Cultivar algas não é difícil. Mas produzir o suficiente para conseguir
preços competitivos em relação aos combustíveis fósseis é o que impede
a maioria das empresas e pesquisadores de apostar nessa alternativa.
Cultivar algas não é difícil. Mas produzir o suficiente para conseguir preços competitivos em relação aos combustíveis fósseis é o que impede a maioria das empresas e pesquisadores de apostar nessa alternativa.
O CEO da Solazyme, Jonathan Wolfson, declarou na última quarta-feira que sua companhia estará apta a produzir milhões de litros de biocombustível de alga dentro de três anos.
O motivo pelo qual a Solazyme segue mais rápida que seus competidores é a opção por uma rota tecnológica bastante diferente, afirmou ele numa conferência com jornalistas da área. Segundo ele, sua empresa de biotecnologia desenvolveu um processo que não utiliza os equipamentos industriais existentes para fermentar e extrair óleo.
A maioria das companhias de alga planeja cultivar essa matéria-prima em biorreatores de vidro ou tanques abertos. Elas colhem o material e então extraem o óleo através de esmagamento.
Já a Solazyme cultiva uma espécie aprimorada de alga em tanques de grande porte, sem a presença de luz, alimentando-a com plantas. A alga é então fermentada e transformada em óleo, explica. O biodiesel da empresa recebeu recentemente a certificação para uso em carros a diesel e pode ser usado nas refinarias de petróleo atuais.
Para ampliar a produção, a empresa planeja construir ou arrendar uma usina nos próximos dois anos, visando iniciar a produção em escala comercial – na ordem dos milhões de litros por ano – em até três anos, disse Wolfson.
Ele acrescentou que as empresas que estão recorrendo exclusivamente aos processos de fotossíntese estão sendo muito otimistas quanto à área de terra necessária.
“Em nossa perspectiva, os números (produtividade das algas) estão excessivamente distantes da realidade, em alguns casos além das possibilidades teóricas”, disse Wolfson. Produzir até 25 mil litros de alga por hectare é realista, “mas você não vai ver 250 mil por ano tão cedo”.
Preços do carbono
A alga tem um potencial estupendo como matéria-prima para combustível. O maior desafio é produzir em larga escala, diz Jim McMillan, pesquisador na área de refino de biomassa no Laboratório Nacional de Energia Renovável dos EUA (NREL).
“Precisamos achar um modelo que possa ser reproduzido em grande escala. Uma vez definido esse modelo, nós podemos introduzir o padrão e colocá-lo em prática”, diz.
Apesar da Solazyme se considerar capaz de produzir combustível a preços competitivos já em três anos, MCMillan diz que é difícil determinar se vai levar cinco ou dez anos para a indústria do combustível de alga encontrar o caminho da produção em grande escala com viabilidade econômica.
Ele diz que o preço das emissões de carbono ainda não estão determinados na produção de biodiesel de alga e etanol celulósico – derivado de aparas de madeira, gramíneas ou resíduos agrícolas, como alternativa ao milho.
“Quando se trata do aspecto financeiro, você deve se perguntar como estamos determinando o preço do carbono”, diz.
Não há restrições federais relativas à poluição por carbono nos Estados Unidos no momento, apesar dos mercados de emissões de carbono já operarem na Europa e, a partir deste segundo semestre, no nordeste dos EUA. Espera-se que a regulação federal nas questões de clima seja definida durante o próximo mandato presidencial.
Mas mesmo sem um sinal claro dos preços do carbono, McMillan afirma que há várias usinas de etanol celulósico atualmente em operação nos EUA, representando cerca de 75 milhões de litros de etanol por ano – ou o equivalente a uma usina de etanol de milho.
O custo apresentado por essas usinas experimentais deve dar uma melhor noção de valores a produtores e investidores.
Clique aqui para ver fotos das pesquisas.
Martin LaMonica - CNET
Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com
Cultivar algas não é difícil. Mas produzir o suficiente para conseguir preços competitivos em relação aos combustíveis fósseis é o que impede a maioria das empresas e pesquisadores de apostar nessa alternativa.
O CEO da Solazyme, Jonathan Wolfson, declarou na última quarta-feira que sua companhia estará apta a produzir milhões de litros de biocombustível de alga dentro de três anos.
O motivo pelo qual a Solazyme segue mais rápida que seus competidores é a opção por uma rota tecnológica bastante diferente, afirmou ele numa conferência com jornalistas da área. Segundo ele, sua empresa de biotecnologia desenvolveu um processo que não utiliza os equipamentos industriais existentes para fermentar e extrair óleo.
A maioria das companhias de alga planeja cultivar essa matéria-prima em biorreatores de vidro ou tanques abertos. Elas colhem o material e então extraem o óleo através de esmagamento.
Já a Solazyme cultiva uma espécie aprimorada de alga em tanques de grande porte, sem a presença de luz, alimentando-a com plantas. A alga é então fermentada e transformada em óleo, explica. O biodiesel da empresa recebeu recentemente a certificação para uso em carros a diesel e pode ser usado nas refinarias de petróleo atuais.
Para ampliar a produção, a empresa planeja construir ou arrendar uma usina nos próximos dois anos, visando iniciar a produção em escala comercial – na ordem dos milhões de litros por ano – em até três anos, disse Wolfson.
Ele acrescentou que as empresas que estão recorrendo exclusivamente aos processos de fotossíntese estão sendo muito otimistas quanto à área de terra necessária.
“Em nossa perspectiva, os números (produtividade das algas) estão excessivamente distantes da realidade, em alguns casos além das possibilidades teóricas”, disse Wolfson. Produzir até 25 mil litros de alga por hectare é realista, “mas você não vai ver 250 mil por ano tão cedo”.
Preços do carbono
A alga tem um potencial estupendo como matéria-prima para combustível. O maior desafio é produzir em larga escala, diz Jim McMillan, pesquisador na área de refino de biomassa no Laboratório Nacional de Energia Renovável dos EUA (NREL).
“Precisamos achar um modelo que possa ser reproduzido em grande escala. Uma vez definido esse modelo, nós podemos introduzir o padrão e colocá-lo em prática”, diz.
Apesar da Solazyme se considerar capaz de produzir combustível a preços competitivos já em três anos, MCMillan diz que é difícil determinar se vai levar cinco ou dez anos para a indústria do combustível de alga encontrar o caminho da produção em grande escala com viabilidade econômica.
Ele diz que o preço das emissões de carbono ainda não estão determinados na produção de biodiesel de alga e etanol celulósico – derivado de aparas de madeira, gramíneas ou resíduos agrícolas, como alternativa ao milho.
“Quando se trata do aspecto financeiro, você deve se perguntar como estamos determinando o preço do carbono”, diz.
Não há restrições federais relativas à poluição por carbono nos Estados Unidos no momento, apesar dos mercados de emissões de carbono já operarem na Europa e, a partir deste segundo semestre, no nordeste dos EUA. Espera-se que a regulação federal nas questões de clima seja definida durante o próximo mandato presidencial.
Mas mesmo sem um sinal claro dos preços do carbono, McMillan afirma que há várias usinas de etanol celulósico atualmente em operação nos EUA, representando cerca de 75 milhões de litros de etanol por ano – ou o equivalente a uma usina de etanol de milho.
O custo apresentado por essas usinas experimentais deve dar uma melhor noção de valores a produtores e investidores.
Clique aqui para ver fotos das pesquisas.
Martin LaMonica - CNET
Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com