O diesel que move alguns veículos está ficando mais limpo, com a adição
de biodiesel puro ao diesel fóssil. Embora seja renovável e resgate
carbono em seu ciclo, o biodiesel também leva a peculiaridades
em relação aos gases emitidos em sua queima, que geram componentes não
regulamentados e são prejudiciais à saúde.
O diesel que move alguns veículos está ficando mais limpo, com a adição de biodiesel puro ao diesel fóssil. Embora seja renovável e resgate carbono em seu ciclo, este biocombustível também leva a peculiaridades em relação aos gases emitidos em sua queima, que geram componentes não regulamentados e são prejudiciais à saúde.
É o que apresenta levantamentos feitos pelo pesquisador Sérgio Machado Corrêa, da Faculdade de Tecnologia e do Instituto de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ele aponta que demais compostos, não regulamentados, apresentam um aumento conforme cresce a adição do biocombustível, e podem ser prejudiciais à saúde. Alguns desses compostos como as carbonilas, resultantes da queima do oxigênio presente no biodiesel, que apresentam crescimento nas emissões em proporção semelhante a adição de biodiesel puro que o combustível recebeu. Ou seja, com 2% de biocombustível adicionado ao diesel, a emissão de carbonila cresce cerca de 2%.
O pesquisador afirma que o principal efeito do aumento das carbonilas é que elas reagem com nitrogênio atmosférico e luz solar, formando ozônio troposférico. Entretanto, quando está na primeira camada da atmosfera, se torna um poderoso poluente, provocando uma faixa de poluição roxa acinzentada, chamada smog, capaz de causar problemas respiratórios, irritação nos olhos.
Embora reconheça os benefícios do biodiesel, que reduz as emissões de gases poluentes devido ao ciclo das plantas, o pesquisador acredita que esses compostos devem receber mais atenção, pois alguns são responsáveis por doenças respiratórias e câncer. Uma adaptação dos motores, acredita, pode ser o caminho para a redução desses poluentes.
Emissões
Conforme dados da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), com base em dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), do Rio de Janeiro, a poluição do ar lidera, com 49%, o ranking de reclamações dos cariocas, seguido por poluição da água (20%), poluição sonora (15%) e outros problemas (16%). Nos grandes centros urbanos a qualidade do ar é resultado da concentração de gases tóxicos liberados pela frota de veículos, principalmente ônibus e caminhões a diesel, que produzem compostos de enxofre, extremamente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Justamente a mudança do perfil das emissões de gases com a adição de biodiesel puro ao diesel fóssil, motivou os estudos, diz Corrêa. “O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) continua, desde 1990, limitando a emissão de alguns gases, como dióxido de enxofre e monóxido de carbono, mas deixando de monitorar outros, tão perigosos quanto. Não teve grandes mudanças no perfil da fiscalização”, diz.
Os dados coletados em suas análises, por enquanto, não são utilizados para fiscalização, tendo unicamente fins acadêmicos e científicos. Corrêa considera necessário uma atenção maior a estes compostos que não estão regulamentados, os hidrocarbonetos aromáticos, carbonilas e mercaptanas, pois os mesmos podem oferecer riscos à saúde.
Investimentos em energia limpa e em energia renovável, com recursos públicos ou privados, são fundamentais para mudar o quadro, avalia o pesquisador. “Além disso, claro, o esforço de cada cidadão em manter seus veículos regulamentados, ajuda a não aumentar as estatísticas das reclamações do Inea".
Estudos
De acordo com o pesquisador, o foco das avaliações é entender como a migração dos combustíveis fósseis para os renováveis podem afetar a atmosfera. Os levantamentos consideraram os protocolos internacionais, os gases produzidos com motores novos e velhos, em circulação e em estado estacionário.
Mesmo que a participação dos veículos movidos a diesel, caminhões e ônibus, na frota brasileira seja de 14%, os mesmos percorrem distâncias maiores e o diesel também gera mais poluentes em relação aos demais combustíveis. Compostos de enxofre, que podem provocar vários problemas de saúde, são alvos de determinação do Conama por redução gradual. O enxofre, por outro lado, melhora a lubrificação do motor, o que proporciona melhor desempenho e durabilidade, diz o pesquisador. A abrupta retirada pode trazer danos e é onerosa, nesse ponto, a adição de biodiesel puro é uma solução mais viável, pois devolve a lubricidade, reduzindo o enxofre. Mas os motores mais modernos ainda não suportam grandes quantidades de biodiesel na mistura.
O pesquisador quantificou três grupos de poluentes emitidos na combustão das quatro misturas de biodiesel e os comparou com os emitidos na combustão do diesel. Um deles é formado por hidrocarbonetos aromáticos, cujo benzeno é o representante mais prejudicial por causar leucemia, teve redução em todas as quatro misturas estudadas.
O segundo grupo, mercaptanas, formado por quatro tipos de gases sulfurados (contém enxofre) que atacam o sistema respiratório, apresentou redução em todos os modelos, mas em proporções desiguais, ou seja, algumas misturas reduziram as emissões desses gases mais que outras.
O terceiro grupo de emissões, carbonilas, formado por cetonas e aldeídos, teve um significante aumento. Com exceção do benzaldeído, todos os outros compostos desse grupo aumentaram, com destaque para o formaldeído, o mais conhecido deles e que comprovadamente induz mutações no DNA, que podem levar ao câncer. Na mistura B20, por exemplo, o formaldeído teve um aumento de 40% em relação ao diesel. Além dos danos à saúde, na atmosfera esses compostos também podem degradar monumentos artísticos, plásticos, tecidos e plantas.
