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Novas resoluções da EPA: má notícia para o biodiesel nos EUA

Com as novas resoluções da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), divulgadas na última terça-feira, o biodiesel de soja não atenderá às exigências
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Com as novas resoluções da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), divulgadas na última terça-feira, o biodiesel de soja não atenderá às exigências

Com as novas resoluções da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), divulgadas na última terça-feira, o biodiesel de soja não atenderá às exigências de redução na emissão de gases estufa.

Segundo produtores, essas resoluções podem inviabilizar a produção de biodiesel em quantidade suficiente para atender à demanda gerada pela mistura obrigatória no país, que chegará a 3,8 bilhões de litros por ano até 2012. 

De acordo com a lei de regulamentação energética de 2007, para ser incluído nas misturas obrigatórias o biodiesel deve gerar 50% menos emissões que o diesel convencional. A EPA creditou ao biodiesel derivado da soja uma redução de apenas 22%.

O congresso americano havia encarregado a EPA de estimar a pegada de carbono dos biocombustíveis e considerar o impacto sobre o uso da terra da destinação de matérias-primas usadas na alimentação – caso do milho e da soja – para a produção de biocombustíveis. A tese é que o uso de commodities alimentares como combustível pode aumentar as emissões de gases estufa, uma vez que o plantio teria de avançar sobre áreas de mata e campo para manter a produção mundial de alimentos em níveis adequados.

Há também metas de emissão para o etanol, mas as usinas de etanol de milho já existentes ficaram isentas de cumpri-las, o que não aconteceu com as usinas de biodiesel nas mesmas condições.

“Eles vão ter que mudar (as resoluções), a não ser que queiram dar um passo atrás na produção de diesel com baixo teor de carbono”, diz Michael Frohlich, porta-voz do Conselho Nacional de Biodiesel dos Estados Unidos.

Para o economista Bruce Babcock, da Iowa State University, pode ser possível atender às exigências misturando-se o biodiesel de soja com o biodiesel derivado de gorduras animais e residuais. Na análise da EPA, o biodiesel derivado dessas gorduras possui uma pegada de carbono bem menor que a do biodiesel de soja, uma vez que essas matérias-primas não são usadas na alimentação. O biodiesel de gorduras residuais (como o óleo de cozinha usado) reduz as emissões em até 80%, segundo a EPA.

“É possível produzir, no máximo, cerca de 1,5 bilhão de litros de biodiesel por ano a partir de gorduras animais e residuais [nos Estados Unidos]”, diz Frohlich.
Lisa Jackson, diretora da EPA, já anunciou que as análises da agência serão revisadas por cientistas antes de serem consideradas definitivas. Ela afirmou que existem “caminhos” para que o biodiesel atenda às exigências para uso em misturas obrigatórias.

A referida legislação energética exige também que as refinarias utilizem quantidades cada vez maiores de biocombustível a cada ano, até que o consumo atinja 140 bilhões de litros em 2022. Já o decreto que determina o uso de biodiesel em misturas obrigatórias começa a vigorar este ano, criando uma demanda de 1,9 bilhões de litros, que deve dobrar até 2012.

As resoluções da EPA não poderiam vir em pior hora para o setor de biodiesel americano, que já sofreu o baque da imposição de pesadas taxas sobre seu produto subsidiado na União Européia. Além disso, analistas dizem que não é lucrativo produzir biodiesel de soja com os atuais preços do diesel convencional.

Para avaliar o impacto sobre o uso da terra, a EPA está recorrendo, em parte, à ajuda de economistas da Iowa State University. Uma das principais dúvidas dos analistas é até que ponto a produção de soja está causando desmatamentos no Brasil, aumentando as emissões de gases estufa. 

Babcock, que nesta quarta-feira discursou perante uma comissão do congresso americano, disse que ainda não é possível saber se os desmatamentos no Brasil vêm sendo causados em maior grau pelo aumento da área destinada à criação de gado ou pela expansão dos plantios de soja.

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Tradução e adaptação BiodieselBR.com
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