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Matérias-primas inusitadas são testadas como fonte para biodiesel

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) concluiu duas pesquisas para a utilização de sementes inusitadas na produção de biocombustíveis.
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A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) concluiu duas pesquisas para a utilização de sementes inusitadas na produção de biocombustíveis.

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) concluiu duas pesquisas para a utilização de sementes de melão e mamão na produção de biocombustíveis. A pesquisa, realizada pelo Laboratório de Pesquisa em Bioenergia e Síntese Orgânica (LPBS), atesta a viabilidade de utilização destas fontes no processo produtivo, os resultados são similares aos biocombustíveis produzidos de fontes convencionais e são mais baratos.

As sementes de mamão são ótimas fontes para a produção, já que seu desempenho é similar a outros biocombustíveis. A Paraíba produz, em média, 50 mil toneladas por ano e é o quinto estado com maior produção de mamão, a casca da fruta pode servir como alimento para animais e a fruta em si é alimento humano, mas ainda não há setores da economia do estado que invistam na pesquisa que, atualmente, é financiada pelo CNPq.

Entre as vantagens, a questão econômica é a que mais se destaca. Além de serem gerados a partir de fontes renováveis e poluírem menos que os combustíveis fósseis, com o desenvolvimento de biocombustíveis é possível gerar renda, como afirma o professor Petrônio Athayde Filho, coordenador da pesquisa. "As vantagens estão na área econômica, social e ambiental. E principalmente na questão econômica, já que o governo pretende reduzir a importação de combustíveis fósseis."

Professor Athayde faz demonstração colocando biodiesel de mamão no motor Foto:Fabyana Mota/ON/D.A Press

Embora o Brasil tenha declarado autossuficiência na produção do petróleo em 2006, isto não significa que o país deixe de importar. O petróleo brasileiro é mais pesado do que o exigido pelas refinarias nacionais, por isso, para abastecer o mercado interno de produção de diversos derivados, como a gasolina, diesel, a nafta, lubrificantes e querosene de aviação, é preciso importar. Após dois choques de petróleo na década de 70, a inserção de alternativas para os combustíveis fósseis se tornou ainda mais importante.

Outras fontes
O Brasil se destacou na introdução de biocombustíveis em sua matriz energética, mas recebeu diversas críticas. A produção de biocombustíveis utiliza gêneros alimentícios, como a cana e a soja, e ocupa áreas que poderiam ser dedicadas para o abastecimento da população. Cientes de que "não é racional utilizar comida para queimar em motores", como destaca o professor Petrônio, o LPBS busca outras fontes. "Desenvolvemos pesquisas com fontes não convencionais, já que as mais utilizadas são fontes alimentícias. Nosso objetivo é pesquisar fontes alternativas que não tirem o alimento da população para produzir o biocombustível", esclarece.

Janaine Aires
O Norte - PB
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