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Planta que dá origem a maconha é viável para biodiesel, diz estudo americano

Eles avaliam que a planta, conhecida como cannabis sativa, tem propriedades que a tornam uma opção atraente como matéria-prima de biodiesel.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Eles avaliam que a planta, conhecida como cannabis sativa, tem propriedades que a tornam uma opção atraente como matéria-prima de biodiesel.

Já é possível incluir entre as inúmeras utilidades do cânhamo, a produção de combustíveis renováveis. A conclusão é de um estudo de pesquisadores da Universidade de Connecticut. Eles avaliam que a planta, conhecida como cannabis sativa, tem propriedades que a tornam uma opção atraente como matéria-prima de biodiesel. O cânhamo é utilizado historicamente na obtenção de fibras para produção de tecidos e papel, mas o produto mais conhecido derivado da planta é a maconha, cuja venda é ilegal na maior parte do planeta.

Segundo o professor Richard Parnas, responsável pela pesquisa, a diferença entre a cannabis usada na indústria e a cultivada para extração da maconha é que a quantidade de psicoativos químicos encontrados em cada uma. O cânhamo contém menos de 1% desses produtos em suas flores, contra 22% da variedade usada para fins ilegais.

Para os pesquisadores de Connecticut, uma das vantagens do cânhamo é sua habilidade de crescer em terrenos inférteis, o que permite que as melhores terras sejam destinadas a produção de alimentos, defende Richard Parnas, professor de química, materiais e engenharia biomolecular que liderou o estudo.

“Na produção de biocombustíveis é usual que a questão da competição com a produção de alimentos surja”, explica Parnas, que aponta que o biodiesel produzido hoje no mundo vem principalmente de matérias-primas com finalidade alimentícia, como a soja, amendoim e colza. “É importante que se produza biocombustíveis tanto de matérias-primas que não tem finalidade alimentícia quanto de plantas que não exigem uso de terras de alta qualidade”, completa.

Apesar da polêmica em torno da maconha, o cânhamo tem sido uma cultura usual em partes da Europa e da Ásia. As fibras extraídas da planta são fortes e até o desenvolvimento de fibras sintéticas, nos anos 1950, eram a principal matéria-prima para produção de cordas e roupas.

Hoje ainda há regiões do mundo que dependem da Cannabis como principal fonte de fibras, especialmente porque a planta cresce em qualquer lugar, sem exigir muita água, fertilizantes ou grandes investimentos em tecnologia. No entanto as sementes – parte da planta que contém maior quantidade de óleo – são usualmente descartadas. Para Parnas, as sementes podem deixar de ser rejeitos para ser transformadas em combustível.

“Se alguém já está produzindo cânhamo, pode produzir combustível suficiente para fornecer energia elétrica para toda a fazenda a partir do óleo obtido das sementes”, defende. O fato é que o cânhamo industrial já existe, mas a implantação da produção de combustível a partir dele irá necessitar de alguns investimentos.

O grupo de pesquisadores de Parnas, que inclui estudantes de graduação e outros professores da universidade, usou óleo virgem de cânhamo para produzir biodiesel a partir do processo de transesterificação. Depois, o produto obtido foi submetido a testes no Laboratório de Biocombustíveis da Universidade de Connecticut.

Os resultados da pesquisa mostraram que o cânhamo teve uma alta taxa de conversão – 97% do óleo foi convertido em combustível. Além disso, testes de laboratório indicam que as propriedades do biodiesel obtido mostram que ele pode ser usado em baixas temperaturas e tem uso viável em qualquer mercado.

Cultivar cânhamo nos Estados Unidos é ilegal, mas Parnas acredita que os resultados da pesquisa podem ajudar a incentivar a produção de biodiesel de cânhamo em outras partes do mundo. A Universidade de Connecticut registrou a patente de um sistema de produção de biodiesel que pode ser configurado para produzir combustível a partir de uma variedade de matérias-primas, inclusive cânhamo.

“Nossa pesquisa pode fazer com que a compra do sistema mais atraente”, diz Parnas. “Com os dados de diferentes matérias-primas podemos preparar o sistema para atender às necessidades do cliente”, completa.

O professor Parnas e seus colegas estão se preparando para construir uma usina piloto de biodiesel. O projeto será financiado pelo Departamento de Energia e receberá US$ 1,8 milhões em investimentos. A usina terá capacidade de produzir 900 mil litros de biodiesel por ano, uma produção pequena se comparada a usinas comerciais, mas a principal função da indústria será testar novas formas de fazer combustível, inclusive novos catalisadores e matérias-primas. A equipe do professor Parnas também irá estudar a viabilidade econômica e comercial do projeto.

Tradução: BiodieselBR.com
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