Os produtores de biodiesel entregaram nesta quinta-feira (18) uma carta
à ANP manifestando a insatisfação com a mudança na sistemática dos
leilões, que mudou de presencial para eletrônico.
Os produtores de biodiesel entregaram nesta quinta-feira (18) uma carta à ANP manifestando a insatisfação com a mudança na sistemática dos leilões, que mudou de presencial para eletrônico. Nesta quinta-feira representantes das usinas participaram de uma reunião de treinamento na sede da agência reguladora, no Rio de Janeiro, para tirarem dúvidas a respeito da nova ferramenta. Cerca de 95% das usinas estavam presentes e puderam esclarecer questões sobre segurança e cadastramento. O clima, no entanto, foi mais de protesto do que de dúvidas. A opinião geral dos empresários é a de que essa modalidade não é a mais adequada para o setor nesse momento.
“O leilão eletrônico em si é uma boa opção, mas a ferramenta é inadequada, pois não contempla as condições asseguradas na própria portaria, ou seja, não dá isonomia para todos os participantes”, diz João Luiz Pessa, diretor da Cooperbio, de Cuiabá (MT). Ele espera que haja uma disputa maior no próximo leilão porque muitas usinas aumentaram sua capacidade produtiva. Nesse contexto, segundo ele, as usinas pequenas sairiam em desvantagem e o mercado pode se concentrar mais. “Uma grande usina poderá arrematar vários lotes pequenos, mas as usinas menores não terão acessão aos lotes maiores, que não podem ser divididos. Portanto, a ferramenta é muito perigosa para os pequenos produtores”, avalia.
Erasmo Battistella, diretor-superintendente da BSBios, de Passo Fundo (RS), vai além e diz que a ferramenta não é somente ruim para as pequenas usinas, mas para o setor como um todo. “A questão não é pelo fato do leilão ser eletrônico, mas é por ser uma ferramenta que deprecia muito o preço. É extremamente estressante para os produtores. Pode ser interessante para outros segmentos, mas não para o setor de combustível”, critica.
Pessa, da Cooperbio, espera que haja sensibilidade da agência para adiar para o 18º Leilão a introdução dessa nova modalidade. “Foi prematuro introduzir essas mudanças no 17º Leilão, com muita gente com dúvidas e pouco familiarizado com a ferramenta”, diz.
O superintendente responsável pela área de abastecimento da ANP não foi localizado para comentar o assunto. Em entrevista recente, o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, disse que as mudanças foram adotadas justamente para estimular a concorrência e assim reduzir o preço do biodiesel.
Desta vez o preço máximo de referência estipulado pela ANP para o litro do biodiesel (R$ 2,30) não foi alvo de críticas pelos produtores. “Dentro da atual conjuntura o preço está razoável, devido à expectativa de queda no preço da soja no período”, avalia Pessa.
Apesar da insatisfação dos vendedores de biodiesel, os leilões eletrônicos, introduzidos no setor público em 2000, representam uma das maiores revoluções na redução de custos e da corrupção dentro do Estado brasileiro. Diversos estudos de casos em órgãos públicos constatam as vantagens da nova sistemática. Em relação a concorrência presencial, usada nas últimas compras de biodiesel, os benefícios vão além do aumento da competitividade e a conseqüente queda dos preços, proporcionando também uma sensível desburocratização e muito mais segurança na compra do biodiesel.
A Ubrabio, entidade que representa as usinas de biodiesel, foi procurada para comentar sobre o assunto mas não se manifestou até a publicação deste texto.
Para o futuro Battistella diz que é urgente a necessidade de criar um grupo de trabalho para discutir a comercialização de biodiesel, com a presença do grupo interministerial do governo, dos produtores, da Petrobras e da ANP. “É preciso criar uma forma de comercialização do biodiesel que garanta o crescimento desse segmento tão importante para a economia. Precisamos saber também qual é o caminho do mercado de biodiesel no Brasil. Como e quando iremos para o B10 e o B20?”, questiona.
