Mal o primeiro trimestre do ano acabou e a Agrenco se vê em uma situação complexa.
Mal o primeiro trimestre do ano acabou e a Agrenco se vê em uma situação complexa.
Quem acompanha a situação da Agrenco pôde imaginar que a companhia traçava um caminho seguro de recuperação financeira no início de 2010. As duas usinas da empresa estavam a ponto de começar a produzir. A Glencore havia se comprometido a aportar recursos para que a empresa fizesse os investimentos necessários. E seus papéis na Bolsa de Valores de São Paulo estavam sendo bem negociados. No entanto, mal o primeiro trimestre do ano acabou e a Agrenco se vê em uma situação complexa.
Em fevereiro, a Agrenco parecia pronta para colocar a usina de Alto Araguaia, no Mato Grosso, em funcionamento. O empreendimento tem capacidade de produção de 235 milhões de litros de biodiesel/ano. Na última quarta-feira a empresa veio a público informar que a nova previsão para que o Alto Araguaia comece a produzir é junho de 2010.
Antes disso o mercado já via sinais de que as coisas não estavam indo tão bem assim para a Agrenco. Parte da estratégia da empresa para ativar a usina era conseguir negociar o biodiesel a ser produzido no 17º leilão da ANP. No entanto, o credenciamento da unidade não pode ser feito e a usina ficou de fora do certame. Sem vender biodiesel a unidade também fica sem gerar receita.
No comunicado do dia 31 a Agrenco afirma que a usina está 93% concluída e que as obras atrasaram por conta das chuvas intensas registradas no início desse ano e do atraso no repasse de recursos. Uma análise mais cuidadosa desses dados aponta que o atraso no recebimento de recursos deve ter tido um peso maior na frustração dos planos da Agrenco, uma vez que a ocorrência de chuvas nos primeiros meses do ano no Mato Grosso dificilmente pode ser classificada como uma novidade. Historicamente os meses de novembro a fevereiro são os mais chuvosos da região, com média de precipitação de 198 mm.
As obras no Alto Araguaia vinham sendo embaladas pela entrada de recursos na companhia advindos da venda da usina de Marialva, no Paraná, para a BSBios. Mas teriam sido afetadas pela falta de aporte de recursos da Glencore.
Mesmo que a unidade tivesse conseguido se credenciar para o leilão, no entanto, a capacidade de venda da usina teria sido afetada pela recente decisão do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) que cancelou o selo Combustível Social da fábrica. Com isso, a Alto Araguaia fica limitada a negociar biodiesel no lote com apenas 20%. A punição, da qual a Agrenco já anunciou que recorreu, tem duração de um ano. Apesar de manter a decisão, o MDA em resposta abriu a possibilidade de que se tivesse sido apresentado um plano de novos arranjos com a agricultura familiar para 2010 poderia sair uma possível revisão da perda do selo.
Com as usinas paradas e sem produzir receitas, a Agrenco também perdeu em fevereiro outra fonte importante de recursos. A Comissão de Valores Mobiliário (CVM) cancelou, no dia 11 de fevereiro, o registro da empresa em razão do atraso na entrega de balanços referentes a 2008. A companhia afirma estar trabalhando para reverter a decisão o mais breve possível.
No meio de toda essa movimentação, a companhia está em pleno processo de transição. Na última semana o diretor-geral Marco Antonio de Modesti deixou o cargo e foi substituído pelo o ex-executivo da Votorantim, Valdenir Soares de Oliveira. A expectativa é que Oliveira passe alguns dias se interando da situação da companhia antes de se pronunciar sobre o assunto.
A história das dificuldades financeiras da Agrenco não é recente. No início de 2008 a companhia já enfrentava uma crise interna. A situação se agravou mais ainda depois que três acionistas controladores da empresa (Antonio Iafelice, Antônio Augusto Pires Jr. e Francisco Ramos) foram presos pela Polícia Federal na chamada Operação Influenza, suspeitos de ter cometido crimes de desvio de dinheiro da empresa, fraude de balanço e sonegação fiscal. No entanto, a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra eles foi rejeitada em junho de 2009. O MPF recorreu e teve nova derrota em novembro daquele ano.
Desde então a empresa tenta se reerguer. As dívidas da companhia são estimadas em R$ 1 bilhão. Depois de negociar com inúmeros grupos, a Agrenco acertou um acordo com a trading multinacional Glencore Importadora e Exportadora, que se tornou operadora estratégica de ativos da companhia no Brasil. Por outro lado, o mercado continua especulando a respeito da possibilidade da Glencore assumir o controle da empresa. Uma proposta nesse sentido deverá ser apresentada ao conselho da companhia até 30 de abril.
Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
Quem acompanha a situação da Agrenco pôde imaginar que a companhia traçava um caminho seguro de recuperação financeira no início de 2010. As duas usinas da empresa estavam a ponto de começar a produzir. A Glencore havia se comprometido a aportar recursos para que a empresa fizesse os investimentos necessários. E seus papéis na Bolsa de Valores de São Paulo estavam sendo bem negociados. No entanto, mal o primeiro trimestre do ano acabou e a Agrenco se vê em uma situação complexa.
Em fevereiro, a Agrenco parecia pronta para colocar a usina de Alto Araguaia, no Mato Grosso, em funcionamento. O empreendimento tem capacidade de produção de 235 milhões de litros de biodiesel/ano. Na última quarta-feira a empresa veio a público informar que a nova previsão para que o Alto Araguaia comece a produzir é junho de 2010.
Antes disso o mercado já via sinais de que as coisas não estavam indo tão bem assim para a Agrenco. Parte da estratégia da empresa para ativar a usina era conseguir negociar o biodiesel a ser produzido no 17º leilão da ANP. No entanto, o credenciamento da unidade não pode ser feito e a usina ficou de fora do certame. Sem vender biodiesel a unidade também fica sem gerar receita.
No comunicado do dia 31 a Agrenco afirma que a usina está 93% concluída e que as obras atrasaram por conta das chuvas intensas registradas no início desse ano e do atraso no repasse de recursos. Uma análise mais cuidadosa desses dados aponta que o atraso no recebimento de recursos deve ter tido um peso maior na frustração dos planos da Agrenco, uma vez que a ocorrência de chuvas nos primeiros meses do ano no Mato Grosso dificilmente pode ser classificada como uma novidade. Historicamente os meses de novembro a fevereiro são os mais chuvosos da região, com média de precipitação de 198 mm.
As obras no Alto Araguaia vinham sendo embaladas pela entrada de recursos na companhia advindos da venda da usina de Marialva, no Paraná, para a BSBios. Mas teriam sido afetadas pela falta de aporte de recursos da Glencore.
Mesmo que a unidade tivesse conseguido se credenciar para o leilão, no entanto, a capacidade de venda da usina teria sido afetada pela recente decisão do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) que cancelou o selo Combustível Social da fábrica. Com isso, a Alto Araguaia fica limitada a negociar biodiesel no lote com apenas 20%. A punição, da qual a Agrenco já anunciou que recorreu, tem duração de um ano. Apesar de manter a decisão, o MDA em resposta abriu a possibilidade de que se tivesse sido apresentado um plano de novos arranjos com a agricultura familiar para 2010 poderia sair uma possível revisão da perda do selo.
Com as usinas paradas e sem produzir receitas, a Agrenco também perdeu em fevereiro outra fonte importante de recursos. A Comissão de Valores Mobiliário (CVM) cancelou, no dia 11 de fevereiro, o registro da empresa em razão do atraso na entrega de balanços referentes a 2008. A companhia afirma estar trabalhando para reverter a decisão o mais breve possível.
No meio de toda essa movimentação, a companhia está em pleno processo de transição. Na última semana o diretor-geral Marco Antonio de Modesti deixou o cargo e foi substituído pelo o ex-executivo da Votorantim, Valdenir Soares de Oliveira. A expectativa é que Oliveira passe alguns dias se interando da situação da companhia antes de se pronunciar sobre o assunto.
A história das dificuldades financeiras da Agrenco não é recente. No início de 2008 a companhia já enfrentava uma crise interna. A situação se agravou mais ainda depois que três acionistas controladores da empresa (Antonio Iafelice, Antônio Augusto Pires Jr. e Francisco Ramos) foram presos pela Polícia Federal na chamada Operação Influenza, suspeitos de ter cometido crimes de desvio de dinheiro da empresa, fraude de balanço e sonegação fiscal. No entanto, a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra eles foi rejeitada em junho de 2009. O MPF recorreu e teve nova derrota em novembro daquele ano.
Desde então a empresa tenta se reerguer. As dívidas da companhia são estimadas em R$ 1 bilhão. Depois de negociar com inúmeros grupos, a Agrenco acertou um acordo com a trading multinacional Glencore Importadora e Exportadora, que se tornou operadora estratégica de ativos da companhia no Brasil. Por outro lado, o mercado continua especulando a respeito da possibilidade da Glencore assumir o controle da empresa. Uma proposta nesse sentido deverá ser apresentada ao conselho da companhia até 30 de abril.
Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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