BiodieselBR
Publicidade

Usina de Biodiesel completa cinco anos parada

Cinco anos depois, a usina está abandonada. No meio do caminho, um turbilhão de problemas, como falta de planejamento, escolha infeliz de parceiros e uma estratégia considerada arriscada
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Cinco anos depois, a usina está abandonada. No meio do caminho, um turbilhão de problemas, como falta de planejamento, escolha infeliz de parceiros e uma estratégia considerada arriscada

A ideia era excelente, investir em um combustível alternativo e ecológico. Apesar do assunto ser de competência de institutos de pesquisa ou do governo federal, nada impede que um Município gaste dinheiro na construção de uma usina de biodiesel, desde que  o projeto tenha aprovação do povo, representado pelos vereadores. E, o mais importante, que dê lucro.

Não foi isso o que aconteceu. Entre 2006 e 2008 a Prefeitura de Varginha investiu R$ 1,15 milhão em uma usina de biodiesel. Cinco anos depois, a usina está abandonada. No meio do caminho, um turbilhão de problemas, como falta de planejamento, escolha infeliz de parceiros e uma estratégia considerada arriscada: doar um terreno do Município para uma empresa de fora usar como garantir para um financiamento de R$ 11 milhões. A lei não foi aprovada pela Câmara. Os vereadores alegaram não haver certidões negativas da empresa nem documentos essenciais para a transação. A empresa foi embora e deixou uma montanha de dívidas na cidade.

O início
Mas os investimentos remontam ao início do governo do ex-prefeito Mauro Teixeira (PT). Em seu primeiro mandato ele tentou convencer os cafeicultores da região a plantarem mamona e girassol. Em alguns casos, a prefeitura conseguiu promover plantio partilhado de alimentos como feijão e mamona. O girassol foi plantado em um terreno preparado pela prefeitura, mas a semente da flor foi comida por maritacas.

A prefeitura alugou uma usina, devolvida em 2005. No ano seguinte, comprou uma usina por R$ 600 mil e construiu uma sede para o equipamento. De acordo com a prefeitura à época, o investimento da obra foi de R$ 150 mil. Depois que o imóvel estava pronto e a usina, adquirida, descobriu-se que uma prefeitura não pode ter licença da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A usina foi transferida para a iniciativa privada.

A empresa Ambra assumiu o empreendimento e anunciou investimentos da ordem de R$ 11 milhões. Mas o recurso seria obtido através de financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), repassados pelo Banco do Brasil. Para isso, seria necessário obter um terreno como garantia. A prefeitura tentou doar a área onde a usina está sediada, mas não obteve autorização dos vereadores. O ex-prefeito Mauro Teixeira disse que foi uma manobra política para prejudicá-lo. A Câmara justificou o voto contrário, afirmando que a empresa não possuía documentos necessários comprovando sua idoneidade, nem certidões negativas de débito.

No final de 2007, o empresário Alfredo Conde, diretor da Ambra abandonou o projeto. Contas não foram pagas e os bens da empresa foram arrestados pela Justiça. A dívida é de R$ 259.088,03 e a usina está abandonada. Somente uma empresa teve um prejuízo de R$ 160 mil. “Nós investimos, acreditamos, e eles foram embora. E não fomos os únicos a ter prejuízo”, diz o diretor da empresa.

Em 2008, durante a eleição, a prefeitura afirmou que a usina seria reativada ainda naquele ano, através da empresa Abdiesel. Foi alegado, à época, que faltava apenas a Justiça liberar os equipamentos, arrestados em ação judicial. O processo corre até hoje.

Usina abandonada
Cinco anos depois, a usina está abandonada

Fonte: Blog do Madeira - MG
Compartilhar:

Artigos relacionados