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PE: falta matéria-prima para usinas

Apesar de haver em Pernambuco duas usinas já prontas para operar e uma terceira para ser entregue em meados do ano que vem, hoje a produção de biodiesel é quase nula por falta de matéria-prima.
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Apesar de haver em Pernambuco duas usinas já prontas para operar e uma terceira para ser entregue em meados do ano que vem, hoje a produção de biodiesel é quase nula por falta de matéria-prima.

Apesar de haver em Pernambuco duas usinas já prontas para operar e uma terceira para ser entregue em meados do ano que vem, hoje a produção de biodiesel é quase nula por falta de matéria-prima. Estima-se que para atender a atual demanda do B3 (3% de biodiesel ao diesel), que desde 1º de julho deste ano passou a ser obrigatório, seriam necessários 60 mil hectares plantados para culturas oleaginosas, como a mamona. Mas de acordo com o IBGE, existem menos que 10 mil hectares. A questão foi discutida ontem durante o seminário Biodiesel: fonte de energia das oleaginosas em Pernamuco, promovido pela Academia Pernambucana de Ciência Agronômica (APCA).

Em Pernambuco, existe uma usina no município de Caetés e outra em Pesqueira. Uma terceira está em fase de instalação em Serra Talhada. Além destas usinas que foram construídas com recursos públicos, há estudos para construção de mais três usinas, pela iniciativa privada, em São José do Belmonte, Araripina e Petrolina.

"Mesmo assim, Pernambuco não tem condições de fazer teste para produzir biodiesel em escala industrial por falta de matéria-prima", diz Ana Rita Drummond, coordenadora técnica do Programa Probiodiesel em Pernambuco e também coordenadora do laboratório de fluidos do Itep.

A usina de Caetés é um projeto piloto, com capacidade de produção de 2 mil litros por dia. O que sai de lá serve para pesquisas em uma frota de ônibus que roda em Garanhuns. A de Pesqueira, bem como a de Serra Talhada, tem fins comerciais, e uma capacidade de 10 mil litros/dia. Em Pesqueira, o programa de biodiesel vem se desenrolando desde 2004. Mas dos 7,5 mil hectares esperados, apenas 300 hectares estão em produção de mamona, segundo Ana Navaes, pesquisadora do Grupo de Psquisa Reforma Agrária e Desenvolvimento Sustentável (Grades) da UFRPE.

"Se houvesse entrega das sementes no período certo, assistência técnica à agricultura familiar e inclusão da produção de mamona nos programas garantia de safra, o programa de biodiesel estaria bem mais avançado", diz Navaes. Para Drummond, o problema está ainda na diversificação das culturas. "Os agricultores foram motivados apenas para o plantio da mamona, quando se fossem consorciadas com o cultivo de algodão e amendoim, ou mesmo com outras apostas, como a cultura do pinhão-manso, os ganhos dos agricultores seriam maiores", diz.

Mirella Falcão
Diário de Pernambuco - PE
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