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Recessão é ótima oportunidade para se pensar em formas de energia limpa

O que eu adoro nos EUA é que tem sempre alguém que não ficou sabendo, alguém que não entendeu que, em uma grande recessão, você deve se encolher, reduzir de tamanho e simplesmente segurar as pontas.
The New York Times 6 min de leitura
O que eu adoro nos EUA é que tem sempre alguém que não ficou sabendo –alguém que não entendeu que, em uma grande recessão, você deve se encolher, reduzir de tamanho e simplesmente segurar as pontas. Tenho alguns amigos assim, que acham que uma recessão é uma ótima época para tentar descobrir formas melhores e mais baratas de fazer as coisas. Os dois acontecem de ser americanos indianos –um é filho dos Himalaias, que veio aos EUA com uma bolsa e foi trabalhar para a Nasa para encontrar uma forma de ir para Marte; o outro é filho de Nova Déli, que veio para cá e encontrou a Sun Microsystems. Os dois são inovadores em série. Os dois agora estão pastoreando novas empresas de tecnologia limpa que têm o potencial de mudar as coisas. Eles não estão sabendo que é hora de se encolher. Simplesmente não entenderam assim.

Como resultado, um produziu uma célula de combustível que torna gás natural ou capim em eletricidade; e o outro tem uma tecnologia que pode tornar o carvão uma fonte de energia barata e limpa, produzindo tijolos com suas emissões de dióxido de carbono.

O que eu adoro nos EUA é que tem sempre alguém que não ficou sabendo –alguém que não entendeu que, em uma grande recessão, você deve se encolher, reduzir de tamanho e simplesmente segurar as pontas. Tenho alguns amigos assim, que acham que uma recessão é uma ótima época para tentar descobrir formas melhores e mais baratas de fazer as coisas. Os dois acontecem de ser americanos indianos –um é filho dos Himalaias, que veio aos EUA com uma bolsa e foi trabalhar para a Nasa para encontrar uma forma de ir para Marte; o outro é filho de Nova Déli, que veio para cá e encontrou a Sun Microsystems. Os dois são inovadores em série. Os dois agora estão pastoreando novas empresas de tecnologia limpa que têm o potencial de mudar as coisas. Eles não estão sabendo que é hora de se encolher. Simplesmente não entenderam assim.

Como resultado, um produziu uma célula de combustível que torna gás natural ou capim em eletricidade; e o outro tem uma tecnologia que pode tornar o carvão uma fonte de energia barata e limpa, produzindo tijolos com suas emissões de dióxido de carbono. Nosso país pode estar debilitado, mas como temos inovadores como esses, as pessoas nunca, nunca devem nos descartar.

Deixe-me apresentar Vinod Khosla e K.R. Sridhar. Khosla, co-fundador da Sun, saiu há vários anos para fundar novas empresas de energia. Atualmente, sua criança favorita é uma empresa chamada Calera, que começou com os estudos do professor de Stanford Brent Contantz sobre como os corais usam o CO2 para produzir seus “ossos” de carbonato de cálcio.

Se você combina CO2 com água do mar ou qualquer tipo de água salgada, você produz CaCo3, carbonato de cálcio, que não apenas é a estrutura dos corais, mas também a camada branca que aparece no seu chuveiro em regiões da água pesada (rica em cálcio). Em sua planta de demonstração perto de Santa Cruz, Califórnia, a Calera desenvolveu um processo que pegas as emissões de uma usina de energia movida a carvão ou gás e joga água do mar e naturalmente converte a maior parte do CO2 em carbonato de cálcio, que depois é seco e pode ser usado como cimento ou como agregados de concreto em pequenas bolas, para construção de paredes ou estradas –em vez de deixar as emissões de CO2 irem para a atmosfera e produzirem maior mudança climática.

Se isso puder ser feito em grande escala, eliminará a necessidade das caras instalações para sequestro de carbono projetadas junto com as usinas de carvão –e de fato pode tornar a noção de “carvão limpo”, que até agora era enganosa, em uma verdadeira possibilidade.

Ao anunciar em dezembro uma aliança para construir mais usinas Calera, Ian Copeland, presidente da Bechtel Renewables and New Technology –uma empresa de engenharia de ponta- disse: “A química e a física fundamentais do processo da Calera se baseiam em princípios científicos sólidos. Sua tecnologia e equipamentos podem ser integrados muito eficazmente às usinas de energia.”

Uma fonte diz que a gigantesca empresa de carvão Peabody vai anunciar um investimento na Calera na próxima semana. “Se isso funcionar, a energia com base no carvão pode se tornar mais do que 100% limpa. Não apenas deixará de emitir CO2, mas, ao produzir água limpa e cimento como subprodutos, também estará tirando da atmosfera todo o CO2 emitido na produção destes”, disse Khosla.

John Doerr, o lendário capitalista que financiou a Sun, disse sobre Khosla certa vez: “A melhor forma de levar Vinod a fazer alguma coisa é dizer para ele que é impossível.”

A empresa de Sridhar, Bloom Energy, foi assunto do programa “60 Minutes” da CBS na semana passada. Há sete meses, porém, Sridhar me levou a um estacionamento atrás da sede da Google no Vale do Silício e me mostrou sua Bloom Box, do tamanho de um pequeno contêiner. Dentro havia pilhas de células de combustível de óxido sólido, armazenadas em cilindros, e todo tipo de componentes eficientes que eu não entendi.

O que eu entendi, porém, era que a Google já estava tirando parte de sua energia limpa dessas células de combustível –e Wal-Mart, eBay, FedEx e Coca-Cola anunciaram que vão fazer o mesmo. Sridhar, co-fundador da Bloom disse que suas células de combustível, que podem usar gás natural ou biogás, podem gerar energia a US$ 0,08 ou US$ 0,10 por kilowatt hora, com os subsídios atuais. “Sabemos que podemos reduzir ainda mais o preço”, disse ele, “então a energia Bloom será acessível em todos os países pobres em energia”, o verdadeiro sonho de Sridhar.

Atenção: essas tecnologias terão que se provar confiáveis, duráveis e capazes de produção em grande escala –e se você pesquisá-las no Google, vai encontrar estudos dizendo que são promissoras e outros que duvidam. Só o que eu sei é o seguinte: se colocarmos um preço simples sobre o carbono, essas novas tecnologias terão uma chance de prosperar e milhares de outras sairão das garagens dos inovadores. Os EUA ainda têm a melhor cultura de inovação no mundo. Mas precisamos de políticas melhores para nutri-la, melhor infra-estrutura para capacitá-la e portas mais abertas para outros virem tentar.

Nossos políticos ficaram tão impossíveis ultimamente que muitos americanos pararam de sonhar. Não esses dois. Eles nunca entenderam isso. Como diz Sridhar: “Viemos para os EUA pelo sonho americano –para fazer o bem e ter sucesso”.

Thomas L. Friedman
Tradução: Deborah Weinberg
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