BERLIM – A alta incidência de impostos sobre o biodiesel vem tornando o produto caro demais para os motoristas alemães e a indústria de biodiesel do país deve operar em cerca de 50% da capacidade instalada em 2010. É o que diz Elmar Baumann, presidente da Associação das Indústrias de Biocombustíveis da Alemanha (VDO).

A estimativa é que a indústria alemã, dona da maior capacidade instalada da Europa (4,8 milhões de toneladas por ano), tenha fabricado apenas 2,5 milhões de toneladas de biodiesel em 2009 – menos que os 2,7 milhões produzidos em 2008.

“Nossa previsão é que teremos o mesmo índice de ociosidade em 2010”, disse Baumann à Reuters. “As perspectivas para o setor são pavorosas. Teremos mais fusões este ano, com mais usinas deixando o mercado”.

Cerca de metade das 49 usinas de biodiesel alemãs estão completamente paradas, e várias das unidades em atividade vêm operando bem abaixo da capacidade.

“Para se manterem viáveis, as usinas precisam trabalhar com 75% da capacidade. No longo prazo, é impossível continuarmos neste patamar”, diz o dirigente.

O governo alemão (eleito em setembro de 2009) anunciou a princípio que iria reduzir os impostos sobre os biocombustíveis para estimular as vendas, mas acabou decidindo apenas congelar as taxas atuais.

“Não é o bastante para estimular o mercado de B100 (postos de gasolina)”, disse Baumann. “A queda nas vendas de B100 em 2009 foi muito brusca. O simples congelamento das taxas não vai trazer uma melhora em 2010”.

A VDO estima que as vendas de biodiesel puro em postos de gasolina caíram para cerca de 200 mil toneladas no ano passado, contra cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2008 e um ápice de 1,8 milhão de toneladas de 2007, quando o aumento do imposto sobre o biodiesel tornou o preço do produto menos atraente.

A associação continua pressionando o governo por uma redução do imposto para que as vendas voltem a crescer, mas este ano a maior parte da produção deve ser puxada pelo mercado de mistura obrigatória.

O governo alemão também modificou uma das medidas previstas no plano para cortar emissões de gás carbônico, reduzindo de  6,75% para 6,25% o volume obrigatório de biocombustíveis que deve ser adicionado aos combustíveis fósseis em 2010.

Com a queda dramática nas vendas em postos de gasolina, o mercado de misturas passa agora a ser essencial para o setor de biodiesel do país, segundo Baumann.

Ele disse ainda que as empresas petrolíferas não gostam de trabalhar com pequenas remessas de biodiesel usando caminhões-tanque, preferindo grandes volumes transportados por trem ou balsas fluviais.

“Com isso, os produtores de biodiesel sem acesso fácil a rios, canais e ferrovias vêm encontrando grandes dificuldades para comercializar biodiesel para misturas”, diz Baumann. “O futuro dessas usinas está em questão”.

Reuters
Tradução BiodieselBR.com