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Mudança no leilão surpreende usinas

A mudança nos leilões de biodiesel da ANP, que deixarão de ser presenciais para novamente se tornarem eletrônicos, pegou as usinas de surpresa.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
A mudança nos leilões de biodiesel da ANP, que deixarão de ser presenciais para novamente se tornarem eletrônicos, pegou as usinas de surpresa.

A mudança nos leilões de biodiesel da ANP, que deixarão de ser presenciais para novamente se tornarem eletrônicos, pegou as usinas de surpresa.

A portaria nº 50 do Ministério de Minas e Energia, publicada ontem (02) no Diário Oficial da União, estabeleceu o retorno do mecanismo de comercialização inicialmente aplicado na fase do programa em que o uso do biodiesel era autorizado, não obrigatório. No 6º e 7º leilões em novembro de 2007, últimos a utilizaram a modalidade eletrônica, houve forte deságio no preço do biodiesel e muitas usinas tiveram problemas financeiros quando a cotação do óleo de soja disparou.

“Acho que é um retrocesso ao programa de biodiesel. Isso é voltar a um modelo que já provou que não deu certo, e pior, sem manter o diálogo que o governo vinha mantendo com o setor”, diz Erasmo Battistella, diretor superintendente da BSBios. A União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio) também informou que não foi procurada pelo governo para debater as mudanças. “Isso é muito ruim. Pegou todo o setor de surpresa”, diz Battistella. Outros representantes de usinas foram procurados pela reportagem para comentar o assunto, mas preferiram aguardar a publicação do edital, para ver como vai funcionar a nova ferramenta.

O governo justifica que foi preciso aprimorar o modelo de comercialização. “Vimos que o modelo anterior estava começando a se exaurir, com deságios cada vez menores e concentração das ofertas”, diz o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles. O pregão eletrônico, segundo ele, é uma recomendação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) por ser mais moderno e eficiente. O governo espera que a partir de agora a competição entre as usinas seja maior, resultando num preço mais competitivo para o biodiesel. “Hoje o setor está bem mais maduro, as empresas estão mais sólidas, os custos, a operacionalização e o fornecimento do biodiesel estão constantes”, ressalta.

Dornelles justifica que desta vez não houve necessidade de consultar o setor produtivo. “O leilão eletrônico é uma ferramenta consagrada e largamente utilizada pelo governo. É um aprimoramento da sistemática, não é um fato novo. Se fosse algo inédito iríamos promover um amplo debate, como tem sido feito até então”, diz o diretor.

O edital do leilão deverá ser publicado na semana que vem. A expectativa é que o governo reaplique a mesma ferramenta que foi utilizada no passado, com regras similares.

Dornelles diz que é compreensível a expectativa dos usineiros, mas tranqüiliza os que pensam em uma reedição do trauma vivido pela indústria no primeiro semestre de 2008. “Naquela época [do 6º e 7º leilões], o problema não foi causado pela sistemática da modalidade eletrônica, mas pelas condições adversas do mercado naquele momento”, diz Dornelles, que completa: “não teria porque o governo prejudicar os produtores”.

Alice Duarte - BiodieselBR.com
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