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Novo método de purificação da glicerina terá uso em escala industrial

A fábrica terá capacidade para purificar 20 mil toneladas ao ano de glicerina e tem previsão de entrar em operação no segundo semestre de 2010.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
A fábrica terá capacidade para purificar 20 mil toneladas ao ano de glicerina e tem previsão de entrar em operação no segundo semestre de 2010.

O novo processo de purificação da glicerina – desenvolvido pelo Centro de Tecnologia Industrial (Cetind), do sistema Fieb-Senai da Bahia – está prestes a entrar em produção comercial. A transformação em larga escala do produto será feita pela Copenor, Companhia Petroquímica do Nordeste, empresa do ramo petroquímico que recentemente assinou um protocolo de intenções com o governo do Estado da Bahia. A empresa ganhará diferimento de ICMS para instalar uma unidade de purificação no pólo industrial de Camaçari. A fábrica terá capacidade para purificar 20 mil toneladas ao ano de glicerina e tem previsão de entrar em operação no segundo semestre de 2010.

“Grande parte das instalações e equipamentos já estão prontos. Estamos em fase de detalhamento do projeto para terminar as instalações”, diz o presidente da empresa, João Bezerra. Ao todo serão investidos US$ 10 milhões no projeto e segundo o executivo, com mais metade desse valor será possível duplicar a capacidade produtiva. A unidade tem potencial para absorver toda a produção de glicerina das usinas no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, num raio de 1.000 quilômetros.

Nos dois primeiros anos de funcionamento, a empresa calcula que 70% da produção seja destinada ao mercado externo, pois o mercado nacional ainda não tem condições de absorver toda a glicerina. Os maiores consumidores do produto são os Estados Unidos e a Europa. Segundo Bezerra, a empresa está negociando com o governo da Bahia a criação de incentivos fiscais para atrair as grandes indústrias do setor de cosméticos para a região, que utilizam a glicerina como matéria-prima.

O executivo lembra que a glicerina bruta da produção de biodiesel não pode ser usada diretamente para quase nada, pois tem vários resíduos, como catalisadores, metanol e cinzas. “Hoje ela é um passivo ambiental. Por isso esse projeto tem um apelo ambiental muito forte. Também queremos consolidar com isso a química verde, porque até então trabalhávamos somente com produtos fósseis, como o gás natural”, diz. 

Inovação
O desenvolvimento do novo método de purificação da glicerina foi anunciado em julho deste ano, quando foram concluídos os estudos em escala piloto. No mês de maio a Coopenor já havia assinado um acordo de transferência de tecnologia com o Senai para a utilização desse processo em sua planta industrial. O diferencial da tecnologia é que não é necessário utilizar destilação à pressão reduzida, tampouco a neutralização do meio via agentes químicos. A vantagem em relação ao método tradicional de purificação é que não há uma degradação da glicerina, que é recuperada no final do processo com um grau de pureza que varia de 90 a 99,9%.

Essa pesquisa recebeu na última semana o Prêmio Abiquim de Tecnologia, da Associação Brasileira da Indústria Química.  “Pela primeira vez a Abiquim premia um profissional ligado à Federação das Indústrias, o que mostra o perfeito alinhamento da entidade com o setor privado, dando suporte de qualidade às demandas industriais”, diz Rogério Rodrigues, um dos autores do estudo. De acordo com ele, a patente para o processo em escala industrial será depositada ainda este mês.

O novo processo de purificação promete agregar valor à enorme quantidade de glicerina gerada do processo de fabricação do biodiesel. Com o B5 entrando em vigor em janeiro, a indústria de biodiesel produzirá cerca de 230 mil toneladas do produto ao ano.

Alice Duarte - BiodieselBR.com
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