Os primeiros resultados do uso de biodiesel puro em Curitiba têm sido
positivos em alguns aspectos e negativos em outros
Os primeiros resultados do uso de biocombustível puro em ônibus de Curitiba, que se intitula cidade pioneira na América Latina na adoção do sistema, têm sido positivos pelo aspecto ambiental e negativos em relação a custos e viabilidade, por enquanto. Os seis veículos em teste emitem 30% menos monóxido de carbono e 25% menos fumaça na comparação com o diesel. O custo, porém, fica 27,2% maior e a diferença tem de ser bancada pelo poder público, que registra queda no número de passageiros no sistema de transporte coletivo. O déficit é de R$ 1,6 milhão.
A tecnologia à base de soja, intitulada B-100, foi implantada em agosto de 2009 na Linha Verde e seu desempenho será avaliado até fevereiro do próximo ano. O B-100 é a sexta alternativa testada na capital, desde 1995. O indicativo de que esse novo estudo irá adiante é que pela primeira vez as fabricantes dos veículos estão participando do processo, diz o gestor da área de inspeção e cadastro da Urbs, Élcio Luiz Karas.
Segundo o gestor, os resultados têm se mostrado positivos e os temores iniciais não se concretizaram. Temia-se que o biocombustível gerasse falhas no sistema de injeção devido às baixas temperaturas de Curitiba e à contaminação no óleo lubrificante. “Se fosse apresentar qualquer problema, ele já estaria ocorrendo nessa quilometragem”, afirma Karas.
Na última terça-feira, o estudo iniciou uma nova fase. Os seis veículos testados praticamente quadruplicaram a quantidade de quilômetros rodados por mês. De 2.750 km passaram para 8 mil a 10 mil km, que é o regime normal de operação de um ônibus. A Urbs planeja, dentro de 60 a 90 dias, ampliar a frota para 11 ônibus rodando com a energia limpa. Isso será avaliado nas reuniões feitas com os parceiros, como Scania, Volvo, Tecpar, Redentor e Cidade Sorriso.
Gasto maior
Se Curitiba adotar o sistema B-100, os gastos devem ser maiores, devido à necessidade de renovação da frota e ao custo dos insumos. O litro do biocombustível totalmente à base de soja usado pela Urbs custa R$ 2,20 e é adquirido junto a uma usina do Rio Grande do Sul, a BSBios. A mesma quantidade de diesel sai por R$ 1,73 (diferença de 27,2%). Além disso, o biocombustível tem apresentado um poder de queima um pouco menor e rendido 1,35 km por litro. No diesel, o rendimento é de 1,37 km com um litro.
A diferença de preço é subsidiada pelo poder público. “Aplicar o biocombustível para todo o sistema se tornaria oneroso”, admite Karas, gestor da Urbs. A expectativa é que no futuro haja mais oferta no mercado e redução nos impostos por parte do governo federal, o que reduziria o preço do combustível.
O pesquisador do departamento de Química da Universidade Federal do Paraná, Luiz Pereira Ramos, afirma que os benefícios são maiores. “Os benefícios sociais e ambientais são insondáveis, embora tenha uma aparente fragilidade na viabilidade econômica. Se o governo, a Vigilância Sanitária, os órgãos da saúde pública e a Previdência Social quantificarem as vantagens de uma população menos exposta a emissões tóxicas do diesel, indiscutivelmente (o biocombustível) traz vantagens muito grandes”, afirma.
O assessor da Secretaria de Assuntos Estratégicos Décio Gazzoni, especialista em agroenergia, afirma que esse é um preço que a sociedade terá de pagar para as vantagens ambientais. De acordo com ele, a produção de biodiesel gera ainda mais empregos. “A questão social também é importante.”
Sistema opera com déficit
O transporte coletivo de Curitiba tem um déficit de R$ 1.600.989,34, de acordo com a Urbs, que gerencia o sistema. O dado é de 1.° de junho e oscila a cada dia, explica o órgão. Esse valor chegou a R$ 9,2 milhões em setembro de 2009 e caiu para R$ 6 milhões em novembro do ano passado. O déficit significa que o número de deslocamentos de passageiros tem ficado abaixo do previsto. De janeiro a novembro de 2009, por exemplo, foram aproximadamente 14,2 milhões de deslocamentos a menos do que a previsão da Urbs.
No início do ano passado, o afastamento de usuários foi atribuído ao reajuste da passagem de R$ 1,90 para R$ 2,20, ocorrido em janeiro, e à crise econômica internacional. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros novos, medida adotada para combater a crise, teria contribuído para estimular o transporte individual, em detrimento do transporte coletivo.
O pior resultado foi registrado em agosto, no auge da pandemia da gripe A (H1N1), quando a população foi orientada a evitar aglomerações. Naquele mês, o valor correspondente a cerca de 3,5 milhões de passagens deixou de ingressar no caixa.
