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Mil trabalhadores entram com ação contra Brasil Ecodiesel pedindo R$ 99 milhões

Está tramitando na 62ª Vara do Trabalho, em São Raimundo Nonato, no sul do Piauí, a maior ação de pedidos de indenização e de pagamentos de salários e direitos trabalhistas na história do Piauí
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Está tramitando na 62ª Vara do Trabalho, em São Raimundo Nonato, no sul do Piauí, a maior ação de pedidos de indenização e de pagamentos de salários e direitos trabalhistas na história do Piauí

Está tramitando na 62ª Vara do Trabalho, em São Raimundo Nonato, no sul do Piauí, a maior ação de pedidos de indenização e de pagamentos de salários e direitos trabalhistas na história do Estado, a de mil trabalhadores exigindo cerca de R$ 99 milhões da empresa Brasil Ecodiesel, que começou a plantar mamona em sua Fazenda Santa Clara, em Canto do Buriti (405 km de Buriti), em 2004, para a produção de biodiesel.

Os trabalhadores entraram com ações na Justiça, a maioria defendida pelo advogado e ambientalista Judson Barros, alegando que deixaram de receber indenização de R$ 9 mil em caso de quebra de contrato, e que desde 2005 não recebem o salário mínimo, como tinha sido prometido quando tinham sido recrutados em Canto do Buriti, em Flores do Piauí, outros municípios da região e até em cidades do Maranhão, para trabalhar na limpeza da área de plantio de mamona e feijão.

Mais trabalhadores podem entrar com ações na Justiça pedindo R$ 99 mil cada um. Um dos líderes do movimento em ingresso na Justiça do Trabalho contra a Brasil Ecodiesel, Miguel Dias de Andrade, o Guel, que tem um histórico em ingresso com ações contra a empresa e até um prisão por seguranças em 2006 por protestar contra o despejo de famílias que não estavam dentro do perfil produtivo, recebe todos os dias em sua casa na fazenda Santa Clara de cinco a oito trabalhadores para aderirem às ações trabalhistas.

Miguel Dias de Andrade afirmou que era pedreiro em Canto do Buriti e em 2004 foi procurar obras na fazenda Santa Clara e foi convencido a trabalhar porque, na época, a emprega pagava R$ 250 por mês, R$ 10 a mais do que o valor do que o salário mínimo.

“Em 2004, quando começou o projeto, nós ganhamos um casa, recebíamos R$ 10 a mais do que o salário mínimo, cestas com alimentos e tínhamos que limpar a área plantada de mamona para a colheitadeira passar em nove hectares que seriam nossos no prazo de 10 anos. Era o paraíso, mas isso só demorou um ano”, declarou Miguel Dias de Andrade.

Miguel Dias de Andrade lembra que em março de 2005 os trabalhadores passaram a receber R$ 150 por mês e a cesta básica com alimentos. Atualmente, os trabalhadores ganham R$ 160 por mês e a cesta básica.

A base da ação trabalhista é que os trabalhadores são empregados assalariados da Brasil Ecodiesel e não parceiros do empreendimento, como quer a própria empresa.

O coordenador da Brasil Ecodiesel, Uilson Menezes, afirma que a área da Fazenda Santa Clara de plantio de mamona e feijão e residências é de 5 mil hectares.
Segundo ele, atualmente a área de plantio de mamona é de 1.278 hectares. “As mamonas estão bonitas”, adiantou. Na contabilidade de Uilson Menezes são 639 famílias parceiras. Os funcionários da Brasil Ecodiesel são 85 trabalhando na própria sede da fazenda.

A fazenda é dividida por células produtivas, cada uma com 35 famílias, declarou Uilson Menezes.

O supervisor agrícola da Brasil Ecodiesel, Antônio Filho, declarou que a empresa começou a implantar o projeto em 2003, mas os parceiros começaram a chegar em 2004, quando ocorreu a inauguração no mês de março.

Antônio Filho afirmou que a empresa nunca deixou de produzir mamona. A produção era direcionada para a fábrica de óleo biodiesel em Floriano, que suspendeu a produção.

“Os parceiros não recebem um salário. A empresa dá um adiantamento mensal da safra da mamona. É R$ 160 por mês, correspondente a 3 mil quilos de mamona por ano. Eles recebem 12 parcelas de R$ 160”, declarou Uilson Menezes.

Antônio Filho disse que os parceiros não são assalariados. “São 600 famílias e ainda a gente não sabe quantas ações. Estamos sabendo de 300 ações. A primeira audiência foi dia 7 de fevereiro”, declarou Antônio Filho.

FALTAM 4 ANOS PARA QUE AS FAMÍLIAS SEJAM DONAS DAS TERRAS HOJE OCUPADAS PELA BRASIL ECODIESEL
Os trabalhadores da fazenda Santa Clara deixam claro que não sair das terras que ocupam, de 9 hectares para cada família, porque quando o projeto completar 10 anos, eles receberão as terras, que já foram a fazenda Cajunorte, um projeto fracassado de plantio de caju financiado pela Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste).

Ademar de Sousa disse que entrou com ação na Justiça esperando ganhar pelo menos R$ 40 mil.

“Chegamos aqui e nunca ganhamos 13º salário, férias e o salário foi reduzido para R$ 160, queremos o restante que faltou e está acumulado”, declarou Ademar de Sousa Silva.

Efrém Ribeiro
De Canto Buriti
Fonte: Meio Norte - PI
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