A primeira usina de biodiesel de esgoto do país já está operando. Especificação ainda é problema.
A primeira usina de biodiesel de esgoto do país já está operando, mas deverá ser inaugurada oficialmente apenas em maio no Centro de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (16) pelo diretor de produção e operação da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), Jorge Briard. A previsão inicial era que a usina entrasse em funcionamento em junho de 2009, mas, de acordo com a assessoria de imprensa do Cedae, por conta das Olimpíadas de 2016 foram priorizadas outras obras na cidade. Por ser um projeto patenteado, este deverá se tornar a primeira Central de Produção de Energias Alternativas do mundo a integrar geração de biodiesel, biogás, bio-óleo e biocarvão a partir do esgoto. “A usina já está produzindo há algum tempo, só falta mesmo a inauguração oficial”, diz Briard.
A unidade tem capacidade para produzir 150 litros por dia de biodiesel, ou 54 mil litros anuais. O biocombustível é utilizado para abastecer as máquinas da Cedae, como tratores, retro escavadeiras e geradores de ciclo diesel. Por enquanto a unidade vai utilizar a escuma do esgoto, que tem uma concentração de ácido graxo na faixa de 10%. Essa gordura é extraída por meio de solvente. A ETE Alegria também recebe outro tipo de gordura, proveniente de fossas e de caixas de gordura. Esse resíduo precisa passar por um processo prévio de desemulsificação, mas por enquanto só será utilizado na fabricação de energia numa segunda etapa. Os equipamentos para esse tipo de pré-tratamento ainda não foram adquiridos pelo Cedae.
O processo químico para a produção de bio-óleo e biocarvão (obtidos a partir da pirólise do lodo), ainda está na fase de testes. Segundo Briard ainda estão sendo feitos ajustes no sistema, tais como a regulagem de temperatura do reator e a dosagem ideal dos produtores químicos. O biogás, por sua vez, já está sendo produzido e utilizado na geração de energia elétrica da ETE Alegria.
Especificação técnica
O biodiesel será fabricado pelo processo de esterificação, que utiliza ácido graxo, catalisador ácido e álcool, gerando éster e água no final da reação química. Diferentemente do processo de transesterificação não há produção de glicerina. De acordo com Luciano Basto Oliveira, coordenador do projeto e pesquisador do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a dificuldade tem sido enquadrar o biodiesel de esgoto dentro da especificação da ANP. Como explica o pesquisador, os ésteres obtidos a partir dos insumos residuais possuem uma cadeia carbônica mais curta (abaixo de 14 carbonos) e, portanto, não são contabilizados no ensaio de teor de éster mínimo exigido pela agência reguladora. Ele pondera que o óleo diesel também tem uma cadeia curta e questiona a necessidade desse tipo de ensaio. “A gordura do esgoto não é triglicerídeo, é ácido graxo. Por que então avaliar o teor de éster? Precisamos de outro tipo de método para avaliar o biodiesel de insumos residuais”, diz o pesquisador, que tem uma audiência marcada com a ANP nos próximos dias para discutir essa questão. “Será que a norma que existe é boa o suficiente para qualquer tipo de matéria-prima?”, diz.
Mesmo com os gastos de pré-tratamento, o pesquisador acredita na viabilidade econômica do biodiesel de esgoto. “A tendência é gerar um biodiesel mais barato que outras fontes, já que o custo da matéria prima é zero. Por isso ele será capaz de competir com o preço do óleo diesel”, analisa Oliveira.
Ele informa que, com a quantidade de esgoto gerada no Brasil, há uma oferta de gorduras residuais na ordem de 230 milhões de litros ao ano. Isso é suficiente para abastecer 10% do mercado de biodiesel, considerando a vigência do B5. “Esse material é um resíduo, que se não for usado vai se decompor na natureza, contaminando o solo, os lençóis freáticos e a atmosfera”, diz.
