Mesmo que o índice de adição do biodiesel ao diesel permaneça em 5% nos
próximos dez anos, o consumo desse biocombustível deve aumentar
Mesmo que o índice de adição do biodiesel ao diesel permaneça em 5% nos próximos dez anos, o consumo desse biocombustível deve aumentar 67,36% de 2010 a 2019. A conclusão é do Plano Decenal de Expansão de Energia, divulgado esta semana pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Com a expansão, a produção ocuparia 88,15% da capacidade de produção instalada hoje no Brasil.
A expansão se deve ao aumento do consumo de diesel prevista pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no período. Em média, os dados apontam que o mercado de biodiesel terá uma crescimento de 7,48% ao ano a partir de 2011, superior a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2010, que está em 6,06%. “Durante o período decenal, verifica-se que a capacidade instalada não será um fator restritivo para atendimento da demanda”, aponta o documento.
A EPE também estima que as regiões Norte e Sudeste continuarão a ser as únicas do país cuja produção de biodiesel não atende à demanda interna. No Norte, o déficit é estimado em 57,7 milhões de litros em 2010 e deve subir para 207 milhões de litros em 2019. Já o Sudeste terá o déficit ampliado de 362,5 milhões de litros em 2010 para 989,7 milhões de litros em 2019.
Apesar do crescimento acentuado da demanda por biodiesel, a EPE aponta que a produção de óleo de soja deve evoluir na mesma proporção. Com isso o óleo de soja deve permanecer como principal matéria-prima da indústria. “Outros insumos, tais como gordura animal, dendê, mamona e algodão, provavelmente serão utilizados como insumos complementares, sem, no entanto, alterar significativamente as porcentagens do mix atual”, prevê o documento.
Em termos de custo, no entanto, a manutenção da soja como principal matéria-prima do biodiesel não é uma boa notícia para os produtores. O relatório da EPE aponta que a oleaginosa produzirá o segundo biodiesel mais caro do país. Em preço por litro, só o óleo de girassol será mais caro que a soja. O custo do combustível feito a partir de sebo vem logo atrás, com o terceiro maior preço.
Segundo a EPE, a matéria-prima mais promissora em termos de custo é a borra, ou seja, os resíduos do processo de refino de óleos vegetais. O biodiesel produzido a partir dela teria, segundo a pesquisa, um preço por litro na casa do R$ 1,50 em 2019. A borra é a única matéria-prima cujo preço final do biodiesel fica abaixo do preço projetado do litro do diesel mineral. A EPE destaca, no entanto, que apesar de promissora, essa matéria-prima é um subproduto e terá “sua quantidade estará sempre limitada àquela do produto principal”.
O estudo conclui que o preço elevado das matérias-primas do biodiesel aponta para uma perspectiva de manutenção do atual patamar de adição de biodiesel ao diesel. Pelos dados da EPE, caso o B20 fosse implantado no Brasil até 2019, o consumo de biodiesel seria de 16,8 bilhões de litros, o que equivale a 2,6 vezes a capacidade de produção autorizada hoje no Brasil.
Mas o relatório aponta que será difícil o país aumentar o percentual sem uma mudança na matriz de produção. “Uma das condições necessárias ao uso do biodiesel em percentuais superiores ao estabelecido em lei é a viabilidade financeira desta iniciativa, que é influenciada fortemente pelos preços das matérias-primas. Um cenário de preços de insumos elevados com expectativa de manutenção deste patamar no curto e médio prazos, associados à previsão de preços menos elevados do petróleo, desestimulam o uso de biodiesel no Brasil além do mandatório.”
Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
Mesmo que o índice de adição do biodiesel ao diesel permaneça em 5% nos próximos dez anos, o consumo desse biocombustível deve aumentar 67,36% de 2010 a 2019. A conclusão é do Plano Decenal de Expansão de Energia, divulgado esta semana pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Com a expansão, a produção ocuparia 88,15% da capacidade de produção instalada hoje no Brasil.
A expansão se deve ao aumento do consumo de diesel prevista pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no período. Em média, os dados apontam que o mercado de biodiesel terá uma crescimento de 7,48% ao ano a partir de 2011, superior a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2010, que está em 6,06%. “Durante o período decenal, verifica-se que a capacidade instalada não será um fator restritivo para atendimento da demanda”, aponta o documento.
A EPE também estima que as regiões Norte e Sudeste continuarão a ser as únicas do país cuja produção de biodiesel não atende à demanda interna. No Norte, o déficit é estimado em 57,7 milhões de litros em 2010 e deve subir para 207 milhões de litros em 2019. Já o Sudeste terá o déficit ampliado de 362,5 milhões de litros em 2010 para 989,7 milhões de litros em 2019.
Apesar do crescimento acentuado da demanda por biodiesel, a EPE aponta que a produção de óleo de soja deve evoluir na mesma proporção. Com isso o óleo de soja deve permanecer como principal matéria-prima da indústria. “Outros insumos, tais como gordura animal, dendê, mamona e algodão, provavelmente serão utilizados como insumos complementares, sem, no entanto, alterar significativamente as porcentagens do mix atual”, prevê o documento.
Em termos de custo, no entanto, a manutenção da soja como principal matéria-prima do biodiesel não é uma boa notícia para os produtores. O relatório da EPE aponta que a oleaginosa produzirá o segundo biodiesel mais caro do país. Em preço por litro, só o óleo de girassol será mais caro que a soja. O custo do combustível feito a partir de sebo vem logo atrás, com o terceiro maior preço.
Segundo a EPE, a matéria-prima mais promissora em termos de custo é a borra, ou seja, os resíduos do processo de refino de óleos vegetais. O biodiesel produzido a partir dela teria, segundo a pesquisa, um preço por litro na casa do R$ 1,50 em 2019. A borra é a única matéria-prima cujo preço final do biodiesel fica abaixo do preço projetado do litro do diesel mineral. A EPE destaca, no entanto, que apesar de promissora, essa matéria-prima é um subproduto e terá “sua quantidade estará sempre limitada àquela do produto principal”.
O estudo conclui que o preço elevado das matérias-primas do biodiesel aponta para uma perspectiva de manutenção do atual patamar de adição de biodiesel ao diesel. Pelos dados da EPE, caso o B20 fosse implantado no Brasil até 2019, o consumo de biodiesel seria de 16,8 bilhões de litros, o que equivale a 2,6 vezes a capacidade de produção autorizada hoje no Brasil.
Mas o relatório aponta que será difícil o país aumentar o percentual sem uma mudança na matriz de produção. “Uma das condições necessárias ao uso do biodiesel em percentuais superiores ao estabelecido em lei é a viabilidade financeira desta iniciativa, que é influenciada fortemente pelos preços das matérias-primas. Um cenário de preços de insumos elevados com expectativa de manutenção deste patamar no curto e médio prazos, associados à previsão de preços menos elevados do petróleo, desestimulam o uso de biodiesel no Brasil além do mandatório.”
Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
Tags
Crescimento