Bruna Maestri Walter
Gazeta do Povo - PR
Os primeiros resultados do uso de biocombustível puro em ônibus de Curitiba, que se intitula cidade pioneira na América Latina na adoção do sistema, têm sido positivos pelo aspecto ambiental e negativos em relação a custos e viabilidade, por enquanto. Os seis veículos em teste emitem 30% menos monóxido de carbono e 25% menos fumaça na comparação com o diesel. O custo, porém, fica 27,2% maior e a diferença tem de ser bancada pelo poder público, que registra queda no número de passageiros no sistema de transporte coletivo. O déficit é de R$ 1,6 milhão.
A tecnologia à base de soja, intitulada B-100, foi implantada em agosto de 2009 na Linha Verde e seu desempenho será avaliado até fevereiro do próximo ano. O B-100 é a sexta alternativa testada na capital, desde 1995. O indicativo de que esse novo estudo irá adiante é que pela primeira vez as fabricantes dos veículos estão participando do processo, diz o gestor da área de inspeção e cadastro da Urbs, Élcio Luiz Karas.
Segundo o gestor, os resultados têm se mostrado positivos e os temores iniciais não se concretizaram. Temia-se que o biocombustível gerasse falhas no sistema de injeção devido às baixas temperaturas de Curitiba e à contaminação no óleo lubrificante. “Se fosse apresentar qualquer problema, ele já estaria ocorrendo nessa quilometragem”, afirma Karas.
Na última terça-feira, o estudo iniciou uma nova fase. Os seis veículos testados praticamente quadruplicaram a quantidade de quilômetros rodados por mês. De 2.750 km passaram para 8 mil a 10 mil km, que é o regime normal de operação de um ônibus. A Urbs planeja, dentro de 60 a 90 dias, ampliar a frota para 11 ônibus rodando com a energia limpa. Isso será avaliado nas reuniões feitas com os parceiros, como Scania, Volvo, Tecpar, Redentor e Cidade Sorriso.
Gasto maior
Se Curitiba adotar o sistema B-100, os gastos devem ser maiores, devido à necessidade de renovação da frota e ao custo dos insumos. O litro do biocombustível totalmente à base de soja usado pela Urbs custa R$ 2,20 e é adquirido junto a uma usina do Rio Grande do Sul, a BSBios. A mesma quantidade de diesel sai por R$ 1,73 (diferença de 27,2%). Além disso, o biocombustível tem apresentado um poder de queima um pouco menor e rendido 1,35 km por litro. No diesel, o rendimento é de 1,37 km com um litro.
A diferença de preço é subsidiada pelo poder público. “Aplicar o biocombustível para todo o sistema se tornaria oneroso”, admite Karas, gestor da Urbs. A expectativa é que no futuro haja mais oferta no mercado e redução nos impostos por parte do governo federal, o que reduziria o preço do combustível.
O pesquisador do departamento de Química da Universidade Federal do Paraná, Luiz Pereira Ramos, afirma que os benefícios são maiores. “Os benefícios sociais e ambientais são insondáveis, embora tenha uma aparente fragilidade na viabilidade econômica. Se o governo, a Vigilância Sanitária, os órgãos da saúde pública e a Previdência Social quantificarem as vantagens de uma população menos exposta a emissões tóxicas do diesel, indiscutivelmente (o biocombustível) traz vantagens muito grandes”, afirma.
O assessor da Secretaria de Assuntos Estratégicos Décio Gazzoni, especialista em agroenergia, afirma que esse é um preço que a sociedade terá de pagar para as vantagens ambientais. De acordo com ele, a produção de biodiesel gera ainda mais empregos. “A questão social também é importante.”
Sistema opera com déficit
O transporte coletivo de Curitiba tem um déficit de R$ 1.600.989,34, de acordo com a Urbs, que gerencia o sistema. O dado é de 1.° de junho e oscila a cada dia, explica o órgão. Esse valor chegou a R$ 9,2 milhões em setembro de 2009 e caiu para R$ 6 milhões em novembro do ano passado. O déficit significa que o número de deslocamentos de passageiros tem ficado abaixo do previsto. De janeiro a novembro de 2009, por exemplo, foram aproximadamente 14,2 milhões de deslocamentos a menos do que a previsão da Urbs.
No início do ano passado, o afastamento de usuários foi atribuído ao reajuste da passagem de R$ 1,90 para R$ 2,20, ocorrido em janeiro, e à crise econômica internacional. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros novos, medida adotada para combater a crise, teria contribuído para estimular o transporte individual, em detrimento do transporte coletivo.
O pior resultado foi registrado em agosto, no auge da pandemia da gripe A (H1N1), quando a população foi orientada a evitar aglomerações. Naquele mês, o valor correspondente a cerca de 3,5 milhões de passagens deixou de ingressar no caixa.
Bruna Maestri Walter
Gazeta do Povo - PR