Alice Duarte - BiodieselBR.com
Os produtores de biodiesel entregaram nesta quinta-feira (18) uma carta à ANP manifestando a insatisfação com a mudança na sistemática dos leilões, que mudou de presencial para eletrônico. Nesta quinta-feira representantes das usinas participaram de uma reunião de treinamento na sede da agência reguladora, no Rio de Janeiro, para tirarem dúvidas a respeito da nova ferramenta. Cerca de 95% das usinas estavam presentes e puderam esclarecer questões sobre segurança e cadastramento. O clima, no entanto, foi mais de protesto do que de dúvidas. A opinião geral dos empresários é a de que essa modalidade não é a mais adequada para o setor nesse momento.
“O leilão eletrônico em si é uma boa opção, mas a ferramenta é inadequada, pois não contempla as condições asseguradas na própria portaria, ou seja, não dá isonomia para todos os participantes”, diz João Luiz Pessa, diretor da Cooperbio, de Cuiabá (MT). Ele espera que haja uma disputa maior no próximo leilão porque muitas usinas aumentaram sua capacidade produtiva. Nesse contexto, segundo ele, as usinas pequenas sairiam em desvantagem e o mercado pode se concentrar mais. “Uma grande usina poderá arrematar vários lotes pequenos, mas as usinas menores não terão acessão aos lotes maiores, que não podem ser divididos. Portanto, a ferramenta é muito perigosa para os pequenos produtores”, avalia.
Erasmo Battistella, diretor-superintendente da BSBios, de Passo Fundo (RS), vai além e diz que a ferramenta não é somente ruim para as pequenas usinas, mas para o setor como um todo. “A questão não é pelo fato do leilão ser eletrônico, mas é por ser uma ferramenta que deprecia muito o preço. É extremamente estressante para os produtores. Pode ser interessante para outros segmentos, mas não para o setor de combustível”, critica.
Pessa, da Cooperbio, espera que haja sensibilidade da agência para adiar para o 18º Leilão a introdução dessa nova modalidade. “Foi prematuro introduzir essas mudanças no 17º Leilão, com muita gente com dúvidas e pouco familiarizado com a ferramenta”, diz.
O superintendente responsável pela área de abastecimento da ANP não foi localizado para comentar o assunto. Em entrevista recente, o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, disse que as mudanças foram adotadas justamente para estimular a concorrência e assim reduzir o preço do biodiesel.
Desta vez o preço máximo de referência estipulado pela ANP para o litro do biodiesel (R$ 2,30) não foi alvo de críticas pelos produtores. “Dentro da atual conjuntura o preço está razoável, devido à expectativa de queda no preço da soja no período”, avalia Pessa.
Apesar da insatisfação dos vendedores de biodiesel, os leilões eletrônicos, introduzidos no setor público em 2000, representam uma das maiores revoluções na redução de custos e da corrupção dentro do Estado brasileiro. Diversos estudos de casos em órgãos públicos constatam as vantagens da nova sistemática. Em relação a concorrência presencial, usada nas últimas compras de biodiesel, os benefícios vão além do aumento da competitividade e a conseqüente queda dos preços, proporcionando também uma sensível desburocratização e muito mais segurança na compra do biodiesel.
A Ubrabio, entidade que representa as usinas de biodiesel, foi procurada para comentar sobre o assunto mas não se manifestou até a publicação deste texto.
Para o futuro Battistella diz que é urgente a necessidade de criar um grupo de trabalho para discutir a comercialização de biodiesel, com a presença do grupo interministerial do governo, dos produtores, da Petrobras e da ANP. “É preciso criar uma forma de comercialização do biodiesel que garanta o crescimento desse segmento tão importante para a economia. Precisamos saber também qual é o caminho do mercado de biodiesel no Brasil. Como e quando iremos para o B10 e o B20?”, questiona.
Alice Duarte - BiodieselBR.com
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