O estudo foi contemplado pelo programa Jovem Cientista do Nosso Estado da Faperj.
DAYANA AQUINO
Projeto Brasil
O diesel que move alguns veículos está ficando mais limpo, com a adição de biodiesel puro ao diesel fóssil. Embora seja renovável e resgate carbono em seu ciclo, este biocombustível também leva a peculiaridades em relação aos gases emitidos em sua queima, que geram componentes não regulamentados e são prejudiciais à saúde.
É o que apresenta levantamentos feitos pelo pesquisador Sérgio Machado Corrêa, da Faculdade de Tecnologia e do Instituto de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ele aponta que demais compostos, não regulamentados, apresentam um aumento conforme cresce a adição do biocombustível, e podem ser prejudiciais à saúde. Alguns desses compostos como as carbonilas, resultantes da queima do oxigênio presente no biodiesel, que apresentam crescimento nas emissões em proporção semelhante a adição de biodiesel puro que o combustível recebeu. Ou seja, com 2% de biocombustível adicionado ao diesel, a emissão de carbonila cresce cerca de 2%.
O pesquisador afirma que o principal efeito do aumento das carbonilas é que elas reagem com nitrogênio atmosférico e luz solar, formando ozônio troposférico. Entretanto, quando está na primeira camada da atmosfera, se torna um poderoso poluente, provocando uma faixa de poluição roxa acinzentada, chamada smog, capaz de causar problemas respiratórios, irritação nos olhos.
Embora reconheça os benefícios do biodiesel, que reduz as emissões de gases poluentes devido ao ciclo das plantas, o pesquisador acredita que esses compostos devem receber mais atenção, pois alguns são responsáveis por doenças respiratórias e câncer. Uma adaptação dos motores, acredita, pode ser o caminho para a redução desses poluentes.
Emissões
Conforme dados da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), com base em dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), do Rio de Janeiro, a poluição do ar lidera, com 49%, o ranking de reclamações dos cariocas, seguido por poluição da água (20%), poluição sonora (15%) e outros problemas (16%). Nos grandes centros urbanos a qualidade do ar é resultado da concentração de gases tóxicos liberados pela frota de veículos, principalmente ônibus e caminhões a diesel, que produzem compostos de enxofre, extremamente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Justamente a mudança do perfil das emissões de gases com a adição de biodiesel puro ao diesel fóssil, motivou os estudos, diz Corrêa. “O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) continua, desde 1990, limitando a emissão de alguns gases, como dióxido de enxofre e monóxido de carbono, mas deixando de monitorar outros, tão perigosos quanto. Não teve grandes mudanças no perfil da fiscalização”, diz.
Os dados coletados em suas análises, por enquanto, não são utilizados para fiscalização, tendo unicamente fins acadêmicos e científicos. Corrêa considera necessário uma atenção maior a estes compostos que não estão regulamentados, os hidrocarbonetos aromáticos, carbonilas e mercaptanas, pois os mesmos podem oferecer riscos à saúde.
Investimentos em energia limpa e em energia renovável, com recursos públicos ou privados, são fundamentais para mudar o quadro, avalia o pesquisador. “Além disso, claro, o esforço de cada cidadão em manter seus veículos regulamentados, ajuda a não aumentar as estatísticas das reclamações do Inea".
Estudos
De acordo com o pesquisador, o foco das avaliações é entender como a migração dos combustíveis fósseis para os renováveis podem afetar a atmosfera. Os levantamentos consideraram os protocolos internacionais, os gases produzidos com motores novos e velhos, em circulação e em estado estacionário.
Mesmo que a participação dos veículos movidos a diesel, caminhões e ônibus, na frota brasileira seja de 14%, os mesmos percorrem distâncias maiores e o diesel também gera mais poluentes em relação aos demais combustíveis. Compostos de enxofre, que podem provocar vários problemas de saúde, são alvos de determinação do Conama por redução gradual. O enxofre, por outro lado, melhora a lubrificação do motor, o que proporciona melhor desempenho e durabilidade, diz o pesquisador. A abrupta retirada pode trazer danos e é onerosa, nesse ponto, a adição de biodiesel puro é uma solução mais viável, pois devolve a lubricidade, reduzindo o enxofre. Mas os motores mais modernos ainda não suportam grandes quantidades de biodiesel na mistura.
O pesquisador quantificou três grupos de poluentes emitidos na combustão das quatro misturas de biodiesel e os comparou com os emitidos na combustão do diesel. Um deles é formado por hidrocarbonetos aromáticos, cujo benzeno é o representante mais prejudicial por causar leucemia, teve redução em todas as quatro misturas estudadas.
O segundo grupo, mercaptanas, formado por quatro tipos de gases sulfurados (contém enxofre) que atacam o sistema respiratório, apresentou redução em todos os modelos, mas em proporções desiguais, ou seja, algumas misturas reduziram as emissões desses gases mais que outras.
O terceiro grupo de emissões, carbonilas, formado por cetonas e aldeídos, teve um significante aumento. Com exceção do benzaldeído, todos os outros compostos desse grupo aumentaram, com destaque para o formaldeído, o mais conhecido deles e que comprovadamente induz mutações no DNA, que podem levar ao câncer. Na mistura B20, por exemplo, o formaldeído teve um aumento de 40% em relação ao diesel. Além dos danos à saúde, na atmosfera esses compostos também podem degradar monumentos artísticos, plásticos, tecidos e plantas.
O estudo foi contemplado pelo programa Jovem Cientista do Nosso Estado da Faperj.
DAYANA AQUINO
Projeto Brasil