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Forças Armadas querem que EUA utilizem mais energia renovável

Os Fuzileiros Navais estão testando um sistema movido a luz solar para purificar água e estudando a possibilidade de criar pequenas usinas de biodiesel móveis que possam produzir combustível a partir de produtos locais.
BiodieselBR.com 7 min de leitura
Os Fuzileiros Navais estão testando um sistema movido a luz solar para purificar água e estudando a possibilidade de criar pequenas usinas de biodiesel móveis que possam produzir combustível a partir de produtos locais.

 Com o aumento de ataques de insurgentes contra comboios de transporte de combustíveis americanos na região montanhosa de Khyber Pass, no Afeganistão, as Forças Armadas americanas passaram a defender agressivamente o desenvolvimento, uso e implantação de combustíveis renováveis para reduzir a necessidade de se transportar combustíveis fósseis.

Na semana passada, uma empresa da Califórnia ligada aos Fuzileiros Navais chegou ao planalto irregular de Helmand Province com um carregamento singular: painéis solares portáteis, lâmpadas que economizam energia, tendas solares que fornecem sombra e eletricidade, carregadores solares para computadores e equipamentos de comunicação.

A companhia 150 dos Fuzileiros Navais, 30º Batalhão, será a primeira a levar tecnologia de combustíveis renováveis para a zona de batalha, no qual o novo equipamento irá substituir diesel e querosene na geração de energia para manter o acampamento funcionando.

Enquanto o Congresso tem sofrido sem sucesso para tentar aprovar uma lei para energias renováveis e muitos estados americanos tem segurado a concessão de incentivos para o setor por causa da recessão que assola o país, as Forças Armadas tem investido para levar o uso de combustíveis renováveis adiante. Depois de uma década conduzindo guerras em lugares remotos do mundo onde os combustíveis não estão facilmente disponíveis, comandantes militares começam a ver que o excesso de dependência de combustíveis fósseis como uma desvantagem. E as tecnologias renováveis – que começam a se tornar mais confiáveis e menos caras que no passado – como uma potencial solução para o problema.

Combustíveis renováveis hoje respondem por apenas uma pequena porcentagem da energia usada pelas Forças Armadas, mas os líderes militares planejam expandir rapidamente o uso dessa tecnologia na próxima década.

No Iraque e no Afeganistão, os grandes comboios de caminhões que transportam combustíveis para bases militares são vistos como alvos fáceis para os inimigos. No último ataque caminhões-tanque que transportavam combustíveis para a Otan no Afeganistão foram incendiados em Rawalpindi, Paquistão, na manhã da última segunda-feira. No Iraque e Afeganistão, um estudo conduzido pelas Forças Armadas descobriu que a cada 24 comboios de combustível, um soldado ou civil envolvido no transporto é morto. Nos últimos seis meses, seis fuzileiros navais ficaram feridos tentando proteger caminhões-tanque no Afeganistão.

“Há muitas razões para aumentar o uso de combustíveis renováveis, mas para nós essa é uma questão de cunho prático”, explica o secretário da Marinha, Ray Mabus, que defende o uso de 50% de energia renovável em instalações da Marinha e dos Fuzileiros Navais até 2020. Isso inclui combustíveis para prover energia para as bases, bem como para carros e navios.

“Combustíveis fósseis são o principal produto que importamos do Afeganistão e proteger esse combustível é o que impede as tropas de estar fazendo o que eles deveriam estar fazendo aqui, que é lutar e conquistar a população local”, defende Mabus.

Mabus e outros especialistas também defendem que o uso de energia renovável deve aprimorar a segurança nacional uma vez que os combustíveis fósseis em geral vem de lugares instáveis politicamente e a possibilidade de redução nos estoques mundiais é uma potencial fonte de conflito internacional.

Combustíveis fósseis representam de 30 a 80% dos carregamentos transportados por americanos no Afeganistão, o que provoca aumento de custos, assim como de riscos. Enquanto as Forças Armadas compram combustível por um pouco mais que US$ 1 por galão, transportar esse mesmo galão de combustível para algumas das bases do Exército pode custar até US$ 400.

