nos a baixar nossos preços também. Só vendemos nesse lote porque nós temos custos fixos, compromissos com funcionários, fornecedores de insumos etc.

Se a gente for muito eficiente no processo, acredito que não vamos ter lucratividade nenhuma. Nós teríamos uma aparente vantagem por estar em Mato Grosso e ter acesso à matéria-prima mais barata no Brasil, mas com esses preços, com margem industrial negativa, não dá nem para se comprometer com compra e assistência técnica da agricultura familiar.

Se não houver uma correspondência da ANP de autorizar novas licenças de comercialização proporcional à demanda de biodiesel é bem possível que vai ter uma crise no setor, já que muitos tiveram que financiar suas fábricas. Se continuar com o B5 e se continuar entrando novas empresas no mercado, além das já existentes que estão ampliando suas capacidades, é bem possível que, com ou sem selo, vai ter um aviltamento de preços como aconteceu no passado, quando empresas grandes como Brasil Ecodiesel tiveram problemas e outras fecharam suas portas.”

Resumo da Cooperbio no leilão:
Volume vendido: 21 milhões de litros
Preço médio: R$ 1,699
Poderia ter vendido: 24,48 milhões de litros


Odacir José Balestreri – proprietário da Caibiense, de Rondonópolis (MT):
“O sistema ComprasNet derrotou todo mundo no preço. Tem gente que vendeu biodiesel com o preço que se vende o óleo vegetal. Acho que vai ter muitas usinas que terão dificuldades para entregar o produto. Do preço inicial, nossas ofertas tiveram um deságio de 8 a 10%. De 7,2 milhões de litros que podíamos negociar, só conseguimos vender 2,7 milhões de litros, porque todo mundo entrou no desespero. Isso porque a gente tinha selo, imagine quem não tinha.

As usinas vão trabalhar com uma lucratividade bem apertada. Estamos negociando matéria-prima, vamos tentar comprar à vista para não correr o risco de ter mais prejuízo. A capacidade instalada no país hoje é três, quatro vezes mais que o governo está comprando. Se não for logo para B6, B7 e B10 as indústrias vão ter dificuldades daqui para frente.”

Resumo da Caibiense no leilão:
Volume vendido: 2,7 milhões de litros
Preço médio: R$ 2,09
Poderia ter vendido: 7,2 milhões de litros

Alice Duarte - BiodieselBR.com
Tags L18
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