Alice Duarte – BiodieselBR.com
A primeira usina de biodiesel de esgoto do país já está operando, mas deverá ser inaugurada oficialmente apenas em maio no Centro de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (16) pelo diretor de produção e operação da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), Jorge Briard. A previsão inicial era que a usina entrasse em funcionamento em junho de 2009, mas, de acordo com a assessoria de imprensa do Cedae, por conta das Olimpíadas de 2016 foram priorizadas outras obras na cidade. Por ser um projeto patenteado, este deverá se tornar a primeira Central de Produção de Energias Alternativas do mundo a integrar geração de biodiesel, biogás, bio-óleo e biocarvão a partir do esgoto. “A usina já está produzindo há algum tempo, só falta mesmo a inauguração oficial”, diz Briard.
A unidade tem capacidade para produzir 150 litros por dia de biodiesel, ou 54 mil litros anuais. O biocombustível é utilizado para abastecer as máquinas da Cedae, como tratores, retro escavadeiras e geradores de ciclo diesel. Por enquanto a unidade vai utilizar a escuma do esgoto, que tem uma concentração de ácido graxo na faixa de 10%. Essa gordura é extraída por meio de solvente. A ETE Alegria também recebe outro tipo de gordura, proveniente de fossas e de caixas de gordura. Esse resíduo precisa passar por um processo prévio de desemulsificação, mas por enquanto só será utilizado na fabricação de energia numa segunda etapa. Os equipamentos para esse tipo de pré-tratamento ainda não foram adquiridos pelo Cedae.
O processo químico para a produção de bio-óleo e biocarvão (obtidos a partir da pirólise do lodo), ainda está na fase de testes. Segundo Briard ainda estão sendo feitos ajustes no sistema, tais como a regulagem de temperatura do reator e a dosagem ideal dos produtores químicos. O biogás, por sua vez, já está sendo produzido e utilizado na geração de energia elétrica da ETE Alegria.
Especificação técnica
O biodiesel será fabricado pelo processo de esterificação, que utiliza ácido graxo, catalisador ácido e álcool, gerando éster e água no final da reação química. Diferentemente do processo de transesterificação não há produção de glicerina. De acordo com Luciano Basto Oliveira, coordenador do projeto e pesquisador do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a dificuldade tem sido enquadrar o biodiesel de esgoto dentro da especificação da ANP. Como explica o pesquisador, os ésteres obtidos a partir dos insumos residuais possuem uma cadeia carbônica mais curta (abaixo de 14 carbonos) e, portanto, não são contabilizados no ensaio de teor de éster mínimo exigido pela agência reguladora. Ele pondera que o óleo diesel também tem uma cadeia curta e questiona a necessidade desse tipo de ensaio. “A gordura do esgoto não é triglicerídeo, é ácido graxo. Por que então avaliar o teor de éster? Precisamos de outro tipo de método para avaliar o biodiesel de insumos residuais”, diz o pesquisador, que tem uma audiência marcada com a ANP nos próximos dias para discutir essa questão. “Será que a norma que existe é boa o suficiente para qualquer tipo de matéria-prima?”, diz.
Mesmo com os gastos de pré-tratamento, o pesquisador acredita na viabilidade econômica do biodiesel de esgoto. “A tendência é gerar um biodiesel mais barato que outras fontes, já que o custo da matéria prima é zero. Por isso ele será capaz de competir com o preço do óleo diesel”, analisa Oliveira.
Ele informa que, com a quantidade de esgoto gerada no Brasil, há uma oferta de gorduras residuais na ordem de 230 milhões de litros ao ano. Isso é suficiente para abastecer 10% do mercado de biodiesel, considerando a vigência do B5. “Esse material é um resíduo, que se não for usado vai se decompor na natureza, contaminando o solo, os lençóis freáticos e a atmosfera”, diz.
Alice Duarte – BiodieselBR.com
Tags
Esgoto