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Usina de Candeias é "elefante branco"

A expressão usada pelo especialista pode soar exagerada. Mas sua crítica à viabilidade do projeto tem fundamento em extensas pesquisas, todas apontando para o risco de ociosidade na usina por falta de matéria-prima.
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A expressão usada pelo especialista pode soar exagerada. Mas sua crítica à viabilidade do projeto tem fundamento em extensas pesquisas, todas apontando para o risco de ociosidade na usina por falta de matéria-prima.

Toda a história do biodisel brasileiro é um círculo de improvisos. O presidente Lula se encantou com a idéia. Para realizá-la, o governo determinou a mistura no diesel (hoje de 3%). Para cumprir a obrigatoriedade, a Petrobras foi forçada a entrar no negócio, sem entender do riscado. E porque não tinha escapatória, a estatal fez o mais fácil e menos arriscado, a ponta industrial, deixando a base agrícola ao sabor do mercado.

Pé esquerdo
A usina de biodiesel da Petrobras em Candeias (BA) acaba de ser inaugurada e já é chamada de "elefante branco" pelo professor Antônio Machado, autor do livro "Biodiesel: Produção e Desafios", publicado pela Sempre Editora. A expressão usada pelo especialista pode soar exagerada. Mas sua crítica à viabilidade do projeto tem fundamento em extensas pesquisas, todas apontando para o risco de ociosidade na usina por falta de matéria-prima. Mais: o biodiesel que ela conseguir produzir sairá muito caro, por equívoco na escolha de matérias-primas economicamente inviáveis (mamona, girassol e soja). Diz Machado que as "únicas" oleaginosas rentáveis para fazer biodiesel são pinhão-manso, dendê e talvez macaúba.

Na roleta
O governo deve estar apostando que, montada a ponta industrial, a base agrícola se organizará espontaneamente para abastecer a usina de biodiesel. E que a natureza será pródiga. Pode ser que sim. E pode ser que, ao contrário, o professor Machado não esteja exagerando ao enxergar um elefante branco. O tempo dirá. De qualquer forma, é no mínimo preocupante que um programa desse porte tenha trajetória tão improvisada e um futuro tão incerto, entregue às circunstâncias - ou à sorte.

A inversão
No seu programa de biodiesel, o governo parece ter colocado o carro à frente dos bois, começando pela ponta industrial, que é parte mais simples (a Alemanha vende usina pronta para entrega em oito meses). O desafio do biodiesel está na agricultura: como organizar a produção de matérias-primas, em volumes sustentáveis e a custos competitivos. E isso não está sendo feito como deveria. Nem o será, certamente, por iniciativa da Petrobras, uma empresa mineral e industrial que não tem nada a ver com agricultura.

Raquel Faria - Jornal O Tempo - MG
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