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Nadando contra a maré, Petrobras segue investindo na mamona

Tanto do ponto de vista econômico como social o desafio de viabilizar a mamona no mercado de biodiesel tem sido grande e até agora infrutívero para as usinas
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Mesmo com inúmeros entraves, a Petrobras segue com incentivos à cultura da mamona no Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Bahia e Minas Gerais. Tanto do ponto de vista econômico como social o desafio de viabilizar a mamona no mercado de biodiesel é grande. Além da baixa produtividade – e conseqüentemente pouca oferta – e dos altos preços da mamona, o setor de biodiesel também concorre com a consolidada indústria ricinoquímica, mercado que atualmente tem absorvido toda a produção. Na outra ponta, prestar assistência técnica e mobilizar a agricultura familiar tem demandado tempo e investimentos da estatal, que ainda precisa lutar para minimizar os traumas e a desconfiança dos produtores rurais, causados pelas quebras de contratos com outra empresa da região.

O relatório “O Brasil dos Agrocombustíveis – impactos das lavouras sobre terra, meio e sociedade”, da ONG Repórter Brasil, questiona se a opção da estatal pela mamona e outras culturas da agricultura familiar irão se sustentar em longo prazo. “Os altos investimentos em uma cultura instável, onerosa e de pequena expressão no mercado nacional podem gerar questionamentos, uma vez que a Petrobras é uma empresa de capital misto”, afirma o documento.

Na comparação com a soja – matéria-prima que representa 80% da produção nacional de biodiesel e que deve ocupar este ano cerca de 21,5 milhões de hectares – o óleo de mamona está muito longe de ser competitivo. Em abril, a tonelada de óleo de soja chegou a custar R$ 1,6 mil, contra R$ 4,1 mil o óleo da mamona. Diante desses revezes, a oleaginosa praticamente desapareceu da indústria de biodiesel em 2008. A estimativa da Conab de plantio da mamona este ano é de 150 mil ha, contra 160 mil ha no ano passado.

A Petrobras defende os investimentos na oleaginosa como sendo uma estratégia para garantir suprimentos no médio e longo prazo. “O desafio é enorme, mas acredito que em cinco anos possamos atingir um equilíbrio econômico”, disse o gerente de suprimentos da Petrobras no Ceará, Paulo Roberto Moreira Dias, à ONG Repórter Brasil.

Mesmo com o desejo da Petrobras de que o avanço na cadeia produtiva aconteça, a estrutura de organização dos movimentos e cooperativas ainda é muito frágil, conforme apurou a entidade. Isso dificulta o fechamento de contratos, que são feitos de forma individual com cada produtor.

Falhas
Tanto na Bahia como no Ceará, de acordo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), os agricultores receberam sementes de má qualidade da Petrobras e dos governos estaduais, entregues fora do tempo de plantio, o que prejudicou a produção, de acordo com o relatório. A ONG ouviu denúncias das entidades, que afirmaram que a assistência técnica também tem sido problemática, insuficiente e falha.

Os contratos de compra de produção da usina de Quixadá, incluem fornecimento de sementes de mamona, milho e feijão (culturas alimentares plantadas em consórcio), manejo do solo, assistência técnica e logística (a estatal deverá buscar a produção no campo). Segundo o documento, os agricultores do Estado fizeram acordo com a empresa, mas acabaram vendendo a maior parte da mamona para a indústria química, que estava oferecendo um preço melhor. Diante da situação de insegurança, a estatal resolveu modificar as regras da parceria: estendeu os contratos de um para cinco anos e ofereceu um preço mínimo – a média dos últimos 36 meses mais 10% –, ou o pagamento do preço de mercado como teto.

No passado alguns especialistas acreditaram que o biodiesel faria o preço do óleo de mamona cair e com isso viabilizar a produção do biocombustível. Mas com a estimativa de uma área plantada para este ano menor que no ano passado, o preço do óleo de mamona continuará nos padrões pagos pela indústria ricinoquímica e manterá longe as demais usinas de biodiesel desta oleaginosa.

Alice Duarte - BiodieselBR.com
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