Enquanto a política nacional de energia exige que o Congresso debata e aprove novas diretrizes, os comandantes das Forças Armadas podem simplesmente ordenar a adoção de fontes renováveis de energia. E os militares tem poder econômico para criar produtos e mercados para suas necessidades. Isso, no entanto, pode transformar a energia renovável em produtos mais práticos e baratos para o uso na vida civil também.

Ano passado, a Marinha apresentou seu primeiro navio híbrido, classe Wasp, chamado USS Makin Island, que funciona a energia elétrica e combustível fóssil, um sistema que garante a economia de 900 mil galões de combustível numa viagem entre o Mississipi e San Diego. Já a Força Aérea terá toda sua frota certificada para voar com biocombustíveis até 2011. Aeronaves militares já voaram usando combustível B50. A Marinha já recebeu um primeiro lote de combustível feito a partir de algas. Biocombustíveis podem, em teoria, ser produzidos de material bruto, como plantas que podem estar disponíveis próximo aos campos de batalha.

A preocupação com a dependência das Forças Armadas de combustíveis fósseis começou em 2006, no Iraque, quando Richard Zilmer, na época o comandante militar americano no Leste do Iraque, mandou um comunicado para Washington sugerindo que o uso de tecnologia renovável poderia evitar mortes no campo de batalha. A mensagem de Zilmer impulsionou a realização de novas pesquisas, mas a pressão para resultados aumentou a partir do momento que as Forças Armadas passou a se concentrar no Afeganistão, um país com pouco combustível disponível e fontes escassas de energia elétrica.

O combustível utilizado por tropas americanas no Afeganistão é enviado para Karachi, no Paquistão, onde é carregado em comboios de 50 a 70 veículos, que o transportam para as bases centrais. Outros comboios menores seguem para acampamentos menores. A meta dos Fuzileiros Navais é fazer com que essas bases periféricas possam se sustentar por conta própria a partir de fontes renováveis de energia, especialmente a partir de energia solar, que pode ser produzida a partir do próprio campo.

Para o Exército americano, há vantagens táticas no uso de combustíveis renováveis em aeronaves e navios. “Toda vez que se reduz a necessidade de um navio seguir até um base de reabastecimento você cria uma vantagem”, diz Mabus. Segundo ele, a Marinha tem sido pioneira no uso de energia renovável no Estados Unidos.

O uso de energias alternativas também traz vantagens financeiras. O sistema que será utilizado pela Compania I irá custar de USD 50 mil a USD 70 mil. Um único gerador diesel custa centenas de milhares de dólares. Mas como o transporte de combustível fóssil para as bases militares custa centenas de dólares, o investimento em outras fontes de energia rapidamente é compensado.

Como as Forças Armadas tem implantado o uso de energia renovável rapidamente, muita da tecnologia utilizada atualmente é a que já está disponível para uso comercial ou foi adaptada para uso no campo de batalha a partir de processos já usados na vida civil.

As Forças Armadas convidaram indústrias do setor de energia renovável para apresentar seus produtos a comandantes militares na última primavera. Uma pequena parte dos projetos apresentados foram selecionados para mais testes que irão verificar sua utilidade no campo de batalha. A meta é verificar se, por exemplo, sistemas de resfriamento conseguem lidar com temperaturas acima de 120 graus e se painéis de energia solar não podem tornar tendas em acampamentos militares alvos fáceis para os inimigos.

Neste verão, a tecnologia que vem sendo testada pelos militares tem se mostrado capaz de fornecer energia para computadores, residências e a maior parte do equipamento necessário em um campo base do Exército no deserto de Mojave – mas não foi capaz de fornecer toda a energia necessária para operação dos sistemas mais sofisticados de vigilância.

Entre as tecnologias que estão sendo testadas está um sistema experimental de resfriamento que usa as baixas temperaturas encontradas em certas profundidades do solo para resfriar tendas. Os Fuzileiros Navais estão testando um sistema movido a luz solar para purificar água e estudando a possibilidade de criar pequenas usinas de biodiesel móveis que possam produzir combustível a partir de produtos locais.

*Publicado originalmente no jornal The New York Times
Tradução BiodieselBR.com
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